30 de março de 2012
29 de março de 2012
MILTON VIOLA FERNANDES
O nome que dá título a esta crônica pouca gente conhece, mas o “nome artístico” Millôr Fernandes, quase todo brasileiro conhece ou, ao menos, já ouviu falar.
Pois é, Millôr, que era jornalista, escritor, ilustrador, dramaturgo, fabulista, calígrafo, tradutor e inventor do frescobol, deixou estas paragens na última terça-feira.
Deve ter ido irradiar o seu talento e alegria em outros planos. Além das magníficas charges, muitas frases criativas e provocativas marcaram a cultura brasileira.
Brincando com as palavras como quem monta quebra-cabeças, dizia Millôr, por exemplo, que “feliz é o que você percebe que era, muito tempo depois.”
Com típico olhar de quem sempre está (re)descobrindo o mundo, Millôr percebeu que a “anatomia é uma coisa que os homens também têm, mas que, nas mulheres, fica muito melhor.” Ou ainda, que: “o homem é o único animal que ri. E é rindo que ele mostra o animal que é.”
A sabedoria e a sensibilidade eram abundantes, mas peço vênia especialmente nesta crônica para apontar-lhe um erro, sim, um equívoco grosseiro cometido contra si mesmo.
Millôr errou feio ao dizer que “todo homem nasce original e morre plágio”. Isso pode até acontecer com a maioria, mas há alguns espécimes raros, como o próprio Millôr, que morrem tão originais quanto nasceram. Não há como imitá-los ou substituí-los.
27 de março de 2012
22 de março de 2012
VAMOS ENFEITAR OS PRÉDIOS PÚBLICOS!
No início deste mês, uma decisão do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, acolheu pedido de retirada de crucifixos e símbolos religiosos dos prédios que compõem a estrutura judiciária do Estado.
O Desembargador Cláudio Baldino Maciel fundamentou a decisão: “resguardar o espaço público do Judiciário para o uso somente de símbolos oficiais do Estado é o único caminho que responde aos princípios constitucionais republicanos de um Estado laico.”
Realmente, nada mais sensato em se tratando de um Estado laico, que não sejam privilegiados símbolos desta ou daquela religião nos prédios públicos.
Isto não significa dizer que o Estado nega a Deus ou que a retirada dos crucifixos importa em desrespeito à religião católica. É, sobretudo, uma questão de respeito à diretriz de que o Brasil não é um país católico, como é o caso do Chile, por exemplo.
O Chile é um país católico, tem quatro poderes, a saber: legislativo, executivo, judiciário e eclesiástico.
Portanto, no Chile os símbolos cristãos fazem parte do modelo de Estado adotado. No Brasil isso não acontece.
Mesmo assim, o assunto não é tão simples.
Em 29 de Maio de 2011, o Conselho Nacional de Justiça – CNJ decidiu a respeito de quatro pedidos de retirada de símbolos cristãos de prédios públicos, entendendo que tais símbolos não ferem o caráter laico do Estado.
Na época, o jurista Católico Ives Gandra da Silva Martins, invocando o preâmbulo da Constituição Federal, no qual consta a expressão “sob a proteção de Deus”, advogou que a retirada dos símbolos seria inconstitucional.
Se é assim, cabe questionar: poderia um órgão público negar o pedido de inserção de símbolo de outra religião não cristã ao lado do crucifixo?
Entendo que não, pois o artigo 5º da Constituição Federal assegura tratamento isonômico (igualitário), inclusive no que tange à religião.
Pois bem, se não se consegue atingir um consenso, então que os símbolos religiosos sejam utilizados democraticamente nos prédios públicos. Ora, ao lado do crucifixo, deverão conviver harmoniosamente a Estrela de Davi, imagens dos Orixás, de Buda, de Krishna, de Maomé e até mesmo uma placa ao lado contendo: “não acredito”, para homenagear os ateus e uma contendo: “não nego a possibilidade”, para lembrar dos agnósticos.
Quem sabe assim todos se sintam contemplados e vivam felizes. Vamos enfeitar os prédios públicos!
O Desembargador Cláudio Baldino Maciel fundamentou a decisão: “resguardar o espaço público do Judiciário para o uso somente de símbolos oficiais do Estado é o único caminho que responde aos princípios constitucionais republicanos de um Estado laico.”
Realmente, nada mais sensato em se tratando de um Estado laico, que não sejam privilegiados símbolos desta ou daquela religião nos prédios públicos.
