29 de fevereiro de 2012

22 de fevereiro de 2012

O MOTIVO DO CARNAVAL

As festividades de Carnaval, embora tivessem outra denominação, tiveram origem em cultos gregos aos deuses da fertilidade, realizados a partir de alguma data próxima do século VI A.C.

Há autores que sustentam a origem do Carnaval a patir do Entrudo português, festa na qual pessoas jogavam farinha, ovos e água, umas nas outras pelas ruas da cidade. Porém, ao que tudo indica o Entrudo teve origem em festividades gregas, daí porque a origem comum.

Somente em 590 D.C. a Igreja Católica absorveu a festa em seu calendário e passou a utilizar a denominação “Carnaval”, tendo em vista a suspensão do consumo de carne (carne valle) durante o período que se seguia, qual seja, a Quaresma. 

Porém, a verdade é que esse tipo de festividade de transgressão faz parte do gênero humano. Ao que tudo indica, para que a vida social prossiga de forma salutar é necessário um curto período de transgressão controlada (ou nem tanto) dos costumes.Seria um retorno ao estado de liberdade próprio da era da barbárie.

Voltando à Igreja Católica, vale relembrar que esta manteve durante muito tempo nas festividades de ano novo a Festa dos Loucos (Festum Fatuorum), na qual membros do clero bebiam dentro da igreja, zombavam de orações, parodiavam evangelhos e faziam diversas transgressões dos costumes, o que seria inaceitável em qualquer outra época do ano.

Segundo o filósofo Alain de Botton, no ano de 1445 a Faculdade de Teologia de Paris explicou aos bispos franceses que a Festa dos Loucos era um evento necessário no calendário cristão, “para que a insensatez que é nossa segunda natureza, e inerente ao homem, possa se dissipar livremente pelo menos uma vez ao ano. Barris de vinho estouram de tempos em tempos se não os abrimos para entrar um pouco de ar. Todos nós, somos barris reunidos inadequadamente, e é por isso que permitimos a tolice em certos dias: para que, no fim, possamos regressar com maior fervor ao serviço de Deus.”

Os romanos antigos tinham os festivais da Saturnália, nos quais praticavam jogos proibidos nas ruas públicas, faziam toda a sorte de brincadeiras e invertiam papeis sociais, sendo que os escravos vestiam-se com roupas de seus senhores e podiam participar juntamente nas refeições. Há quem diga que a inversão chegava ao ponto de os senhores comportarem-se como escravos de seus escravos, tudo pela sátira, pelo humor, pela transgressão.

Da mesma forma, os norte-americanos comemoram a transgressão de costumes com o seu Mardi Gras e outros povos com festas congêneres ainda em voga.

Talvez a forma mais saudável de viver inclua realmente períodos curtos de inobservância das regras sociais, da pequena ética (etiqueta) e também do “politicamente correto”. Talvez, o ser humano seja mais complexo do que se imagina e precise, uma vez ou outra, sentir-se livre das pesadas correntes e cabrestos impostos pela vida em sociedade e, assim, considerar-se feliz.

16 de fevereiro de 2012

DEBAIXO DAS ASAS DA MÃE

ÍNDIOS

Não se fala muito no assunto, mas na semana passada circulou um vídeo que compila imagens de uma tribo não contatada em um trecho entre o Brasil e o Peru. Essa pequena filmagem tomou espaço da mídia nacional e internacional.

Estima-se que existam aproximadamente 100 tribos ou povoados não contatados no planeta, sendo 14 no Brasil, espalhados por 5 estados brasileiros (Mato Grosso, Acre, Rondônia, Roraima e Amazonas). É fascinante saber que mais de 500 anos após o formal “descobrimento” do Brasil, existem pessoas que desconhecem o nosso modo de vida, que ainda mantêm uma cultura própria e que não sabem o rumo perigoso que o planeta está tomando por nossa culpa.

No Brasil e arredores, a grande ameaça contra essas pessoas, obviamente, fica por conta da ganância do povo branco, que vem derrubando matas em busca do ouro vermelho (mogno) e outras madeiras nobres para a fabricação de móveis coloniais.

Seria importante que o governo brasileiro estabelecesse formas de proteção a esses povos da mata, dando-lhes inclusive, direito de escolha. Sim, a escolha de manter o seu modo de vida, de proteger a sua cultura e de continuar vivendo do modo como fazem há milhares de anos.

Claro, temos experiência de sobra para saber que integrar o povo índio à cultura do branco, não melhorou a sua qualidade de vida. Pelo contrário, a perda das referências, da cultura e do modo de vida originais, converteu povos da mata em pessoas pobres, estigmatizadas e marginalizadas dentro do contexto da denominada, “cultura da civilização”.

