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5 de dezembro de 2010

EUA FIZERAM EXPERIÊNCIA COM SÍFILIS NA GUATEMALA

Os Estados Unidos pediram desculpas na sexta-feira (02/12) por um experimento conduzido nos anos 1940 no qual os pesquisadores infectaram com sífilis prisioneiros, mulheres e doentes mentais na Guatemala.

No experimento, destinado a testar a então recém-desenvolvida penincilina, os presos eram infectados por prostitutas e depois tratados com o antibiótico.

"O estudo de inoculação da doença transmitida sexualmente conduzida entre 1946 e 1948 na Guatemala foi claramente antiético", disseram a secretária de Estado Hillary Clinton e a secretária de Serviços Humanos e de Saúde Kathleen Sebelius em um comunicado.

"Além da penitenciária, os estudos ocorreram num asilo para doentes mentais e em quartéis militares", afirmou Reverby em um comunicado.

"No total, 696 homens e mulheres foram expostos à doença e depois tratados com penicilina. Os estudos seguiram até 1948 e os registros sugerem que, apesar das intenções, provavelmente nem todo mundo foi curado", afirmou ela.

OBSERVAÇÃO 1: esse fato me lembra de experiências médicas (terríveis diga-se de passagem) realizadas pelos nazistas na mesma época, do outro lado do Oeano Atlântico. Para os alemães, no entanto, não bastou um mero pedido de desculpas. Muitos foram julgados e condenados à morte.

OBSERVAÇÃO 2: Por que vir aqui na Guatemala fazer esse tipo de experiência? Por que os EUA não praticaram essa atrocidade dentro do próprio país, com o seu povo? Resposta: ora, a Guatemala na década de 40 era apenas mais um país cercado de mata por todos os lados, sem comunicação com o mundo. Esse tipo de atitude é típica do autoproclamado defensor global da liberdade, da ética e dos direitos humanos.

22 de novembro de 2010

E AS SAKINEHS AMERICANAS?

A mídia mundial revolta-se contra a condenação da iraniana Sakineh, condenada por ter cometido homicídio e adultério contra o ex-marido.

Nada mais justo, nada mais correto. A mistura da política com a religião e a barbaridade da condenação à morte por apedrejamento (depois convertida em enforcamento) são elementos que devem ser utilizados para a construção de severa crítica contra o Irã.

Os EUA e países da Europa manifestaram-se formalmente, pedindo o cancelamento da condenação da Sakineh. O caso gerou crise internacional.

Porém o argumento de Ahmadinejad não deve ser desprezado. Segundo ele, existem neste momento, 53 mulheres condenadas à morte nos EUA (através de injeção letal ou enforcamento, a depender do estado), mas ninguém critica o sistema norte-americano.

Será que realmente só o Irã está errado? Por que o grande defensor da liberdade e dos direitos humanos não é criticado pela imprensa de massa quando age de forma parecida?

16 de novembro de 2010

O MERCADO DE MULHERES VIETNAMITAS

A China hoje é um país em estágio de enriquecimento. A população de alguns dos seus vizinhos pobres tenta atravessar a fronteira, tal como acontece na fronteira do México com os EUA. São pessoas em busca de (sub)emprego e renda.

A contratação de equipes para transpor a fronteiras (tal como os famosos coiotes) custa o equivalente a R$ 75,00 por pessoa e há grande interesse por parte de mulheres vietnamitas, segundo noticiou o jornal Folha de São Paulo de domingo (14.11).

Isto porque a política do filho único, aliada à cultura do desprezo à criança do sexo feminino (porque ao casar deixa a família dos pais e vai para a família do marido), fez com que faltem hoje cerca de 32 milhões de mulheres em idade para casar.

Essa falta de mulheres proporcionou a criação de um mercado de venda de mulheres imigrantes, principalmente vietnamitas, que custam em média o equivalente a R$ 5.200,00.

As mulheres são anunciadas em panfletos e vendidas no mercado com garantia de virgindade e de fuga durante o primeiro ano, devendo servir exclusivamente ao comprador.

Estamos no século 21, mas o orbe terrestre é grande e muito diverso. Convivemos com tencologia cada vez mais impressionante, mas também com práticas primitivas e abomináveis que mereceriam estar soterradas por grossas camadas de tempo.

O mais impressionante é que os organismos internacionais não tomam providências de qualquer natureza. O máximo que ocorre é a veiculação do fato por uma pequena parcela da mídia.