Isto não significa dizer que o Estado nega a Deus ou que a retirada dos crucifixos importa em desrespeito à religião católica. É, sobretudo, uma questão de respeito à diretriz de que o Brasil não é um país católico, como é o caso do Chile, por exemplo.
O Chile é um país católico, tem quatro poderes, a saber: legislativo, executivo, judiciário e eclesiástico.
Portanto, no Chile os símbolos cristãos fazem parte do modelo de Estado adotado. No Brasil isso não acontece.
Mesmo assim, o assunto não é tão simples.
Em 29 de Maio de 2011, o Conselho Nacional de Justiça – CNJ decidiu a respeito de quatro pedidos de retirada de símbolos cristãos de prédios públicos, entendendo que tais símbolos não ferem o caráter laico do Estado.
Na época, o jurista Católico Ives Gandra da Silva Martins, invocando o preâmbulo da Constituição Federal, no qual consta a expressão “sob a proteção de Deus”, advogou que a retirada dos símbolos seria inconstitucional.
Se é assim, cabe questionar: poderia um órgão público negar o pedido de inserção de símbolo de outra religião não cristã ao lado do crucifixo?
Entendo que não, pois o artigo 5º da Constituição Federal assegura tratamento isonômico (igualitário), inclusive no que tange à religião.
Pois bem, se não se consegue atingir um consenso, então que os símbolos religiosos sejam utilizados democraticamente nos prédios públicos. Ora, ao lado do crucifixo, deverão conviver harmoniosamente a Estrela de Davi, imagens dos Orixás, de Buda, de Krishna, de Maomé e até mesmo uma placa ao lado contendo: “não acredito”, para homenagear os ateus e uma contendo: “não nego a possibilidade”, para lembrar dos agnósticos.
Quem sabe assim todos se sintam contemplados e vivam felizes. Vamos enfeitar os prédios públicos!
15 de março de 2012
O GATO PRETO
Na última segunda-feira assisti a um trecho do Programa Custe o que Custar – CQC, em que os apresentadores falavam de mau agouro, azar e assuntos relacionados.
Naquele momento, adentrou uma funcionária da produção trazendo uma caixa fechada com laço de presente. Os apresentadores, fazendo cara de surpresa, abriram então o presente e, com espanto teatral, retiraram dela um gato preto vivo, entregando-o com repulsa para alguém que estava atrás das câmeras.
Disseram que o gato preto representava o mau agouro e que havia sido enviado pela concorrente, Rede Globo de Televisão.
Lamentei e continuo lamentando a utilização desse animal para reforçar uma crendice sem fundamento, de que o gato preto é animal de mau agouro.
Para quem não está inserido no trabalho voluntário de proteção animal, pode parecer que se tratou apenas de uma ingênua brincadeira.
Porém, entendo que ingênuos mesmo foram aqueles que fomentaram a brincadeira, pois não conseguem compreender a dimensão e os reflexos de suas atitudes.
Por carregar o estigma de animal de azar, já acompanhei diversas atrocidades cometidas contra gatos pretos nesses anos de trabalho voluntário.
Certa vez, o animal foi fixado pelas duas patas dianteiras, com uma cola industrial em um tonel de aço e permaneceu naquela posição vertical (de pé), durante um final de semana inteiro, no sol, sem comida ou água.
Já encontrei em duas oportunidades, gatos pretos enforcados e amarrados na porta de residências. Foram usados como instrumento de “trabalho” para dar azar ao inimigo.
Já vi pessoas contando, orgulhosas, que atropelaram propositalmente o “animal do capeta”, assim como já vi gente jogando pedras e atirando pedaços de pau para que o animal símbolo do azar, se afastasse.
Sim, é ignorante e digno de pena aquele que acredita nesse tipo de superstição, porém, mais ignorante ainda é quem propaga, em rede nacional de televisão, uma crendice que tanto sofrimento já causou a seres inocentes que não têm culpa de terem nascidos na cor eleita como sinônimo de azar.
12 de março de 2012
CARROS, ÔNIBUS E BICICLETAS
Uma foto de cidade alemã, demonstra o espaço utilizado por carros, depois por um ônibus e também por bicicletas, para transportar o mesmo número de pessoas.
9 de março de 2012
MÁSCARA DE FERRO (PAULO FICHTNER)
Se não fosse esta máscara de ferro
que nos vela a face e os olhos,
à esquerda dos deuses veríamos
o grande crepúsculo no vale.
