27 de outubro de 2011

EPITÁFIOS

Na última sexta-feira, ao caminhar pelos meandros de um cemitério (do grego koimeterion, lugar para dormir) notei como os epitáfios são repetitivos. Há o lugar comum do “descanse em paz” (rest in peace) ou ainda, a simplicidade do “aqui jaz João da Silva, marido bondoso e pai exemplar.” Parece que a criatividade morreu junto com os corpos que lá estão.

Particularmente deixo claro que não quero nenhum epitáfio. Aliás, não quero nem mesmo uma sepultura. Desejo que os restos se desfaçam, que voltem ao pó de onde vieram, que deem continuidade ao eterno ciclo. Quem sabe amanhã ou depois, meus átomos estarão nos pêlos de um macaco, em uma pétala de flor ou no rugoso tronco de uma árvore. Já dizia Lavoisier, que nada se faz, nada se cria, tudo se transforma.

Falando em criatividade, cabe perguntar para que serve uma sepultura além do interesse sanitário? É ela a morada do morto? Claro que não. A sepultura não existe para o falecido. Existe apenas para os vivos que sentem saudade e precisam encontrar um local material de encontro com aquele que se foi. Quem visita um túmulo, pensa por vezes que está visitando o morto, como se lá fosse, efetivamente, a sua eterna morada.

No entanto, para aqueles que estão vivos e desejam pompa em sua última morada, recomendo melhor conteúdo nos epitáfios.

Quem sabe um exemplo de sinceridade por parte da família de um cafajeste, que poderia ser mais ou menos assim vazado:

Querido Jorge,
Falta não farás,
Abrace bem forte,
Seu amigo Satanás!

Sim, porque ninguém se converte em boa pessoa pelo simples fato de morrer. Quem foi perverso, desonesto e ególatra durante toda a vida, não se tornará anjo porque feneceu.

Para uma pessoa pouco reconhecida em vida por seu devotamento, o epitáfio poderia ser uma mensagem tal como a deixada por Fernando Pessoa em Eros Universo:

Amei-te por te amar
Só a ti eu não via...
Eras o céu e o mar,
Eras a noite e o dia...
Só quando te perdi
É que eu te conheci...

Quem prefere deixar como epitáfio um lamento pela brevidade da vida, pode espelhar-se na estética das linhas desenhadas por Mário Quintana:

Eu estava dormindo e me acordaram
E me encontrei, assim, num mundo estranho e louco...
E quando eu começava a compreendê-lo
Um pouco,
Já eram horas de dormir de novo!

Já imaginou se em cada sepultura no cemitério houvesse uma mensagem diferente sobre a vida, sobre a humanidade ou sobre as relações humanas? O cemitério poderia ser mais do que apenas um dormitório dos mortos ou um depósito de corpos. Poderia ser um grande livro aberto no tempo, um centro cultural de reflexão humanística, uma forma de aprender o que realmente vale a pena fazer ou viver antes do fim.

20 de outubro de 2011

NÃO COMPRE ANIMAIS, ADOTE!





















Entre em contato: www.ajapra.org.br

CONFIANÇA

Do latim confidentia, confiar significa dar fé, acreditar, crer em algo ou em alguém. É, portanto, um sentimento íntimo que pode ser conquistado através da experiência ou transmitido por vínculos familiares, de educação ou de tradição.

Todavia, diante da realidade mutante, líquida, urgente e descartável que nos cerca, aquilo que vale hoje, parece não fazer sentido no dia seguinte. Palavra de honra, juramento e promessa soam antiquados diante de uma massa treinada para buscar a vantagem apesar de tudo e de todos.

Nem as instituições mais tradicionais escapam, pois em última análise também são feitas dessa mesma geração que se esconde atrás do nome de empresas e de cargos públicos, para praticar o que jamais teria coragem de fazer em nome próprio.

Pare por um minuto e pense: você confia que o Estado está cumprindo a missão de amparar as pessoas, assegurando-lhe o direito a vida digna, saúde e segurança? Você confia que os candidatos a cargos públicos desejam, em primeiro lugar, a construção de um mundo melhor? Você confia que as igrejas sejam formadas por pessoas interessadas apenas em religar (religare, religião) o homem a Deus? Você confia na isenção de opinião da grande imprensa? Você confia nas boas intenções das corporações transnacionais do ramo farmacêutico? Você confia que o livre mercado é o modo adequado e suficiente para um mundo melhor? Você confia que o alimento industrializado disponibilizado ao consumo é o melhor e mais seguro? Você confia?

A maioria, e perceba que é ela quem manda em um regime democrático, não pára sequer para refletir se confia ou não, se é verdade ou mentira, apenas segue bovinamente pelo pasto que lhe é destinado.

William Shakespeare (ou aquele que escrevia seus textos), profetizou com a costumeira genialidade atemporal em Rei Lear: “eis o tempo da praga, em que os loucos guiam os cegos.”

Isso me faz lembrar também da Síndrome de Anton, na qual o paciente, vítima de cegueira cortical, nega estar cego. O paciente tem a convicção de que consegue ver, porque presencia uma série de alucinações que o fazem ter a impressão de estar diante de um mundo que, na realidade, não existe.

Infelizmente essa é a constatação do tempo presente. Vivemos em meio a uma legião gigantesca de cegos que confiam naquilo que veem e nas palavras que lhes são ditas pelo Estado, pela Igreja, pela grande mídia e pelas corporações transnacionais, as quais estabelecem, com fundamento no melhor modo de auferir lucro, o modus vivendi da humanidade.