O mercado de seres humanos não é exclusividade da China, mas o homem moderno tem preocupações mais importantes(?), como o preço do barril de petróleo, por exemplo.

9 de novembro de 2010

QUAIS AS PRIORIDADES DO BRASIL?

O Brasil hoje tem algo próximo de 14,5 milhões de analfabetos com idade superior a 10 anos, mas qual foi a fatia do orçamento federal destinada à educação em 2009?

Míseros 2,88%.

Mais da metade dos domicílios (34,6 milhões) no Brasil não tem acesso a rede de esgoto, mas qual foi o tamanho do investimento em saneamento básico no Brasil em 2009?

Ridículos 0,08%.

Certo.  Mas e quanto do orçamento geral da União é utilizado para pagamento de juros e amortizações com a dívida pública?

Mais de um terço do orçamento: 35,57%

Este não é um problema do governo Lula ou do PT. Essa sangria é histórica e amarra o Brasil no poste do atraso e da deficiência.

Obs. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad/2009)

2 de novembro de 2010

ENTRE O ESPIRITUAL E O MATERIAL (MARCELO GLEISER)

EXISTIMOS NESSA FRONTEIRA, não muito bem delineada, entre o material e o espiritual. Somos criaturas feitas de matéria, mas temos algo mais. Somos átomos animados capazes de autorreflexão, de perguntar quem somos.

Devo dizer, de saída, que espiritual não implica algo sobrenatural e intangível. Uso a palavra para representar algo natural, mesmo intangível, pelo menos por enquanto.

Pois, se olharmos para o cérebro como o único local da mente, sabemos que é lá, na dança eletro-hormonal dos incontáveis neurônios, que é gerado o senso do "eu".

Infelizmente, vivemos meio perdidos na polarização artificial entre a matéria e o espírito e, com frequência, acabamos optando por um dos dois extremos, criando grandes crises sociais que podem terminar em atrocidades.

Vivemos numa época onde o materialismo acentuado -do querer antes de tudo, do eu antes do outro, do agora antes do legado-, está por causar consequências sérias.

Lembro-me das sábias linhas do filósofo Robert Pirsig, no clássico "Zen e a Arte da Manutenção de Motocicletas": "Nossa racionalidade não está movendo a sociedade para um mundo melhor. Ao contrário, ela a está distanciando disso".

Ele continua: "Na Renascença, quando a necessidade de comida, de roupas e abrigo eram dominantes, as coisas funcionavam bem.

Mas agora, que massas de pessoas não têm mais essas necessidades, essas estruturas antigas de funcionamento não são adequadas. Nosso modo de comportamento passa a ser visto como de fato é: emocionalmente oco, esteticamente sem sentido e espiritualmente vazio".

O ponto é claro: atingimos uma espécie de saturação material. Para chegar a isso, sacrificamos o componente espiritual. O material é reptiliano: "Eu quero, eu pego. Se não consigo, eu mato (metaforicamente ou de fato). O que quero é mais importante do que o que você quer".

Claro, progredimos muito, dando conforto a milhões de pessoas, mas, no frenesi do sucesso, deixamos de lado o que nos torna humanos. Não só nossas necessidades, mas nossa generosidade, nossa capacidade de dividir e construir juntos.

Quando nossa sobrevivência está garantida, recaímos em nosso modo reptiliano de agir -autocentrado- e esquecemos da comunidade.

A diferença entre nossa realidade e a de Pirsig, que escreveu essas linhas acima em 1974, é que um novo tipo de conscientização está surgindo, em que o senso de comunidade está migrando do local ao global.

Isso me deixa otimista.

Em todo o planeta, um número cada vez maior de pessoas entendeu já que os excessos materialistas da nossa geração precisam terminar. Não é apenas porque o materialismo desenfreado é superficial. É porque é letal, tanto para nós quanto para a vida à nossa volta.

Olhamos para nosso planeta de modo que não olhávamos 20 anos atrás. O sucesso do filme "Avatar" não teria sido o mesmo em 1990.

O momento está chegando para um novo tipo de espiritualidade, que nos levará a uma existência mais equilibrada, onde o material e o espiritual mantêm um balanço dinâmico. O material sem o espiritual é cego, e o espiritual sem o material é fantasia. Nossa humanidade reside na interseção dos dois.