Não ouviríamos mais as baionetas
dilacerando a pele do homem
ao dobre dos sinos de Jerusalém.
Ouviríamos as almas que não podem
chorar e, sentindo a agonia das harpas
que não tangem mais, viríamos à noite
para dizer às almas e às harpas
que choramos com elas e escutamos
todas as vozes que não têm mais eco.
Não só deuses escutam o eco das vozes.
Se não fosse esta máscara de ferro,
à esquerda dos grandes deuses veríamos
o vale ao crepúsculo.
que nos vela a face e os olhos,
à esquerda dos deuses veríamos
o grande crepúsculo no vale.
Não ouviríamos mais as baionetas
dilacerando a pele do homem
ao dobre dos sinos de Jerusalém.
Ouviríamos as almas que não podem
chorar e, sentindo a agonia das harpas
que não tangem mais, viríamos à noite
para dizer às almas e às harpas
que choramos com elas e escutamos
todas as vozes que não têm mais eco.
Não só deuses escutam o eco das vozes.
Se não fosse esta máscara de ferro,
à esquerda dos grandes deuses veríamos
o vale ao crepúsculo.
7 de março de 2012
DILEMAS TOSTINES DA VIDA REAL
Aqueles que hoje tem seus trinta e poucos anos, podem lembrar da campanha publicitária dos biscoitos Tostines, que fez muito sucesso na década de 1980.
O mote da campanha era o dilema desafiador: “Tostines vende mais porque é fresquinho, ou é fresquinho porque vende mais?"
A partir disso, diversas dúvidas do cotidiano passaram a ser ludicamente apelidadas de “Dilemas Tostines”. Eu faço parte dessa geração e, portanto, até hoje brinco com esses problemas que propõem soluções contraditórias.
As reflexões multiplicam-se indefinidamente, seja na vida privada, como por exemplo: aquela mulher trata mal o marido porque ele bebe, ou o marido bebe porque é tratado mal pela mulher? O cidadão trabalha para viver ou vive para trabalhar? O jovem usa drogas porque não tem oportunidades, ou não tem oportunidades porque é usuário de drogas?
O dilema pode surgir também na vida social, como a pergunta de que o jaraguaense lava o telhado de casa no final de semana porque não tem opções de lazer, ou não existem opções de lazer, porque o jaraguaense costuma lavar o telhado da casa no final de semana?
No setor público o dilema também se manifesta, como por exemplo: o transporte público de Jaraguá do Sul não tem qualidade porque grande parte das pessoas prefere usar seus carros, ou as pessoas preferem usar seus carros, porque não há transporte público de qualidade?
Na filosofia, lembro-me do dilema sustentado por Frei Beto no livro Diálogos Criativos, onde ele questiona: “Serão as catedrais, shopping centers da fé, ou os shopping centers, catedrais do consumo?"
E você, caro leitor, qual o seu dilema?
1 de março de 2012
VENENO CONTRA VENENO
Segundo estudo divulgado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo – FIESP, a corrupção gera prejuízos na ordem de US$ 10 bilhões por ano ao Brasil, ou seja, valor superior à soma dos orçamentos globais dos ministérios da cultura, ciência e tecnologia, meio ambiente, esporte e turismo.
A corrupção é movida, sobretudo, por interesses financeiros e, nesse sentido os norte-americanos foram pragmáticos ao aprovar e colocar em vigor a Lei Dodd-Frank em agosto de 2011.
Essa norma jurídica cria um fundo de US$ 450 milhões, para fomentar a delação premiada de esquemas de corrupção que envolvam políticos e empresas privadas nacionais ou estrangeiras.
Ora, se o dinheiro (vantagem financeira) é que gera a corrupção, nada mais correto e eficaz do que combater a corrupção também com dinheiro, através da delação premiada. É a lógica do veneno contra veneno.
O governo brasileiro pretende, através de uma estratégia muito mais tacanha e inferior, reduzir a corrupção promovida por empresas transnacionais em relação aos políticos, prevendo pesadas multas através de um projeto de lei que ainda aguarda apreciação.
Porém, até o momento não se falou em replicar o modelo norte-americano de criação de fundo público para fomento da delação premiada nos casos de corrupção.
Mas se a corrupção é endêmica, repulsiva e causa tanto prejuízo ao Brasil (US$ 10 bilhões ao ano), por que não fomentar a delação premiada em nosso País?