Ah, se todo mundo duvidasse! Se os planos de governos fossem analisados, questionados e fiscalizados pelos eleitores, se as notícias veiculadas pela grande mídia fossem recebidas de forma crítica, se os corruptores e corruptos fossem penalizados à altura do mal que causam à sociedade, se o Estado tomasse as rédeas do mercado para restringir os ganhos do capital especulativo e ficto, se houvesse fiscalização e punição das grandes corporações que agem como sociopatas sem rosto, destruindo recursos naturais, escravizando pessoas e eliminando os pequenos concorrentes.

E você, caro leitor, não precisa confiar em nada do que está lendo. Afinal, é mais saudável questionar, duvidar e refletir, do que receber passivamente verdades prontas e acabadas.

18 de outubro de 2011

DEMOCRACIA EM FRANGALHOS

É interessante notar a polícia norte-americana fazendo mais de 800 (oitocentas) detenções de manifestantes pacíficos em Wall Street. Quando o povo se levanta contra a opressão  do capital, o Estado manipulado pelas grandes corporações e bancos, revê a garantia constitucional da Liberdade de Pensamento, os Direitos Humanos e a própria noção de Democracia.

Logo ele, grande Estado Norte-Americano, autoproclamado "defensor" internacional da liberdade, que se arroga no direito de intervir na soberania de outros países, parece agora pretender cercear a liberdade do seu próprio povo insatisfeito.

Uma democracia se mede, também, pelo respeito a opiniões divergentes e à liberdade de manifestação do povo, justamente em momentos de crise.

APESAR DAS PEDRAS


Apesar das pedras, flores,
Apesar do frio, flores,
Apesar da morte, flores.

Flores, apesar de mim.
Flores, apesar do fim.

14 de outubro de 2011

MINISTÉRIO PÚBLICO DE SC CRIA GRUPO DE DEFESA DO DIREITO DOS ANIMAIS

O Grupo de Atuação Especial em Defesa dos Direitos Animais (GEDDA) contribuirá com suporte técnico e jurídico à atuação das Promotorias de Justiça de Defesa do Meio Ambiente e também trabalhará junto às entidades que atuam no setor, ajudando na definição e no planejamento de estratégias ligadas ao tema. O objetivo da criação do grupo é intensificar as ações em defesa dos animais domésticos, silvestres, exóticos e da própria saúde pública.

O GEDDA pretende também estimular o desenvolvimento de um trabalho de educação ambiental que conscientize e oriente não só a população, mas autoridades em geral sobre o direito dos animais em âmbito administrativo, civil e criminal, atuando no aperfeiçoamento, estímulo e garantia de execução das políticas públicas voltadas ao direito dos animais.

A instituição do GEDDA será ainda um instrumento importante para o combate ao tráfico e ao comércio ilegal de espécies da fauna de Santa Catarina, muitas delas ameaçadas de extinção, contribuindo para a preservação da riqueza biológica e natural do Estado.

O GEDDA será presidido pelo Coordenador do Centro de Apoio Operacional do Maio Ambiente do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC). Ele será composto por cinco membros do Ministério Público e contará com a participação de até cinco entidades públicas e privadas que tenham como objetivo a proteção ao meio ambiente e aos animais, designados pelo Procurador-Geral de Justiça.

POEMA SEM TÍTULO (FERNANDO PESSOA)

Quando era criança,
Viví, sem saber,
Só para hoje ter
Aquela lembrança.

É hoje que sinto
Aquilo que fui.

Minha vida flui,
Feita do que minto.

Mas nessa prisão
Livro único, leio
O sorriso alheio
De que fui então.

13 de outubro de 2011

EPITALÂMIO

Essa estranha palavra de raro uso nos dias atuais, deriva do latim epithalamium e designa um poema ou canto nupcial. Há muito que os epitalâmios deixaram de ser feitos, talvez porque o amor declarado seja atualmente considerado pela maioria, como uma cafonice.

Porém, como se aproxima a data em que formalizarei uma relação que já dura felizes dez anos, ouso dizer algumas palavras a respeito do sentimento de amor que une duas pessoas com visões diferentes e ideias diferentes.

Rubem Alves foi muito feliz ao utilizar a metáfora da gaiola para tratar do casamento. Dizia ele que quando vemos um pássaro muito bonito que nos encanta, temos o desejo de engaiolá-lo, imaginando que dessa forma conseguiremos que ele jamais fuja da nossa presença.

É realmente dessa forma que muitos encaram o casamento, ou seja, como uma forma de prender um marido ou manter exclusividade forçada na relação com uma mulher. Lamentável erro gerador de frustração e infelicidade.

O casamento não deve ser uma gaiola, porque o amor não é uma prisão. Pelo contrário, o amor é um céu azul, imenso e brilhante, disponível para que os pássaros voem felizes por todo o tempo que puderem.

Penso a minha relação dessa forma. Não desejo uma gaiola, não quero correntes ou prisões. Prefiro um plano de voo sério e sincero. Uma rota a ser cumprida a dois, com trechos certamente nebulosos e chuvosos, mas sempre com a lembrança de que acima das nuvens e das chuvas continua o céu azul, claro e brilhante.

Quando dois voam juntos é preciso cumplicidade e paciência, é preciso que um espere o outro nos momentos de cansaço, é necessário parar para tratar de feridas, mas sempre lembrando que voar é preciso e que o céu azul é o verdadeiro lar dos pássaros.

Portanto, tendo sido aceito o meu convite de voo conjunto, agora resta tentar cumprir o plano, superar os imprevistos de viagem, auxiliar os demais pássaros que encontrarmos na rota, mantendo-nos no céu azul enquanto nos for permitido, afinal o que interessa não é o destino, mas a viagem.