O que não pode prosseguir é o genocídio praticado por garimpeiros, madeireiros, grileiros e outros criminosos que caminham com as botas pesadas do “progresso”, sobre a terra virgem da Amazônia tomando tudo o que conseguem, destruindo recursos, poluindo as águas com mercúrio e destruindo a fauna indefesa.

Renato Russo na música homônima desta crônica, deixou claro o sentimento de impotência daqueles filhos da terra que, da mesma forma que as árvores e animais, são trucidados por estarem no caminho do “desenvolvimento”:

Quem me dera, ao menos uma vez,
Como a mais bela tribo, dos mais belos índios,
Não ser atacado, por ser inocente.

Com pouco esforço talvez seja possível enxergar os fatos de um outro prisma. Os índios não são e não podem ser uma pedra no caminho do branco. Nós brancos é que somos a pedra no caminho deles, e que pedra!

8 de fevereiro de 2012

AS DUAS FACES DA DEPENDÊNCIA

- Amanhã é Domingo, por que você está programando o despertador?

- É que tenho medo de dormir antes da hora.

- De que hora?

- Da hora de tomar o meu remédio para dormir?

O diálogo parece surreal, mas demonstra até que ponto vai a dependência química e psicológica. Esse é o aspecto negativo da dependência.

Mas a dependência também tem o seu aspecto positivo. E disso ninguém trata.

Ora, a dependência é parte da vida humana, ou será que alguém pode negar que é necessária e saudável a dependência do bebê para com a sua mãe?

O ser humano não é onipotente e absolutamente independente. Muito pelo contrário, por ser gregário por natureza, precisa dos seus semelhantes para sobreviver no planeta.

No relacionamento interpessoal, essa dependência está presente todos os dias, seja na equipe de trabalho, em que as metas são atingidas pelo conjunto e não pelos indivíduos, ou ainda no esporte, em que o gol é o ápice de uma jogada preparada pelo conjunto.

O exercício da humildade é necessário. Ninguém faz sucesso profissional absolutamente sozinho, assim como não há atacante bem sucedido se não houver alguém que lhe passe a bola no momento certo.

O que não pode ocorrer é a dependência que escraviza, tal como aquela expressada no diálogo que inicia esta crônica.

Aliás, uma fala muito comum do escravo dependente é a seguinte:

- Se eu quisesse parava.

- Mas você sabe que faz mal, então por que não pára?

- Não paro, porque não quero. Mas se eu quisesse...

A verdade é que o escravo nem conhece mais a sua vontade, confunde vício com desejo e acredita que conseguiria, se quisesse, quando na verdade nem sabe o que realmente quer.

O que me pergunto é quais dependências minhas são positivas e negativas? Será que sou escravo e não percebo?

3 de fevereiro de 2012

CÃO DISPONÍVEL PARA ADOÇÃO (AJAPRA)

MP AJUIZA AÇÃO CONTRA O NEPOTISMO EM JARAGUÁ DO SUL

Na última quarta-feira (01.02.2012), o Ministério Público de Santa Catarina, protocolizou Ação Civil Pública perante o fórum da Comarca de Jaraguá do Sul, visando o afastamento do Secretário Ivo Konell (marido da prefeita) e da Chefe de Gabinete Federa L. Konell (filha da prefeita).

Em seu despacho inicial prolatado na data de ontem (02.02.2012), a Juíza da Vara da Fazenda Pública, determinou a notificação prévia do procurador do município para manifestação em 72 horas e dos Réus (Cecília Konell, Ivo Konell e Fedra L. Konell), no prazo de 15 dias.

Após as manifestações, a juíza apreciará o pedido de tutela antecipada (liminar) requerida pelo Promotor de Justiça.

Depois da análise do pedido de antecipação de tutela, o processo segue seu curso para averiguação do cometimento de ilicitude por parte da Sra. Prefeita e a possível aplicação de penalidades, se for o caso.

2 de fevereiro de 2012

MOSES - 1945 (FRIDA KHALO)

SODADE (CESARIA EVORA)

UNIVERSALISMO

Como todos sabem, a partir da primeira metade do Século XX a humanidade passou a acelerar com velocidade nunca antes experimentada, o desenvolvimento de tecnologias, de culturas e da sua própria forma de viver.

Agora, atinge-se um estágio em que não é mais possível negar o universalismo como chave da coexistência pacífica e harmoniosa entre os seres humanos e suas diferentes culturas e possibilidades.

Tal como um dominó enfileirado, os regimes totalitários vem caindo, um depois do outro ao redor do planeta. É a humanidade se levantando e dizendo não à intolerância, à repressão, à violência, à injustiça e à mentalidade tosca.