Absorvemos dos norte-americanos, tantos hábitos alimentares e culturais pouco recomendáveis. Por que não replicar a ideia da Lei Dodd-Frank?
Nesta hipótese, Municípios, Estados, DF e União Federal poderiam criar seus próprios fundos para incentivar cidadãos detentores de informações conclusivas e provas a entregar tais subsídios ao Ministério Público, a fim de que as medidas repressivas à corrupção pudessem ser tomadas.
Utopia? Sim, ainda estamos num estágio primitivo de padrão de cidadania, moral e costumes, em que a corrupção dos poderes públicos soa quase como algo normal, algo que faz parte ou até um mérito para aquele político que “rouba mas faz”.
Todavia, não podemos deixar de acreditar que chegará o tempo em que as pessoas se importarão mais com o próximo, com a coletividade e com o bem público, nem que tal cultura seja impulsionada inicialmente por instrumentos de “incentivo”, como a delação premiada.
29 de fevereiro de 2012
22 de fevereiro de 2012
O MOTIVO DO CARNAVAL
As festividades de Carnaval, embora tivessem outra denominação, tiveram origem em cultos gregos aos deuses da fertilidade, realizados a partir de alguma data próxima do século VI A.C.
Há autores que sustentam a origem do Carnaval a patir do Entrudo português, festa na qual pessoas jogavam farinha, ovos e água, umas nas outras pelas ruas da cidade. Porém, ao que tudo indica o Entrudo teve origem em festividades gregas, daí porque a origem comum.
Somente em 590 D.C. a Igreja Católica absorveu a festa em seu calendário e passou a utilizar a denominação “Carnaval”, tendo em vista a suspensão do consumo de carne (carne valle) durante o período que se seguia, qual seja, a Quaresma.
Porém, a verdade é que esse tipo de festividade de transgressão faz parte do gênero humano. Ao que tudo indica, para que a vida social prossiga de forma salutar é necessário um curto período de transgressão controlada (ou nem tanto) dos costumes.Seria um retorno ao estado de liberdade próprio da era da barbárie.
Voltando à Igreja Católica, vale relembrar que esta manteve durante muito tempo nas festividades de ano novo a Festa dos Loucos (Festum Fatuorum), na qual membros do clero bebiam dentro da igreja, zombavam de orações, parodiavam evangelhos e faziam diversas transgressões dos costumes, o que seria inaceitável em qualquer outra época do ano.
Segundo o filósofo Alain de Botton, no ano de 1445 a Faculdade de Teologia de Paris explicou aos bispos franceses que a Festa dos Loucos era um evento necessário no calendário cristão, “para que a insensatez que é nossa segunda natureza, e inerente ao homem, possa se dissipar livremente pelo menos uma vez ao ano. Barris de vinho estouram de tempos em tempos se não os abrimos para entrar um pouco de ar. Todos nós, somos barris reunidos inadequadamente, e é por isso que permitimos a tolice em certos dias: para que, no fim, possamos regressar com maior fervor ao serviço de Deus.”
Os romanos antigos tinham os festivais da Saturnália, nos quais praticavam jogos proibidos nas ruas públicas, faziam toda a sorte de brincadeiras e invertiam papeis sociais, sendo que os escravos vestiam-se com roupas de seus senhores e podiam participar juntamente nas refeições. Há quem diga que a inversão chegava ao ponto de os senhores comportarem-se como escravos de seus escravos, tudo pela sátira, pelo humor, pela transgressão.
Da mesma forma, os norte-americanos comemoram a transgressão de costumes com o seu Mardi Gras e outros povos com festas congêneres ainda em voga.
Talvez a forma mais saudável de viver inclua realmente períodos curtos de inobservância das regras sociais, da pequena ética (etiqueta) e também do “politicamente correto”. Talvez, o ser humano seja mais complexo do que se imagina e precise, uma vez ou outra, sentir-se livre das pesadas correntes e cabrestos impostos pela vida em sociedade e, assim, considerar-se feliz.
16 de fevereiro de 2012
ÍNDIOS
Não se fala muito no assunto, mas na semana passada circulou um vídeo que compila imagens de uma tribo não contatada em um trecho entre o Brasil e o Peru. Essa pequena filmagem tomou espaço da mídia nacional e internacional.