6 de outubro de 2011

SADISMO

Imagine ter o seu nome associado à maldade, ao que é destrutivo e negativo. Imagine que essa associação perdure séculos e mais séculos após a sua morte. Imagine que grande parte das pessoas utiliza o seu nome para designar as maiores iniquidades e as piores atrocidades cometidas pelos seres humanos.

Pois bem, foi justamente isso o que aconteceu com o francês Donatien Alphonse-François de Sade, vulgarmente conhecido como o Marquês de Sade, nascido em 1740, período conhecido na Europa como o Século das Luzes. 

O tom pejorativo é grave quando se fala em sadismo, sadomasoquismo e outras associações ao nome do Marquês que, calha dizer, não foi acusado durante toda a sua vida, de ter praticado um ato sequer de violência contra alguém. Mas o que então poderia ter feito um homem para merecer condenação tão desonrosa, que se prolonga por séculos após a sua morte?

É fora de dúvida que os textos do Marquês são dominados pela temática sexual escatológica, sem limites morais ou pudores. Não é o caso de promover aqui uma defesa do teor de seus escritos fantasiosos, por vezes, de aparência doentia. Todavia, é importante verificar o que causou a sua condenação histórica como um “ser das trevas” de sua época.

Nesse sentido, penso que o verdadeiro motivo ensejador de sua execração perpétua, foram os repetitivos e ferozes ataques à Igreja Católica e ao Estado de forma geral, o que constituía crime na época e acabou por levá-lo à prisão.

No entanto, basta conhecer um pouco do seu pensamento para perceber que, apesar do ateísmo nervoso e até imaturo, bem como da violação de qualquer padrão de sexualidade, há um belo legado de pensamento humanístico pelo qual ele mereceria ser lembrado.

Nesse sentido, por exemplo, a passagem do Diálogo entre um Padre e um Moribundo, na qual ele afirma que “tão somente a razão nos deve advertir que prejudicar nossos semelhantes jamais nos tornará felizes, que contribuir para a felicidade deles é a melhor coisa que a natureza nos pode conceder na Terra. Toda a moral humana encerra-se nestas palavras: tornar os outros tão felizes quanto desejamos sê-los nós mesmos, e jamais lhes fazer mais mal do que gostaríamos de receber.”

Quem poderia imaginar que o ser humano que deu nome ao “sadismo” combate repetidamente a aplicação da pena de morte? A esse respeito, o Marquês assim se pronuncia em sua Filosofia da Alcova: “percebe-se a necessidade de se fazer leis suaves, e sobretudo, de aniquilar para sempre a atrocidade da pena de morte, porque a lei que atenta contra a vida de um homem é impraticável, injusta, inadmissível.” 

Na obra 120 dias de Sodoma, teceu séria crítica aos homens públicos quando sustentou que "as grandes guerras que impuseram tão pesado fardo a Luís XIV esgotaram tanto os recursos do tesouro quanto do povo. Mas mostraram também a um bando de parasitas o caminho da prosperidade. Tais homens estão sempre a espreita de calamidades públicas, que não se preocupam em aliviar, antes procurando criá-las e alimentá-las a fim de que possam tirar proveito dos infortúnios alheios."

Portanto, apesar de seus muitos erros e excessos, é inegável que o Marquês foi mais do que um mero escritor de textos eróticos do século XVIII. Como visto acima, trata-se de um homem dotado de postura filosófica, ou seja, alguém capaz de questionar a moral de sua época, o casamento, as leis vigentes, o Estado, a poderosa Igreja Católica e todas as instituições sociais.

Justamente por essas razões, é que lamento a associação do Marquês de Sade a questões pejorativas e depreciativas do ser humano, tais como a maldade e a atrocidade de forma geral. Nos momentos em que a violência aparece nos seus textos é em forma de fantasia (insana é bem verdade) e não como ensinamento ou pregação de um modo de agir. O que se faz com o Marquês é, nada menos, do que um grande sadismo.

3 de outubro de 2011

LEVIATINHO

Thomas Hobbes e muitos outros autores fizeram alusão ao Estado como sendo um gigante que conseguia controlar e dar proteção às pessoas. Era o Leviatã.

Com essa crescente tendência de Estado Mínimo, não-intervenção, privatizações, diminuição de atribuições e de interferências, daqui a pouco vão passar a chamá-lo de Leviatinho.

29 de setembro de 2011

O TEMPO DE VIDA

No cotidiano é comum ouvir alguém dizendo que o tempo passa muito rápido, seja comentando em linguagem figurada que: “a semana passou voando”, que “não viu o mês passar” ou, que “o tempo escorre feito areia, por entre os dedos das mãos.”

Há até quem diga que perdeu décadas de sua vida e que não consegue encontrá-las. Este se sente roubado no que tem de mais precioso, o tempo de vida.

Nesse tipo de comentário, consta, implicitamente, uma reclamação humana acerca da brevidade da vida, da falta de tempo para realizar, para viver, sentir.