Essa nova realidade exige que no âmbito da educação e da moralidade, sejam buscados modelos que partam de valores comuns aos seres humanos, como os postulados da doutrina do Direito Natural, por exemplo.

Na questão da religiosidade, outro ponto que ainda desagrega seres iguais por natureza, resta o dever de respeito à diversidade dos credos, o reconhecimento de que não existem caminhos únicos, credos superiores ou inferiores. Essa compreensão deve ser lógica e óbvia, assim como a constatação de que não existe diferença no amor materno africano, europeu, asiático ou americano.

Norberto Bobbio foi inspirado(r) quando fugiu do argumento filosófico para provar a unidade da espécie humana através de uma reflexão simples e prática. Segundo o intelectual italiano:

“Basta olhar o rosto de uma criança em qualquer parte do mundo. Quando vemos uma criança, que é o ser humano mais próximo da natureza, ainda não modelado e corrompido pelos costumes do povo em que está destinado a viver, não percebemos nenhuma diferença, senão nos traços somáticos, entre um pequeno chinês, africano ou índio e um pequeno italiano.”

Mas não é suficiente esperar, cabe a cada um reconhecer os paradigmas já ultrapassados e passar a agir comprometido com a dissolução de preconceitos, distinções ultrajantes, ódios religiosos, raciais ou decorrentes de diversidade sexual.

Assim como no Oriente Médio (agora é a Síria que está renascendo), a mudança deve vir de baixo para cima. Todos estão conectados por pensamentos, sentimentos e também pela internet. Hoje é possível, individualmente, fazer a diferença no cotidiano para que mais rapidamente a evolução necessária seja consolidada.

1 de fevereiro de 2012

SÁBADO TERÁ FEIRA DE ADOÇÃO DE ANIMAIS (AJAPRA)

MC DONALD´S UTILIZA HIDRÓXIDO DE AMÔNIA EM SEUS PRODUTOS

Após o chefe de cozinha e ativista Jamie Oliver descobrir e divulgar em seu programa de TV – que a rede McDonald’s utiliza hidróxido de amônio para converter sobras de carne gordurosas em recheio para seus hambúrgueres nos Estados Unidos, a marca anunciou que mudará a receita, segundo informações do jornal Mail Online. 

“Estamos comendo um produto que deveria ser vendido como a carne mais barata para cachorros e, após esse processo, dão o produto para humanos”, disse Oliver. “Por que qualquer ser humano sensato colocaria carne com amônio na boca de suas crianças?”, questiona.


SIGNIFICADO DE HIDRÓXIDO DE AMÔNIO

O hidróxido de amônio, de fórmula química NH4OH é uma base solúvel e fraca, só existe em solução aquosa quando faz-se o borbulhamento de amônia (NH3) em água.

Resumo de riscos: Nocivo quando ingerido, inalado e absorvido pela pele. Extremamente irritante para mucosas, sistema respiratório superior, olhos e pele.

Efeitos agudos: A inalação pode causar dificuldades na vítima como consequência: espasmos, inflamação e edema de garganta, pneumonia química e edema pulmonar.

Efeitos crônicos: A exposição repetida ao produto pode causar tosse, respiração ruidosa e ofegante, laringite, dor de cabeça, náusea, vômito e dor abdominal.

Órgãos afetados: Estômago e pulmões.

 
 
COMENTÁRIO: Aquilo que muitas pessoas não teriam coragem de fazer em seus próprios nomes, acabam fazendo "escondidas" em nome de grandes corporações.

26 de janeiro de 2012

CABRA MACHO!

O ESTADO DENTRO DE CASA

Segundo a Teoria do Contrato Social, em um determinado momento dos primórdios da civilização, resolvemos ceder uma parte de nossa liberdade individual em troca da proteção do Estado, ente artificial criado pelo homem, que já foi grande como Leviatã e hoje tem seguido uma tendência de diminuição de estrutura.


Ao longo dos tempos, essa benéfica proteção estatal foi muitas vezes deturpada e utilizada como instrumento de perseguição, inclusive por parte da Igreja Romana na época em que comungava explicitamente do poder estatal.


Se é verdade, por um lado, que a forte intervenção do Estado passou a sofrer limitações nas repúblicas democráticas em que impera o Direito, não se pode esquecer que, vez por outra, tais freios não atingem a eficiência devida.


Exemplo disso em nosso país é a imposição do regime legal de separação de bens para o casamento de pessoas com mais de 70 anos de idade.