Estima-se que existam aproximadamente 100 tribos ou povoados não contatados no planeta, sendo 14 no Brasil, espalhados por 5 estados brasileiros (Mato Grosso, Acre, Rondônia, Roraima e Amazonas). É fascinante saber que mais de 500 anos após o formal “descobrimento” do Brasil, existem pessoas que desconhecem o nosso modo de vida, que ainda mantêm uma cultura própria e que não sabem o rumo perigoso que o planeta está tomando por nossa culpa.
No Brasil e arredores, a grande ameaça contra essas pessoas, obviamente, fica por conta da ganância do povo branco, que vem derrubando matas em busca do ouro vermelho (mogno) e outras madeiras nobres para a fabricação de móveis coloniais.
Seria importante que o governo brasileiro estabelecesse formas de proteção a esses povos da mata, dando-lhes inclusive, direito de escolha. Sim, a escolha de manter o seu modo de vida, de proteger a sua cultura e de continuar vivendo do modo como fazem há milhares de anos.
Claro, temos experiência de sobra para saber que integrar o povo índio à cultura do branco, não melhorou a sua qualidade de vida. Pelo contrário, a perda das referências, da cultura e do modo de vida originais, converteu povos da mata em pessoas pobres, estigmatizadas e marginalizadas dentro do contexto da denominada, “cultura da civilização”.
O que não pode prosseguir é o genocídio praticado por garimpeiros, madeireiros, grileiros e outros criminosos que caminham com as botas pesadas do “progresso”, sobre a terra virgem da Amazônia tomando tudo o que conseguem, destruindo recursos, poluindo as águas com mercúrio e destruindo a fauna indefesa.
Renato Russo na música homônima desta crônica, deixou claro o sentimento de impotência daqueles filhos da terra que, da mesma forma que as árvores e animais, são trucidados por estarem no caminho do “desenvolvimento”:
Quem me dera, ao menos uma vez,
Como a mais bela tribo, dos mais belos índios,
Não ser atacado, por ser inocente.
Com pouco esforço talvez seja possível enxergar os fatos de um outro prisma. Os índios não são e não podem ser uma pedra no caminho do branco. Nós brancos é que somos a pedra no caminho deles, e que pedra!
12 de fevereiro de 2012
8 de fevereiro de 2012
AS DUAS FACES DA DEPENDÊNCIA
- Amanhã é Domingo, por que você está programando o despertador?
- É que tenho medo de dormir antes da hora.
- De que hora?
- Da hora de tomar o meu remédio para dormir?
O diálogo parece surreal, mas demonstra até que ponto vai a dependência química e psicológica. Esse é o aspecto negativo da dependência.
Mas a dependência também tem o seu aspecto positivo. E disso ninguém trata.
Ora, a dependência é parte da vida humana, ou será que alguém pode negar que é necessária e saudável a dependência do bebê para com a sua mãe?
O ser humano não é onipotente e absolutamente independente. Muito pelo contrário, por ser gregário por natureza, precisa dos seus semelhantes para sobreviver no planeta.
No relacionamento interpessoal, essa dependência está presente todos os dias, seja na equipe de trabalho, em que as metas são atingidas pelo conjunto e não pelos indivíduos, ou ainda no esporte, em que o gol é o ápice de uma jogada preparada pelo conjunto.
O exercício da humildade é necessário. Ninguém faz sucesso profissional absolutamente sozinho, assim como não há atacante bem sucedido se não houver alguém que lhe passe a bola no momento certo.
O que não pode ocorrer é a dependência que escraviza, tal como aquela expressada no diálogo que inicia esta crônica.
Aliás, uma fala muito comum do escravo dependente é a seguinte:
- Se eu quisesse parava.
- Mas você sabe que faz mal, então por que não pára?
- Não paro, porque não quero. Mas se eu quisesse...
A verdade é que o escravo nem conhece mais a sua vontade, confunde vício com desejo e acredita que conseguiria, se quisesse, quando na verdade nem sabe o que realmente quer.
O que me pergunto é quais dependências minhas são positivas e negativas? Será que sou escravo e não percebo?
6 de fevereiro de 2012
3 de fevereiro de 2012
MP AJUIZA AÇÃO CONTRA O NEPOTISMO EM JARAGUÁ DO SUL
Na última quarta-feira (01.02.2012), o Ministério Público de Santa Catarina, protocolizou Ação Civil Pública perante o fórum da Comarca de Jaraguá do Sul, visando o afastamento do Secretário Ivo Konell (marido da prefeita) e da Chefe de Gabinete Federa L. Konell (filha da prefeita).