Não é de hoje que o homem manifesta a sua falta de intimidade com o tempo e a sua irresignação com a finitude da vida. Aliás, esse é o grande problema existencial que provocou o surgimento da filosofia e da religião

Santo Agostinho legou um raciocínio interessante: “O que é o tempo? Se ninguém me perguntar eu sei, se me perguntarem, ignoro.”
Concordo com ele. O fenômeno temporal é daqueles que se pode perceber, mas dificilmente consegue-se uma explicação concreta. Da mesma forma, a noção da inexistência é algo que assombra o ser humano.
Afinal, como pode um ser finito, que percebe a sua existência em um determinado ambiente, compreender a noção de eternidade, de infinitude ou, ainda, o oposto absoluto, isto é, a noção da absoluta inexistência (o nada ou o não-ser)?
Quando não se consegue uma explicação abstrata, o raciocínio humano recorre, naturalmente, à metáfora. E qual a metáfora mais utilizada filosoficamente para explicar o tempo? Sem dúvida, o fluxo das águas de um rio.
Heráclito dizia que ninguém entra no mesmo rio duas vezes. Isto significa que, no decurso do tempo, as águas do rio sempre serão outras, assim como que, nós mesmos, também estamos em fluxo de constante mudança e não seremos os mesmos, ao procurarmos novamente o rio para um mergulho.
Assim, temos um tempo presente que se esvai no mesmo momento em que é recebido do futuro, ou seja, um presente que inexorável e continuamente torna-se passado. Enquanto escrevo estas linhas, a cada letra digitada, dou um passo para o futuro, convertendo a instantaneidade do presente em passado.
Esse caráter instantâneo do presente faz com que a consciência tenha a impressão de não ter vivido suficientemente, de que a vida passa muito rápido, de que somos feitos apenas de memórias.
Platão ensinou lindamente que o tempo é a imagem móvel da eternidade. Porém, prefiro ver o tempo como uma oportunidade de transformação constante da imagem caleidoscópica do eterno.

Nesse sentido, lembro do poeta Cazuza, que criticou acidamente a caretice e o preconceito recorrendo ao fluxo do tempo, quando cantou: “a tua piscina está cheia de ratos, tuas ideias não correspondem aos fatos, o tempo não pára!”
Ora, se não podemos, agora, afrontar o tempo, resta aproveitá-lo como uma ferramenta de transformação da imagem de eternidade referida por Platão, pintando-a com as belas cores dos melhores sentimentos que a existência humana pode proporcionar.
O mais é passado, e nele permanecerá eternamente sepultado pelas pesadas areias do esquecimento.

21 de setembro de 2011

AGRADECIMENTO DA AJAPRA

No último dia 17 de setembro, a Associação Jaraguaense Protetora dos Animais – AJAPRA, realizou um pedágio em prol da causa animal, coletando contribuições espontâneas em quatro pontos do município. 

O evento obteve ótima receptividade e, agora, cabe o agradecimento público a todos aqueles que, anônima e desinteressadamente, dispuseram de uma manhã do seu final de semana para trabalhar gratuitamente em prol de tão meritória causa.

 O agradecimento deve também ser feito aos apoiadores que forneceram gratuitamente a mídia para divulgação do evento, inclusive faixas, publicações em jornais, blogs e inserções de rádio, assim como as clínicas veterinárias conveniadas e demais colaboradores.

Vale também deixar consignado o especial agradecimento à população de Jaraguá do Sul que, podendo, prestou auxílio financeiro no pedágio, assim como aqueles que mensalmente contribuem para a manutenção das atividades, uma vez que as doações espontâneas privadas constituem a única fonte de recursos para a manutenção das atividades desenvolvidas pela Associação.

Graças a esse auxílio, a AJAPRA está conseguindo saldar os últimos débitos contraídos em razão da catástrofe climática que acometeu Jaraguá do Sul no início deste ano, causando uma séria de danos, desalojando e até causando a morte de alguns dos animais que estavam em um lar provisório aguardando adoção.

Apesar das dificuldades e restrições de cunho financeiro, o trabalho não cessa. Nos primeiros nove meses deste ano, a AJAPRA pôde auxiliar centenas de animais vítimas de crueldade, abandono e acidentes, dando o devido tratamento e encaminhamento para adoção. 

Além disso, foram realizadas duas feiras públicas de adoção, diversas palestras educativas, denúncias de maus-tratos perante os órgãos competentes, visitas de orientação e auxílio a pessoas carentes, dentre outras atividades de interesse público.

Aos poucos o homem desperta. Muitos são aqueles que já consegue compreender que os animais também sentem fome, sede, frio, dor e solidão.

Aliás, Abraham Lincoln foi muito feliz quando sustentou: “Eu sou a favor dos direitos animais, bem como dos direitos humanos. Essa é a proposta de um ser humano integral.”

Associação Jaraguaense Protetora dos Animais – AJAPRA

15 de setembro de 2011

HIPERMODERNISMO, CORRUPÇÃO E EDUCAÇÃO

Cerca de trinta anos após o surgimento do fenômeno denominado de “globalização”, verifica-se que para globalizar os mercados consumidores, a grande mídia trabalhou com muita competência e eficácia na padronização da cultura, no modo de comunicação, nos critérios de análise econômica, nos padrões de relações exteriores entre os países, bem como na estratégia do fluxo de tecnologia. 

Através deste caminho, os objetos de desejo e de consumo já são quase os mesmos na Europa e na América do Sul, por exemplo. Graças a essa inteligente estratégia, o deus mercado consegue ser onipotente e onisciente em relação às suas fieis ovelhas consumidoras.

Não é por acaso que as grandes marcas conseguem agradar públicos de continentes diferentes vendendo os mesmos sabores, aromas, tecidos, modelos e através de forma semelhante de comunicação midiática.

Hoje não é mais suficiente produzir uma mercadoria. É necessário impregná-la de sentido, de valores culturais que atraiam o público consumidor. É norma que o produto carregue uma potencial identificação com aquele o consome.

Atuando dessa forma, o ente produtor consegue obter como resultado o consumo irrefreável, descontrolado, desorientado e compulsivo. É dessa forma que uma marca consegue fazer consumidores ficarem aguardando horas em filas quilométricas, no frio intenso ou no calor, apenas para consumar o ato de consumir.