Para o nosso Código Civil não importa que a pessoa tenha plena sanidade e consciência do ato que está por realizar, se tiver mais de 70 anos será obrigada a casar pelo regime da separação de bens.


É como se, ao completar 70 anos, as pessoas perdessem automaticamente o juízo e tivessem que voltar a ser tratadas como menores de idade para efeitos jurídicos.


A meu ver, trata-se de uma presunção implícita de que, se alguém casa com uma pessoa com mais de 70 anos é movido exclusivamente por interesse patrimonial e não por afetividade. Há também uma presunção de que uma pessoa com mais de 70 anos não reúne condições para decidir a respeito da melhor forma de gerir o seu próprio patrimônio.


Se o nosso Código Civil fosse antigo até se poderia cogitar de que é uma disposição ultrapassada, mas a verdade é que se trata de uma norma recente e que, portanto, representa os atuais anseios de uma sociedade que, cada vez mais, é composta de pessoas com mais de 70 anos de idade.


Outro exemplo de intromissão estatal na vida privada é o teor do projeto em tramitação da chamada “Lei da Palmada”.


É claro que o Estado deve intervir energicamente sempre que for constatada a ocorrência de violência física dentro do lar. Nesses casos, deve o Estado cumprir com o seu papel e impor sanções para que tais atos não se repitam. Aliás, é justamente esse tipo de proteção que se espera do ente estatal.


Todavia, a proibição legal genérica da prática de qualquer tipo de reprimenda física como forma de educação e controle da prole, constitui intromissão abusiva e indevida que o legislativo está em vias de aprovar.


Ao mesmo tempo em que reprovo a violência no lar, penso que um pai deve ter a liberdade de dar uma palmada no filho, quando entender ser necessário para a melhor educação. Não conheço uma só pessoa traumatizada por ter recebido palmadas na infância.


Intromissões como essa, lembram um trecho do Mixná Judaico que regulamenta com detalhes até mesmo a quantidade de relações sexuais que o homem tem o dever de praticar com a sua mulher, partindo de um critério profissional:


“Para homens que têm renda independente de trabalho, todos os dias. Para trabalhadores, duas vezes por semana. Para condutores de burros, uma vez por semana. Para condutores de camelos, uma vez por mês. Para marinheiros, uma vez por semestre.” (Mixná, Ketubot 5:6).


Imagine a dificuldade do marinheiro judeu contar a sua profissão para a namorada! Acho que deve ser mais ou menos assim:


“- Olha Verônica, tenho que te contar um detalhe que venho escondendo há algum tempo.”


“- Você me traiu Rodolfo? Eu te perdôo, pela tua sinceridade…”


“- Não Verônica querida, é que… eu sou marinheiro.”


“- O que? Não acredito, saia daqui, não quero isso para mim, está tudo acabado…”


“- Mas Verônica?”


“- Rodolfo, uma vez por semestre não!”


A brincadeira foi inevitável, mas o assunto é sério. Até quando vamos permitir que o Estado intervenha de forma desmedida em nosso cotidiano? O brasileiro deveria acompanhar melhor o trabalho parlamentar e evitar novas intromissões indevidas que afrontam as liberdades individuais e o modo de convivência que se entende por salutar.

19 de janeiro de 2012

A VOZ DE JANUS
























Janus é um antigo deus romano bicéfalo, costumeiramente representado por uma imagem com as cabeças opostas, uma olhando para frente e a outra olhando para trás. Como todo símbolo ou mito, diversas são as possibilidades de interpretação.

Porém, como Janus está situado no calendário Gregoriano, justamente como primeiro mês do ciclo anual (Janeiro), bem ainda, por Janus ser considerado o deus dos portões e passagens, pode-se invocar o sentido da passagem do tempo, ou seja, da relação entre o passado e o futuro (as  cabeças opostas de Janus).

Relevante notar que Janus não tem três cabeças, mas apenas duas, ou seja, uma olhando para o tempo passado e outra olhando para o tempo futuro. Para Janus não há o tempo presente, talvez porque o presente seja, justamente, o ponto de conjunção entre o futuro e o passado.

Assim, cada sílaba pronunciada ou letra digitada na tela do computador converte-se automaticamente em tempo passado. Um passado recente é verdade, mas que não volta, exceto pela repetição do ato. Cada respiração, cada passo, cada mastigação, transforma o futuro em um presente fugidio que escapa para o arquivo do passado ou para aquele abismo profundo que chamamos de esquecimento.

Seria muito bom se fosse possível paralisar o tempo presente nos bons momentos, o que só se consegue de modo muito tosco através de filmagens ou fotografias. Até mesmo o ato de escrever chega a ser intrigante, pois o que é presente para o leitor já é passado para o escritor e pode ser parte do futuro de quem ainda não leu.