Em seu despacho inicial prolatado na data de ontem (02.02.2012), a Juíza da Vara da Fazenda Pública, determinou a notificação prévia do procurador do município para manifestação em 72 horas e dos Réus (Cecília Konell, Ivo Konell e Fedra L. Konell), no prazo de 15 dias.
Após as manifestações, a juíza apreciará o pedido de tutela antecipada (liminar) requerida pelo Promotor de Justiça.
Depois da análise do pedido de antecipação de tutela, o processo segue seu curso para averiguação do cometimento de ilicitude por parte da Sra. Prefeita e a possível aplicação de penalidades, se for o caso.
Para acompanhar o trâmite processual, segue o link: http://esaj.tjsc.jus.br/cpo/pg/show.do?localPesquisa.cdLocal=36&processo.codigo=1000032JO0000&processo.foro=36
2 de fevereiro de 2012
UNIVERSALISMO
Como todos sabem, a partir da primeira metade do Século XX a humanidade passou a acelerar com velocidade nunca antes experimentada, o desenvolvimento de tecnologias, de culturas e da sua própria forma de viver.
Agora, atinge-se um estágio em que não é mais possível negar o universalismo como chave da coexistência pacífica e harmoniosa entre os seres humanos e suas diferentes culturas e possibilidades.
Tal como um dominó enfileirado, os regimes totalitários vem caindo, um depois do outro ao redor do planeta. É a humanidade se levantando e dizendo não à intolerância, à repressão, à violência, à injustiça e à mentalidade tosca.
Essa nova realidade exige que no âmbito da educação e da moralidade, sejam buscados modelos que partam de valores comuns aos seres humanos, como os postulados da doutrina do Direito Natural, por exemplo.
Na questão da religiosidade, outro ponto que ainda desagrega seres iguais por natureza, resta o dever de respeito à diversidade dos credos, o reconhecimento de que não existem caminhos únicos, credos superiores ou inferiores. Essa compreensão deve ser lógica e óbvia, assim como a constatação de que não existe diferença no amor materno africano, europeu, asiático ou americano.
Norberto Bobbio foi inspirado(r) quando fugiu do argumento filosófico para provar a unidade da espécie humana através de uma reflexão simples e prática. Segundo o intelectual italiano:
“Basta olhar o rosto de uma criança em qualquer parte do mundo. Quando vemos uma criança, que é o ser humano mais próximo da natureza, ainda não modelado e corrompido pelos costumes do povo em que está destinado a viver, não percebemos nenhuma diferença, senão nos traços somáticos, entre um pequeno chinês, africano ou índio e um pequeno italiano.”
Mas não é suficiente esperar, cabe a cada um reconhecer os paradigmas já ultrapassados e passar a agir comprometido com a dissolução de preconceitos, distinções ultrajantes, ódios religiosos, raciais ou decorrentes de diversidade sexual.
Assim como no Oriente Médio (agora é a Síria que está renascendo), a mudança deve vir de baixo para cima. Todos estão conectados por pensamentos, sentimentos e também pela internet. Hoje é possível, individualmente, fazer a diferença no cotidiano para que mais rapidamente a evolução necessária seja consolidada.
1 de fevereiro de 2012
MC DONALD´S UTILIZA HIDRÓXIDO DE AMÔNIA EM SEUS PRODUTOS
“Estamos comendo um produto que deveria ser vendido como a carne mais barata para cachorros e, após esse processo, dão o produto para humanos”, disse Oliver. “Por que qualquer ser humano sensato colocaria carne com amônio na boca de suas crianças?” , questiona.
SIGNIFICADO DE HIDRÓXIDO DE AMÔNIO
O hidróxido de amônio, de fórmula química NH4OH é uma base solúvel e fraca, só existe em solução aquosa quando faz-se o borbulhamento de amônia (NH3) em água.
Resumo de riscos: Nocivo quando ingerido, inalado e absorvido pela pele. Extremamente irritante para mucosas, sistema respiratório superior, olhos e pele.
Efeitos agudos: A inalação pode causar dificuldades na vítima como consequência: espasmos, inflamação e edema de garganta, pneumonia química e edema pulmonar.
Efeitos crônicos: A exposição repetida ao produto pode causar tosse, respiração ruidosa e ofegante, laringite, dor de cabeça, náusea, vômito e dor abdominal.
Órgãos afetados: Estômago e pulmões.