O problema fica por conta da desorientação, da falta de parâmetros de quem age de forma bovina, deixando-se levar pela ditadura da cultura do deus mercado que, por sua própria natureza é egocêntrica.

O narcisismo e o egocentrismo estão sendo levados pela cultura massificada a um ponto nunca antes atingido na história. Não há mais a preocupação com os valores da coletividade, mas sim a estrita satisfação dos desejos pessoais e mais imediatos.

Isto se reflete também no campo das funções públicas que estão sendo exercidas, via de regra, apenas para benefício do próprio titular e não do bem comum. Prevalece hoje a regra de que o sucesso é ter dinheiro para estar mais próximo do deus mercado. Quem não tem é marginal, ou seja, está à margem do mercado e, portanto, da sociedade de consumo.

É a partir disso que se veem escândalos envolvendo desvios de dinheiro público que deveria ser utilizado no fornecimento de merenda escolar de qualidade, compra de medicamentos para hospitais públicos, construção de escolas e creches, dentre outras formas execráveis de ataque à coisa pública.

A moralidade do hipermodernismo não condena com a veemência que deveria, o sanguessuga do dinheiro público, o verme que aufere salários sem trabalhar na função pública, o administrador desonesto que promove todo o tipo de acordos, os vereadores e deputados que permutam os seus votos por vantagens pessoais, dentre outras condutas estúpidas que corriqueiramente são vistas.

No setor privado não é diferente, pois há o empresário corruptor do político, o cidadão que tenta corromper o policial, o professor que finge lecionar para ganhar salário, o empregado que pede vantagens aos fornecedores para elegê-los nas compras, dentre outras hipóteses.

A verdade é que com a derrocada dos valores morais, nossa sociedade está corrompida de forma geral, precisando de ajustes emergenciais que só virão através de uma educação de qualidade voltada à formação humanística de seres que possam atuar com desenvoltura e critério na complexa hipermodernidade.

14 de setembro de 2011

CONDENADO HOMEM QUE MATOU CÃO A PAULADAS

Um homem foi condenado no Rio Grande do Sul por atacar a pauladas até a morte uma cadela da raça pit bull que não impediu o furto a sua casa. A decisão é da Turma Recursal Criminal do Tribunal de Justiça do estado, que manteve decisão do Juizado Especial Criminal de Pelotas, onde o crime ocorreu em julho de 2008. A pena estipulada pelo crime é de 5 meses e 10 dias de detenção, mais multa.

O caso começou a ser investigado após a Polícia Militar ter sido chamada no dia dos fatos por vizinhos. Ao chegar a casa do homem, um policial encontrou a cadela da raça pit bull morta, com a cabeça esfacelada e machucada.

O dono do animal informou ao PM que tinha sido vítima de um furto na sua casa e ficou com raiva do cão, que não impediu o arrombamento.

O dono teria dito que, “já que não prestava para cuidar da casa”, segundo a versão que teria sido apresentada no processo, ele matou o animal a pauladas com uma barra de ferro.

Denunciado pelo Ministério Público, o proprietário do cão não compareceu à Justiça e foi condenado à revelia, segundo o TJ. A defesa apelou, alegando insuficiência de provas, pois a condenação teria se baseado tão-somente na palavra do policial que atendeu à ocorrência e que não havia presenciado o crime.

A juíza relatora do recurso considerou que as provas eram suficientes para condenar o dono do animal. Apontou que o crime está demonstrado por boletim de ocorrência e que o policial militar apresentou relato seguro e consistente sobre o fato. Além disso, no dia do crime, o proprietário do cão teria confessado à morte ao delegado que registrou a ocorrência.

Os juízes da Turma Recursal Criminal apoiaram o voto da relatora e a condenação pelo assassinato do cachorro foi matida pela Justiça, informou o TJ-RS.

12 de setembro de 2011

MANIFESTO DO DCE DA CATÓLICA/SC CONTRA A CORRUPÇÃO

O dia 10 de setembro de 2011 vai ficar marcado na história de Jaraguá do Sul, pois aconteceu o primeiro manifesto de repúdio e combate à corrupção em todas as esferas, Municipal, Estadual e Federal. Tivemos a participação de professores, aposentados, pessoas anônimas que passavam no local da manifestação e nos apoiavam com salva de palmas, alunos da Católica de Santa Catarina/Câmpus Jaraguá do Sul, bem como a participação e o apoio do Diretório Central dos Estudantes - DCE da Católica. A população que estava na manifestação clamava por uma política voltada para a sociedade, livre de conchavos, livre de corrupção, livre de interesses pessoais, pedia por transporte público de qualidade, mais escolas, mais qualidade na saúde, mais educação, menos impostos, clamava pela proibição da prática do nepotismo, pedia para que a população não trocasse seu voto por cesta básica, pois, se você vende seu voto, sua cidade paga, e na maioria das vezes, paga muito caro, enfim, vários foram os discursos. O que podemos pinçar de tudo isso é que a juventude está acordando, não somente a juventude, e sim a sociedade como um todo. Precisamos analisar em quem votar, e se chegarmos à conclusão de que do jeito que está, está ruim, devemos fazer a faxina em 2012, tanto no executivo, como no legislativo. A população tem de sair às ruas, pintar a cara como fizemos no dia 10, e lutar por uma política séria, uma política limpa, sem raposas velhas que ficam sugando os recursos da máquina pública para os seus próprios interesses. Acorda Jaraguá, acorda Santa Catarina, acorda Brasil. São os caras pintadas voltando às ruas novamente. Essa foi a primeira manifestação, porém não será a única, estamos apenas iniciando uma luta, luta essa contra a corrupção, a qual contamos com a sua ajuda para vencermos. Participe você também da segunda edição da manifestação de combate à corrupção, a qual ocorrerá no dia 12 de outubro às 13h, na praça Angelo Piazera. Para finalizar: Caminhando e cantando.... E seguindo a canção.... Somos todos iguais.... Braços dados ou não... Vem, vamos embora... Que esperar não é saber.... Quem sabe faz a hora.... Não espera acontecer... (trecho da música: Pra Não Dizer Que Não Falei Das Flores/Geraldo Vandré).