Fonte: http://www.marcelogleiser.blogspot.com/

23 de outubro de 2010

SONHO QUE SE SONHA JUNTO É REALIDADE



Santo Agostinho (que, para mim não é referência moral) disse certa vez que "povo é um conjunto de pessoas racionais unidas por um mesmo sonho."

Desunido, o povo trava a batalha do individualismo que tanto reduz o progresso, pois não se sabe qual o caminho a ser trilhado. Julgamo-nos, cada um em relação ao outro, superiores, mas não enxergamos o exemplo das abelhas e das silenciosas formigas.

Egos inflados pela sanha cega de consumo (você é especial, você merece, viva o agora, etc.) e lá se vai a sinergia necessária ao aperfeiçoamento humano.

Essa dissolução do vínculo social é muito interessante para quem governa (formal ou informalmente), pois nossas minúsculas individualidades soltas não exercem a pressão política necessária para o exercício legítimo do poder outorgado aos mandatários.

Chico Buarque na  música "A Banda", toca no assunto do "sonho comum" quando diz que o homem sério conta dinheiro, o faroleiro conta vantagem, a narmorada conta as estrelas, o velho fraco reclama do cansaço....mas todos largam suas pequenas vidas quando passa a Banda falando coisas de amor.

Daí a necessidade de um fator de união social, muitas vezes representado por uma personalidade, por um movimento ou por uma ideologia, desde que sadia em relação aos ideais humanísticos mais elevados.

Falta-nos um verdadeiro sonho, algo mais do que comprar um carro, depois uma moto, depois um apartamento de frente para o mar, depois...

Sinto falta disso nessa pós-modernidade alienada pelo consumo burro e inconsequente.

Raul viveu antes do tempo dele, que ainda não chegou. Vivemos na idade do individualismo burro, do sonho que se sonha só.

18 de outubro de 2010

A ESCRAVIDÃO FOI ABOLIDA?

Hoje o escravo é mais barato do que nos séculos passados, pois antigamente o dono do escravo garantia moradia e comida a todos os escravos. O escravo contemporâneo muitas vezes não tem sequer onde morar, tampouco a garantia de que terá comida durante todo o mês.

Alguém pode perguntar sobre a liberdade, mas qual liberdade? Liberdade de ir aonde? Liberdade de trocar apenas de dono da sua escravidão?

Mesmo que o salário mínimo fosse suficiente para alimentar uma família, já diziam os Titãs na década de 1980 que a gente não quer só comer.

A nossa tão desrespeitada Constituição Federal fala em princípio da dignidade da pessoa humana (artigo 1º, III), no Direito à educação, saúde e segurança e ainda, que o salário mínimo deve prover essas necessidades básicas  (artigo 5º) .

O artigo XXV da Declaração Universal dos Direitos Humanos diz que “Todo ser humano tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar-lhe, e a sua família, saúde e bem estar...”

O escravo moderno consegue, quando muito, manter-se vivo, mas com que dignidade?

5 de outubro de 2010

CAPITALISMO: UMA HISTÓRIA DE AMOR

O título acima é o nome de um documentário lançado no ano passado por Michael Moore, a respeito da fase atual do capitalismo global, com ênfase para o sistema norte-americano.

Ele questiona a moralidade de certas condutas incentivadas pelo lucro e procura demonstrar os vícios do neoliberalismo, o aumento da desigualdade social e a necessidade de controle estatal sobre o mercado.

A reflexão trazida pelo filme vale a pena. O documentarista foi feliz em várias de suas observações.

O filme está disponível para download e visualização direta no endereço abaixo:

http://www.disclose.tv/action/viewvideo/41813/Capitalismo___Uma_Hist__ria_de_Amor_1_2/

15 de agosto de 2010

IRÃ ADIA DIVULGAÇÃO DA SENTENÇA DE SAKINEH

Não saiu neste sábado a decisão da Suprema Corte sobre a confirmação da sentença de Sakineh Mohammadi Ashtiani, de 43 anos, condenada à morte por adultério.

O novo advogado de Sakineh, Hotan Kian, confirmou o adiamento pouco depois de um encontro com representantes da Justiça em Teerã, que estaria tentando ganhar tempo até o anúncio de uma decisão superior a respeito da execução.

Kian informou que a Justiça exigiu os documentos originais de uma queixa que Sakineh apresentou às autoridades antes da morte do marido.

Na ação, na vara de família de Tabriz, Sakineh teria afirmado que não conseguia mais "viver com este homem".