Fonte: www.restaurantesemsp.com.br
COMENTÁRIO: Aquilo que muitas pessoas não teriam coragem de fazer em seus próprios nomes, acabam fazendo "escondidas" em nome de grandes corporações.
26 de janeiro de 2012
O ESTADO DENTRO DE CASA
Segundo a Teoria do Contrato Social, em um determinado momento dos primórdios da civilização, resolvemos ceder uma parte de nossa liberdade individual em troca da proteção do Estado, ente artificial criado pelo homem, que já foi grande como Leviatã e hoje tem seguido uma tendência de diminuição de estrutura.
Ao longo dos tempos, essa benéfica proteção estatal foi muitas vezes deturpada e utilizada como instrumento de perseguição, inclusive por parte da Igreja Romana na época em que comungava explicitamente do poder estatal.
Se é verdade, por um lado, que a forte intervenção do Estado passou a sofrer limitações nas repúblicas democráticas em que impera o Direito, não se pode esquecer que, vez por outra, tais freios não atingem a eficiência devida.
Exemplo disso em nosso país é a imposição do regime legal de separação de bens para o casamento de pessoas com mais de 70 anos de idade.
Para o nosso Código Civil não importa que a pessoa tenha plena sanidade e consciência do ato que está por realizar, se tiver mais de 70 anos será obrigada a casar pelo regime da separação de bens.
É como se, ao completar 70 anos, as pessoas perdessem automaticamente o juízo e tivessem que voltar a ser tratadas como menores de idade para efeitos jurídicos.
A meu ver, trata-se de uma presunção implícita de que, se alguém casa com uma pessoa com mais de 70 anos é movido exclusivamente por interesse patrimonial e não por afetividade. Há também uma presunção de que uma pessoa com mais de 70 anos não reúne condições para decidir a respeito da melhor forma de gerir o seu próprio patrimônio.
Se o nosso Código Civil fosse antigo até se poderia cogitar de que é uma disposição ultrapassada, mas a verdade é que se trata de uma norma recente e que, portanto, representa os atuais anseios de uma sociedade que, cada vez mais, é composta de pessoas com mais de 70 anos de idade.
Outro exemplo de intromissão estatal na vida privada é o teor do projeto em tramitação da chamada “Lei da Palmada”.
É claro que o Estado deve intervir energicamente sempre que for constatada a ocorrência de violência física dentro do lar. Nesses casos, deve o Estado cumprir com o seu papel e impor sanções para que tais atos não se repitam. Aliás, é justamente esse tipo de proteção que se espera do ente estatal.
Todavia, a proibição legal genérica da prática de qualquer tipo de reprimenda física como forma de educação e controle da prole, constitui intromissão abusiva e indevida que o legislativo está em vias de aprovar.
Ao mesmo tempo em que reprovo a violência no lar, penso que um pai deve ter a liberdade de dar uma palmada no filho, quando entender ser necessário para a melhor educação. Não conheço uma só pessoa traumatizada por ter recebido palmadas na infância.
Intromissões como essa, lembram um trecho do Mixná Judaico que regulamenta com detalhes até mesmo a quantidade de relações sexuais que o homem tem o dever de praticar com a sua mulher, partindo de um critério profissional:
“Para homens que têm renda independente de trabalho, todos os dias. Para trabalhadores, duas vezes por semana. Para condutores de burros, uma vez por semana. Para condutores de camelos, uma vez por mês. Para marinheiros, uma vez por semestre.” (Mixná, Ketubot 5:6).
Imagine a dificuldade do marinheiro judeu contar a sua profissão para a namorada! Acho que deve ser mais ou menos assim:
“- Olha Verônica, tenho que te contar um detalhe que venho escondendo há algum tempo.”
“- Você me traiu Rodolfo? Eu te perdôo, pela tua sinceridade…”
“- Não Verônica querida, é que… eu sou marinheiro.”
“- O que? Não acredito, saia daqui, não quero isso para mim, está tudo acabado…”
“- Mas Verônica?”
“- Rodolfo, uma vez por semestre não!”
A brincadeira foi inevitável, mas o assunto é sério. Até quando vamos permitir que o Estado intervenha de forma desmedida em nosso cotidiano? O brasileiro deveria acompanhar melhor o trabalho parlamentar e evitar novas intromissões indevidas que afrontam as liberdades individuais e o modo de convivência que se entende por salutar.
19 de janeiro de 2012
A VOZ DE JANUS
Janus é um antigo deus romano bicéfalo, costumeiramente representado por uma imagem com as cabeças opostas, uma olhando para frente e a outra olhando para trás. Como todo símbolo ou mito, diversas são as possibilidades de interpretação.