PERGUNTARAM-ME: QUEM É VOCÊ?

Eu não sou minha nacionalidade,
tampouco meu estado civil ou profissão.

Também não sou minha aparência, cor, altura,
peso, sexo, nem formação.

Eu não sou o que querem que eu seja,
tampouco aquilo que pretendo ser.

Muito menos o invólucro, o ego, a posse,
a carne, o sangue e o querer.

A MORTE E O AVARENTO (HIERONIMUS BOSCH)

8 de setembro de 2011

BRUNA SURFISTINHA (OPINIÃO SOBRE O FILME)














Vi, durante o feriado chuvoso de ontem, o filme Bruna Surfistinha.

Considerando que o cinema é arte e que a arte não tem compromisso algum com políticas sociais, mas apenas e tão somente compromisso dela (arte) com ela mesma, prefiro não criticar o filme pela mensagem transmitida.

Mas, numa frase, o que o filme mostra, ou seja, a "moral da história", é mais ou menos o seguinte: prostituir-se é legal, gera glamour e rende muito dinheiro, só não use drogas que você acabará estragando tudo.

OBITUÁRIOS
















O obituário é um texto vivo que trata de uma pessoa morta. Certos jornalistas iniciam sua carreira com essa atribuição que, por seu desprestígio, geralmente ocupa as páginas finais do jornal. Outros profissionais viram especialistas e passam a ter gosto em desenvolver esse tipo de texto, que tem um caráter bem definido e uma estética própria.

Se a crônica trata de fatos ocorridos ao longo do tempo (cronos), o obituário trabalha com um relógio que já parou de contar as horas, um lapso temporal extinto definitivamente pela morte.

Gosto de ler obituários para manter clara a lembrança do que realmente importa na vida. Quem já leu esse tipo de texto sabe que lá não aparecem quantos ou quais automóveis o falecido comprou em vida, tampouco o tamanho e a beleza de sua residência, casa de praia ou de campo. Nada disso interessa para um obituário.

De fato, o que fica expresso no obituário não é aquilo que o falecido adquiriu, mas sim o que deixou. E o que uma pessoa pode deixar? A resposta é simples: família, amigos, saudade e a sua contribuição para o mundo que prossegue.

O ensinamento que se extrai da leitura constante de obituários é mais ou menos aquele do antigo adágio com os seguintes dizeres: “Lembra-te da morte para bem empregar a tua vida.”

É claro que há aquelas pessoas que serão lembradas por terem deixado apenas ódio, inimigos e inveja. Nesses casos, o autor do obituário recebe uma tarefa árdua, difícil de desenvolver se não for pelo caminho da ficção.

Aliás, fico imaginando como pode vir a ser vazio o obituário de certas pessoas. Melhor não escrever, pois a tentativa seria vã. Existem obituários que poderiam ser escritos mais ou menos nesses termos: “Fulano de Tal, deixou um BMW 325 ano 2008, emplacado, enlutado e faltando trinta e duas parcelas para pagar.” Nada mais.

Por essas e outras recomendo a leitura de obituários. Trata-se da possibilidade de vislumbrar caminhos já trilhados e que deram certo, ou não. Os bons percursos podem ser imitados e os maus, evitados.

A título de curiosidade, há também a hipótese diversas vezes registrada historicamente, de obituários prematuros. Esse tipo de fato ocorreu com figuras ilustres como, por exemplo, o Papa João Paulo II, verdadeiro recordista com nada menos do que três obituários prematuros.

Alfred Nobel, criador do prêmio Nobel, também foi vítima de um obituário prematuro, tendo chegado a ler sua condenação como “mercador da morte”, por ter sido industrial fabricante de armas.

Particularmente, posso afirmar que até gostaria de ler o meu obituário, porém, acredito que o texto seria um tanto enxuto nesse momento da minha vida. Estou tentando melhorar, dar conteúdo, deixar algo de bom, mas confesso que ainda tenho que viver intensamente por um bom tempo para merecer um obituário decente.
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Leia mais crônicas em http://www.cronologicas.blog.com/

6 de setembro de 2011

DENTISTAS NÃO PODEM APLICAR BOTOX

Desde ontem (5) dentistas estão proibidos de usar a toxina botulínica - mais conhecida como botox - e o ácido hialurônico, aplicado contra rugas, para fins estéticos. A determinação é do Conselho Federal de Odontologia, publicado na sexta-feira (2) no Diário Oficial da União.

De acordo com a resolução, os dentistas podem usar a toxina somente em casos terapêuticos. O ácido está proibido em qualquer tipo de tratamento.

O CFO argumenta que o preenchimento facial ou labial para correção estética não é atividade de cirurgião-dentista. Outro argumento é a falta de estudos sobre a segurança do uso dessas substâncias em tratamentos odontológicos.

"A literatura até o momento não oferece condições seguras de utilização destas substâncias e há falta de evidência científica na área odontológica", diz a resolução.

Segundo o código de ética da categoria odontológica, constitui infração quando o dentista oferece tratamento ao qual não tem capacitação ou executa, mesmo que em um hospital, cirurgia fora do âmbito da odontologia.