Kian disse que a corte já tinha o documento, "mas o pediu de novo, para ganhar tempo". No próximo sábado, ele deverá comparecer novamente à Suprema Corte, em Teerã, à espera de uma resposta sobre o destino de sua cliente.

Diretora do Comitê Internacional contra a Pena de Morte e o Apedrejamento, a médica Mina Ahadi, ativista de direitos humanos que vive na Alemanha desde o início dos anos 90, resume numa frase os motivos para as dúvidas do advogado:

- As mulheres no Irã não têm o direito de pedir divórcio.

Kian assumiu a defesa depois que Mohammad Mostafael, o primeiro advogado da ré, fugiu para Europa, dizendo ter sido intimidado por representantes da Justiça.

No encontro deste sábado, porém, o clima foi cordial, segundo Kian. Ele disse que pela primeira vez não ouviu acusações nem ofensas contra a sua cliente.

O advogado afirma que a confissão de adultério e participação no assassinato do marido feita por Sakineh na última quarta-feira foi obtida sob tortura.

Sexta-feira à tarde, Saijad, de 22 anos; e Saide, de 17 anos, filhos de Sakineh, tiveram mais uma vez a permissão para visitar a mãe.

Depois, o jovem telefonou para Mina Ahadi e contou que a mãe está sob forte pressão e mal conseguia falar.

- Como antes, a pena pode ser cumprida dentro de uma semana - advertiu Mina.

Para ela, as declarações do embaixador do Irã em Brasília, negando que o governo brasileiro tenha oferecido asilo político para a iraniana, comprovam a arbitrariedade do regime islâmico do seu país. Nesta sexta-feira, o embaixador do Brasil em Teerã desmentiu o colega iraniano.

O governo brasileiro agora sabe com quem negociou em Teerã, com um governo que mente sobre qualquer coisa, que manda apedrejar e executar inocentes, que faz o que quer sem levar em consideração o que disse antes - acusou.

Fonte: http://www.noblat.com.br/

26 de julho de 2010

TRABALHO ESCRAVO EM JARAGUÁ DO SUL?

Fiquei estarrecido com reportagem sobre o trabalho escravo no Brasil, veiculada na Revista Caros Amigos deste mês. No meio da matéria, constam nomes de empresas catarinenses e até de Jaraguá do Sul, que teriam sido autuadas pelo Ministério do Trabalho, por utilização de mão-de-obra análoga a de escravo.

Essas mesmas empresas, segundo o que narra a reportagem, seriam contrárias ao chamado "pacto de civilidade", que visa eliminar a utilização de mão-de-obra dessa natureza.

Pesquisando a chamada "lista suja" dos supostos maus empregadores (disponível na internet), aparecem outras empresas de nossa região e de Jaraguá do Sul.

Será que tais informações são fidedignas? Com a qualidade de vida e a disputa por empregados em nossa região, como pode alguém se sujeitar à condição análoga a de escravo? Se o emprego não for bom, basta trocar, pois postos de trabalho não têm faltado em nossa cidade e toda a região.

6 de julho de 2010

JUÍZA DE PIÇARRAS (SC) CONCEDE ADOÇÃO DE CRIANÇA A CASAL HOMOSSEXUAL

A juíza Joana Ribeiro Zimmer, que atua na comarca de Piçarras (SC), deferiu o pedido de adoção de menor por um casal homossexual. A criança estava sob a guarda do casal desde os primeiros dias de vida, em razão do parentesco de uma das companheiras com a criança. Os pais biológicos confirmaram a intenção de entregá-la à adoção, mesmo cientes do relacionamento homoafetivo das adotantes.

Na sentença, a magistrada enfatizou que "a criança está recebendo toda a assistência e atenção, pelo que apresenta desenvolvimento sadio e seguro".

O julgado lembra que apesar da situação ser atípica, o STJ teve entendimento inédito, no sentido de ser possível a adoção de criança por casal de homossexuais. “Desta forma, entendo que, apesar de não estar expressamente prevista em lei a possibilidade de adoção por um casal de homossexuais, não há como negar que não há proibição”, concluiu a sentença.
 
Fonte: http://www.espacovital.com.br/

30 de maio de 2010

CRISE MUNDIAL? PRA QUEM?

O ano de 2009 será lembrado por milhões de pessoas comuns como o ano em que perderam o seu emprego, sua casa, ou a perspectiva de uma educação. Para alguns poucos no topo da pirâmide, no entanto, foi uma mina de ouro.