Porém, como Janus está situado no calendário Gregoriano, justamente como primeiro mês do ciclo anual (Janeiro), bem ainda, por Janus ser considerado o deus dos portões e passagens, pode-se invocar o sentido da passagem do tempo, ou seja, da relação entre o passado e o futuro (as cabeças opostas de Janus).
Relevante notar que Janus não tem três cabeças, mas apenas duas, ou seja, uma olhando para o tempo passado e outra olhando para o tempo futuro. Para Janus não há o tempo presente, talvez porque o presente seja, justamente, o ponto de conjunção entre o futuro e o passado.
Assim, cada sílaba pronunciada ou letra digitada na tela do computador converte-se automaticamente em tempo passado. Um passado recente é verdade, mas que não volta, exceto pela repetição do ato. Cada respiração, cada passo, cada mastigação, transforma o futuro em um presente fugidio que escapa para o arquivo do passado ou para aquele abismo profundo que chamamos de esquecimento.
Seria muito bom se fosse possível paralisar o tempo presente nos bons momentos, o que só se consegue de modo muito tosco através de filmagens ou fotografias. Até mesmo o ato de escrever chega a ser intrigante, pois o que é presente para o leitor já é passado para o escritor e pode ser parte do futuro de quem ainda não leu.
Mas, se por um lado o presente é um pássaro que o homem não consegue aprisionar, o passado e o futuro é que têm aprisionado o homem.
Todos conhecem pessoas que vivem com a mente no passado, são os nostálgicos, aqueles que relembram com saudade de sua infância, do seu passado ou mesmo de um passado que não vivenciaram, mas que gostariam de tê-lo feito. Estes deixam de viver o presente e pouco se importam com o futuro. Dedicam-se à sua memória.
No outro vértice encontram-se aqueles muitos que vivem “pré ocupados”, ou seja, ocupados mentalmente com um futuro ainda coberto pelo manto da incerteza. O medo ou a ansiedade das possibilidades futuras que se situam fora do controle, tem conseguido tomar as rédeas da vida do homem pós-moderno.
Isto ocorre com tanta intensidade porque nada mais é seguro ou garantido. O que é verdadeiro nesse hoje que nos chega, pode ser falso amanhã. Tenho emprego hoje, mas posso não ter no próximo mês. Sou empresário hoje, mas posso estar falido em breve. O casamento, que era para sempre, agora virou desafio. Investir no que? Acreditar em quem ou no que? Dedicar-se a que? Até que ponto o dinheiro está valendo a pena? Poderei garantir as necessidades de meus filhos? Aproveito o momento ou planto sementes para um futuro melhor? Estarei vivo para aproveitar o futuro?
Essa insegurança decorrente da alucinante rapidez com que o futuro atinge o homem, tem causado mal-estar àqueles que ainda não conseguiram se adaptar à nova realidade líquida e mutante. Se por um lado o rápido desenvolvimento tecnológico trouxe uma série de confortos e melhorias, também gerou efeitos colaterais que a humanidade precisará de tempo para assimilar.
Portanto, silenciemos por um instante para ouvir a voz de Janus. Talvez, como deus dos portões e passagens, ele pretenda nos dizer que a vida é uma contínua passagem. Quem sabe valha a pena deixar Janus cuidar um pouco das questões pessoais do passado e do futuro, para vivermos conscientemente o presente que, como um pássaro arisco, só se deixa perceber por quem está em paz consigo mesmo.
17 de janeiro de 2012
MILÉSIMA POSTAGEM
Comecei a postar neste blog no mês de Janeiro de 2007. Agora, passados exatos 5 anos, o blog atinge a milésima postagem. De forma descompromissada, sem publicidade ou qualquer interesse específico, mantenho o blog apenas como hobby.
Entre fotografias, obras de arte, vídeos, poemas, crônicas, notícias, humor e entretenimento, espero que algo de bom esteja arquivado para os poucos e bons leitores.
16 de janeiro de 2012
VEREADOR DEVERIA SER FUNÇÃO VOLUNTÁRIA!
É assim que penso também. Sem o polpudo salário haveria sensível diminuição de candidatos interessados apenas no dinheiro e não no bem-estar da população. O fim do salário proporcionaria também o surgimento de verdadeiros políticos no sentido nobre da palavra (hoje raríssimos).
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