2 de setembro de 2011

MUDANÇA É DIFERENTE DE EVOLUÇÃO























Dizem que a versatilidade é requisito essencial para o homem moderno, no sentido de que ele precisa acompanhar as rápidas transformações sociais, profissionais e culturais para não perder-se no passado. De fato, as mudanças são rápidas e a novidade deste mês, poderá estar superada no próximo.

Todavia, nem toda mudança importa em progresso, evolução ou refinamento. No campo da música, por exemplo, penso que caminhamos a passos largos, porém, em marcha ré.

Ligo o rádio, vejo os mais vendidos na vitrine da loja e acompanho as premiações financiadas pelas gravadoras e redes de televisão. Seria cômico ver o Restart ganhando prêmio de melhor banda nacional se não fosse muito, mas muito trágico.

Salvo raras exceções, no dia-a-dia, o que toca nas rádios da região de Jaraguá do Sul é muito “Sertanejo Universitário”, nome dado a um suposto gênero musical em que prevalecem rimas fáceis, trocadilhos de sacanagem e letras metidas a engraçadinhas.

Nossa MPB é mais valorizada fora do País do que em solo pátrio. Os grandes ícones da Bossa Nova são amplamente conhecidos nos EUA e na Europa, porém, aqui, muitos nem mesmo sabem ou ouviram falar de Bebel Gilberto, por exemplo.

Hoje a música nacional vive, principalmente, de glórias de um passado de trinta ou quarenta anos. O americano repete “Brasil, Pelé, Tom Jobim”, os latinos são fãs do Roberto Carlos, a Europa conhece bem a obra de Ivan Lins e por aí vai.

E o Rock nacional? Tão forte e original na década de 1980 com Legião Urbana, Titãs, Paralamas do Sucesso, Barão Vermelho e outros? O que restou além das regravações, reinterpretações e relançamentos?

Será culpa de nossa educação deficiente, da falta de leitura, da cultura alienada e descompassada com a realidade ou das regras ditadas pelas grandes gravadoras? Penso que se trata de um somatório de fatores.

Grande parte do povo infelizmente precisa hoje do Funk Proibidão, do Axé e do “Sertanejo Universitário”, ritmos bastante primitivos e simplórios, para conseguir sentir a musicalidade.

Por essas e outras é que sustento que nem toda a mudança é para melhor, nem toda transformação constitui evolução. O Brasil tradicionalmente produzia música de qualidade para o mundo todo, com milhares de nomes de primeira e segunda grandezas, mas hoje? O que produzimos para nós mesmos e para o planeta?

Nossos grandes nomes morreram ou estão em adiantado processo de envelhecimento. Enquanto isso, pouquíssimos novos talentos têm sido acolhidos pela grande mídia (a maioria dos talentos canta sem que ninguém os ouça). Torço para que a contínua transformação seja brevemente impulsionada por ventos de evolução, pois em terra de Parangolé, quem faz música é rei.

27 de agosto de 2011

EPISÓDIO DO CÃO QUE LEVOU TIRO EM JARAGUÁ DO SUL



Bloco do Jornal do Almoço (RBS TV) de 27 de agosto de 2011, no qual foi noticiado o episódio do cão que foi alvejado por um tiro na frente de casa. A reportagem começa aos 04:45min.

26 de agosto de 2011

18 de agosto de 2011

MEU CORAÇÃO (ARNALDO ANTUNES)

DEUS OU DEUSES?
















Desde Akhenaton (Servo de Athon) no antigo Egito, o monoteísmo foi ganhando vulto. Diversas culturas politeístas foram, aos poucos, sendo solapadas pela crença em um único ente divino. Hoje, no mundo ocidental, prevalece a tese de que há apenas um deus, mas esse deus está, a cada dia, recebendo personalidades e faces diferentes, de acordo com o gosto pessoal de cada comunidade ou grupo social.

À guisa de exemplo, tem-se que milhões e milhões de pessoas comparecem aos templos do mundo ocidental para orar ao deus das religiões cristãs (Deus), porém, se perguntássemos a cada uma delas o que pensam a respeito do seu deus, teríamos certamente uma grande variedade de respostas e, consequentemente, uma enorme variedade de deuses.

Para certos fieis, Deus é um senhor idoso de barbas e vestes brancas, que fica sentado sobre as nuvens (hosana nas alturas!), olhando para a vida de cada pessoa, mantendo uma enorme contabilidade de pecados e bondades individuais (onisciência) para, ao final da existência terrena, sepultar eternamente os maus no inferno, manter os medianos no purgatório até que os pecados sejam remidos pelo sofrimento e, finalmente, remeter aos céus os virtuosos e imaculados (salvação).

O deus dos protestantes já odiou muito os humanos católicos. Já o deus dos católicos orientou os Santos Padres da Santa Inquisição, a matar milhares de pessoas nas fogueiras, confiscar e queimar livros e mais livros, matar animais hereges(?), dentre outras façanhas necessárias à manutenção da ordem celestial.

Para alguns, o que vale é o deus impiedoso e sisudo do Antigo Testamento (os tementes a Deus) e, para outros, aquele Deus do Antigo Testamento foi revogado pela nova personalidade do deus bonzinho do Novo Testamento.

E tem aqueles fieis que entendem Deus como um ser feito à imagem e semelhança de Sílvio Santos. Peça e lhe será concedido! Você quer um carro novo, ore a Deus e pague o dízimo! Você deseja uma casa própria, ore a Deus e pague o dízimo! Pagando em dia as parcelas do dízimo você concorre no final da vida a um show de prêmios! Seja um fiel dizimista e mantenha em dia seus débitos para com Deus! Dê uma semente das suas finanças, para receber em abundância! E se você duvidar é porque está chamando Deus de caloteiro!