Bilionários mundiais viram sua riqueza crescer 50% no ano passado, e suas fileiras incharem para 1.011 em comparação a 793, segundo a última lista de bilionários da Forbes.

O patrimônio líquido combinado dessas 1.011 pessoas aumentou para US$3,6 trilhões, 1,2 trilhões de dólares a mais do que em 2008. Em média, cada bilionário teve sua riqueza aumentada em US$ 500 milhões.

Quatrocentos e três bilionários residem nos Estados Unidos. Eles constituem apenas 0,00014% da população total do país, mas controlam 8% da riqueza nacional. Cada um destes indivíduos tem 300 milhões de vezes mais riqueza do que a média dos habitantes dos EUA.

Os ricos da Índia e da China estiveram entre os que mais ganharam. "Pela primeira vez, a China continental tem o maior número de bilionários fora dos EUA", Forbes disse na sua declaração. Os cidadãos dos EUA ainda dominam os rankings, mas o troféu já começa a escorregar."

O Wall Street Journal, comentando os números, escreveu: "Como os ricos mundiais ficam mais ricos? Os mercados de ações… Em suma, o que o mercado de ações tirou, o mercado de ações devolveu - pelo menos para os bilionários".

O rápido aumento na riqueza dos multimilionários é o resultado do empobrecimento de dezenas de milhões de outras pessoas; Ele é a outra face do desemprego em massa, pobreza, cortes nos serviços públicos, e execuções hipotecárias.

Além da ajuda direta do governo aos bancos e super-ricos, o principal motor da recuperação dos lucros das empresas e, assim, do mercado de ações, foi o crescimento da produtividade e a redução do tamanho das empresas.

Em 2009, a taxa de desemprego aumentou de 7,7% para 10%, três milhões de empregos foram perdidos, e os salários caíram drasticamente. Milhões de famílias perderam suas casas e ficaram desalojadas. Mas a produtividade, a quantidade de produtos que é produzida a partir de cada hora de trabalho, teve um aumento de 7%.

O dinheiro liberado através da destruição dos programas sociais, do aumento de produção dos funcionários, e das reestruturações de empresas encontrou seu caminho para os bolsos das pessoas na lista da Forbes.

Qual é a justiça nisso? Essa é a perfeição do sistema de livre mercado?

O Ser Humano foi reposicionado. Agora é valor subsidiário, dispensável, descartável.

22 de maio de 2010

ARMA DE INSTRUÇÃO EM MASSA?
















Se ainda há um lugar inusitado para se colocar livros, esse argentino descobriu um. Sobre um modelo Ford Falcon 1979 das forças armadas, Raul Lemesoff montou o que se pode chamar de "arma de instrução em massa".

Equipado com 900 livros, o armamento viaja pelas ruas de Buenos Aires distribuindo as edições gratuitamente.

11 de janeiro de 2010

PRESO NÃO É GENTE (POR RAPHAEL ROCHA LOPES)

Pelo menos parece ser esse o pensamento do Governo do Estado.É sabido, há muito tempo, que o presídio regional de Jaraguá do Sul está superlotado e sem condições físicas de suportar o número de detentos que lá estão. Em uma contagem no dia de ontem (e esse número varia diariamente) havia 324 presos para um prédio construído inicialmente para 76.

Não fosse o Conselho Penitenciário da cidade, com seus esforços hercúleos para tentar administrar esse rabo de foguete, o problema seria ainda maior. Recentemente, através do trabalho conjunto da ACIJS, OAB, AEJAS, e outras entidades, capiteneadas pelo Conselho, foi entregue uma ala com 100 vagas para mulheres.

O ápice do problema, contudo, já vinha sendo previstos há meses: rebeliões e tentativas de fugas. Em 13 anos a primeira rebelião aconteceu nessa última virada de ano.

E essa semana foi descoberto um túnel já em adiantado estado de "construção" para tentativa de fuga.Há, nesse presídio, mais de 200 condenados que não deveriam estar ali, e, sim, em penitenciárias. O Estado não se mexe, e quando é cobrado responde singelamente: "Não há vagas em nenhum lugar. Está tudo lotado ou superlotado". Ou seja: nada.

Por isso tem-se essa impressão que preso não é gente, pelo menos para o Estado.Esquecem-se, todos, que prisão não é amontado de lixo. Esquecem-se, todos, que um dia esses presos sairão de suas celas para a sociedade, e que se não os prepararmos, voltarão à criminalidade em índices muitos maiores do que se fosse feito um trabalho de reeducação e preparação para o trabalho. Mas com uma superlotação dessas, por maiores que sejam os esforços dos conselhos comunitários, torna-se uma tarefa praticamente impossível.

(Fonte: http://www.bacafa.blogspot.com/)

Sempre digo que Presídio e Penitencária não rendem votos, por isso não são prioridade. Mas põe o filho de "alguém" lá dentro para ver se as obras não começam no dia seguinte...

2 de junho de 2009

A QUEM PERTENCE A TERRA? (LEONARDO BOFF)

No Brasil se discute muito a questão da internacionalização da Amazônia ou a quem pertence essa rica porção do planeta Terra. Sem querer entrar nesta discussão que um dia retomarei, percebo que ela remete a outra ainda mais fundamental: a quem pertence a Terra?

Muitas são as respostas possíveis, algumas verdadeiras, outras insuficientes ou até falsas. Com certa naturalidade poderíamos responder: a Terra pertence aos humanos. Apelamos até à palavra das Escrituras que nos dizem: "entrego-vos tudo… propagai-vos pela Terra e dominai-a" (Gn 9,3.7).

Estranhamente, os humanos irromperam no cenário da evolução quando a Terra estava em 99,98% pronta. Eles não assistiram ao seu nascimento nem ela precisou deles para organizar sua complexidade e biodiversidade. Como pode lhes pertencer? Só a ignorância unida à arrogância os faz pretender a posse da Terra. Poderíamos ainda responder: a Terra pertence aos seres mais numerosos que a habitam.

Então ela pertenceria aos microorganismos - bactérias, fungos, vírus - pois constituem 95% de todos os seres vivos. Segundo o conceituado biólogo E. Wilson um grama de terra contem cerca de 10 bilhões de bactérias de 6 mil espécies diferentes. Imaginemos os quintilhões de quintilhões de micro-organismos que habitam a totalidade dos solos terrestres. Todos estes têm mais direito de posse da Terra do que nós, seja por sua ancestralidade, seja pelo número seja pela função de garantir a vitalidade do planeta. Ou ela pertence à totalidade dos ecossistemas que servem à comunidade de vida, regulando os climas e a composição físico-química do planeta.

Esta resposta é boa mas insuficiente porque esquece as relações que a Terra entretém com as energias e os elementos do universo. Assim, a Terra pertence ao sistema solar que, por sua vez, pertence à nossa galáxia, a Via Láctea que, por fim, pertence ao cosmos. Ela é um momento de um processo evolucionário de 13,7 bilhões de anos,

Mas esta resposta não nos satisfaz pois ela remete a uma pergunta ulterior: e o cosmos a quem pertence? Pertence àquela Energia de fundo, ao Vácuo Quântico, ao Abismo alimentador de todos os seres, à Fonte originária de tudo. Esta é a resposta que os astrofísicos e cosmólogos costumam dar. E é correta. Mas não é ainda a última.

Cabe uma derradeira pergunta: a quem pertence a Energia de fundo do universo? Alguém poderia simplesmente responder: ela não pertence a ninguém, pois pertence a si mesma. Esta resposta é simplesmente uma não-resposta porque nos coloca diante de um muro. Ela nos remete à teologia, a Deus.

Mudando de registro e caindo na nossa realidade cotidiana e brutal dos negócios: a quem pertence a Terra? Ela, na verdade, pertence aos que detém poder, aos que controlam os mercados, aos que vendem e compram seu chão, seus bens e serviços, água, genes, sementes, órgãos humanos, pessoas feitas também mercadorias. Estes pretendem ser os donos da Terra e dispõem dela como bem entendem.

Mas são donos ridículos pois esquecem que não são donos deles mesmos, nem de sua origem nem de sua morte. A quem pertence a Terra? Fico com a resposta mais sensata e satisfatória das religiões, bem representadas pela judaico-cristã. Nesta Deus diz: "Minha é a Terra e tudo o que ela contém e vocês são meus hóspedes e inquilinos" (Lv 25,23). Só Deus é senhor da Terra e não passou escritura de posse a ninguém. Nós somos hóspedes temporários e simples cuidadores com a missão de torná-la o que um dia foi: o Jardim do Éden.