Nesse ponto, faço uma reflexão: serão os shopping centers, os novos templos dedicados ao deus consumo? Ou será que as igrejas de hoje estão funcionando como shopping centers da fé? Creio que uma resposta afirmativa não anula a outra.

Prosseguindo, há também aqueles que veem Deus como um ser paciente que adora ouvir palavras repetidas mecanicamente à exaustão. Por isso, nunca é demais rezar duzentas ave-marias, trezentos pais-nossos e dá-lhe terços e mais terços (mesmo que enquanto isso esteja o fiel pensando na novela das oito). Afinal, é só dessa forma que os pecados podem ser perdoados. Sofrer, sofrer, sofrer, essa é a grande máxima. Sofra agora na Terra, para ter felicidade eterna no céu.

E os que acham que o seu deus é surdo? Choram alto, gritam, esperneiam, tudo para fazer Deus ouvi-los. Ora, se já foi ensinado que o Deus Cristão é onipotente, onisciente e onipresente, por que agredir os ouvidos alheios com ladainha lacrimosa?

Bom, apesar de toda essa variedade disponível, sou mais a simplicidade e sensibilidade da Emily Dickinson:

Alguns guardam o domingo indo à Igreja,
Eu o guardo ficando em casa,
Tendo um sabiá como cantor,
E um pomar por santuário.

Alguns guardam o domingo com vestes brancas,
Mas eu só uso minhas asas.
E ao invés do repicar dos sinos da igreja,
Nosso pássaro canta na palmeira.

É Deus que está pregando, pregador admirável,
E o seu sermão é sempre curto.

Assim, ao invés de chegar ao Céu só no final,
Eu o encontro o tempo todo no quintal.

Mas se você crê ou não crê, se o seu deus é cruel ou bondoso, simples ou vaidoso, surdo ou atento, paciente ou irritado, está tudo certo. Fazendo o bem, que mal tem?




12 de agosto de 2011

MR BOJANGLES (ROBBIE WILLIAMS)

NOVA EDUCAÇÃO

Tempos atrás participei de uma conversa, cujo conteúdo gostaria de ter abandonado em uma caixa lacrada no meu imenso arquivo chamado passado. Não obtive êxito.

No meio da conversa, meus ouvidos ficaram aguçados quando escutei de uma mulher de aproximadamente quarenta anos, a seguinte preciosidade:

- “Eu só me dei conta há pouco tempo, sobre a responsabilidade que tenho de criar o hábito da leitura em meus filhos. Por isso, na semana passada, quando notei que os meninos estavam desocupados, chamei-os e disse: vamos ler, crianças! Então peguei a Revista Caras que tinha acabado de chegar, coloquei em cima da cama e começamos a ler. Foi ótimo para eles.”

Quase tive uma convulsão ao presenciar essa breve preleção sobre a relevância da Revista Caras para o aprimoramento cultural das novas gerações, mas notando que não adiantaria iniciar a defesa do meu ponto de vista, resolvi agir tal como respondem os personagens semanais da Revista, ou seja, com um sorriso mudo, fotográfico.

Ora, o paradoxo é claro. Não se lê esse tipo de material, no máximo é possível folhear ou olhar. Ah, sim! De fato há uma página de palavras cruzadas e um texto semanal de etimologia, mas não se engane, é apenas para dar uma impressão de nobreza.

Aliás, você lembra das Revistas em Quadrinhos da Turma da Mônica ou do Tio Patinhas? Pois bem, a Revistas Caras e suas congêneres não são nada mais do que quadrinhos para adultos. A diferença é que há mais conteúdo aproveitável nos quadrinhos da Turma da Mônica do que nesse tipo de semanário.

O que há nesse tipo de revista, senão um conjunto semanal de sorrisos rasgados, por vezes doloridos de tão rasgados. Alguns personagens exibem orgasmos faciais por estarem aparecendo nas colunas, outros se mostram constrangidos em abrir os seus lares para atender a vaidade do cônjuge, filho, filha ou netos.

E as chamadas das matérias são as mais inusitadas: “Joana mostra a sua nova silhueta depois do regime” ou “César e Marcinha iniciam vida nova em sua casa de campo”.

É interessante notar o traço símio na curiosidade humana. O que importa saber a respeito do nascimento do terceiro filho de um fazendeiro do interior de Minas? O que muda na vida do leitor, se ficou boa ou não a nova decoração do apartamento da socialite Cidinha Felpudo?

O leitor mais atento poderá dizer que estou sendo exigente demais, pois nem todas as revistas ou programas de televisão precisam ser culturais. Muito bem, é verdadeira essa afirmação, ainda mais quando pensamos em programas televisivos como os reality shows e as novelas, cuja função é exclusivamente a de entreter o público.

Porém, relembro as primeiras linhas desta crônica, ou seja, o que me impressionou é que alguém possa imaginar que esteja educando seus filhos com a leitura de Caras. Ora, não se trata de material educativo ou cultural. As crianças poderão aprender, no máximo, quais as marcas de roupas, carros e perfumes são as mais caras e famosas no momento.

Infelizmente o gosto por esse tipo de material retrata bem o gênero humano, que não conseguiu evoluir muito em sua essência. Ainda continuamos, em grande parte, sendo superficiais, materialistas, egocêntricos e fúteis.

Agora, se o leitor achou muito fortes as expressões que utilizei, sugiro que continue “lendo” os sorrisos de Caras.