Mas, se por um lado o presente é um pássaro que o homem não consegue aprisionar, o passado e o futuro é que têm aprisionado o homem. 

Todos conhecem pessoas que vivem com a mente no passado, são os nostálgicos, aqueles que relembram com saudade de sua infância, do seu passado ou mesmo de um passado que não vivenciaram, mas que gostariam de tê-lo feito. Estes deixam de viver o presente e pouco se importam com o futuro. Dedicam-se à sua memória.

No outro vértice encontram-se aqueles muitos que vivem “pré ocupados”, ou seja, ocupados mentalmente com um futuro ainda coberto pelo manto da incerteza. O medo ou a ansiedade das possibilidades futuras que se situam fora do controle, tem conseguido tomar as rédeas da vida do homem pós-moderno.

Isto ocorre com tanta intensidade porque nada mais é seguro ou garantido. O que é verdadeiro nesse hoje que nos chega, pode ser falso amanhã. Tenho emprego hoje, mas posso não ter no próximo mês. Sou empresário hoje, mas posso estar falido em breve. O casamento, que era para sempre, agora virou desafio. Investir no que? Acreditar em quem ou no que? Dedicar-se a que? Até que ponto o dinheiro está valendo a pena? Poderei garantir as necessidades de meus filhos? Aproveito o momento ou planto sementes para um futuro melhor? Estarei vivo para aproveitar o futuro? 

Essa insegurança decorrente da alucinante rapidez com que o futuro atinge o homem, tem causado mal-estar àqueles que ainda não conseguiram se adaptar à nova realidade líquida e  mutante. Se por um lado o rápido desenvolvimento tecnológico trouxe uma série de confortos e melhorias, também gerou efeitos colaterais que a humanidade precisará de tempo para assimilar.

Portanto, silenciemos por um instante para ouvir a voz de Janus. Talvez, como deus dos portões e passagens, ele pretenda nos dizer que a vida é uma contínua passagem. Quem sabe valha a pena deixar Janus cuidar um pouco das questões pessoais do passado e do futuro, para vivermos conscientemente o presente que, como um pássaro arisco, só se deixa perceber por quem está em paz consigo mesmo.

17 de janeiro de 2012

MILÉSIMA POSTAGEM

Comecei a postar neste blog no mês de Janeiro de 2007. Agora, passados exatos 5 anos, o blog atinge a milésima postagem. De forma descompromissada, sem publicidade ou qualquer interesse específico, mantenho o blog apenas como hobby.

Entre fotografias, obras de arte, vídeos, poemas, crônicas, notícias, humor e entretenimento, espero que algo de bom esteja arquivado para os poucos e bons leitores.

JÁ PENSOU SE ISSO VIRA MODA?

Iriam faltar placas...





















Via www.poracaso.com

16 de janeiro de 2012

VEREADOR DEVERIA SER FUNÇÃO VOLUNTÁRIA!



















É assim que penso também. Sem o polpudo salário haveria sensível diminuição de candidatos interessados apenas no dinheiro e não no bem-estar da população. O fim do salário proporcionaria também o surgimento de verdadeiros políticos no sentido nobre da palavra (hoje raríssimos).

12 de janeiro de 2012

SOLDADOS NORTE-AMERICANOS URINAM SOBRE CORPOS DE SUPOSTA MILÍCIA TALEBÃ




O vídeo passou a circular ontem. É apenas mais um. Causa revolta e demonstra falta de humanidade, respeito e bom senso. Não tenho dúvida de que um vídeo dessa natureza demonstra prática de atos de terrorismo. Não deixa de ser uma forma de terror.

Depois de participar de tantas guerras imperialistas, os norte-americanos aprenderam a criar verdadeiros "monstrinhos" que servem de modo irracional aos interesses mais mesquinhos e inconfessáveis do governo.

Só não venham acusar os países do oriente-médio de terrorismo, pois quem invade territórios alheios e pratica todo o tipo de atrocidade são os próprios norte-americanos. Terrorismo, gera terrorismo. O mal causa o mal. É uma questão de ação e reação.

Não venham também reclamar do ódio e de toda a antipatia que cresce ao redor do mundo, pois é mero resultado das ações gananciosas e inescrupulosas praticadas pelo governo desse país que se julga proprietário do planeta.

Não se trata também de fato isolado, pois quem já leu o mínimo de entrevistas de ex-soldados e acompanhou outros vídeos postados no Youtube ou transmitidos pela televisão, nota a carnificina desenfreada e irracional, praticada pelos militares da nação que se autoproclama como defensora da liberdade mundial.

9 de janeiro de 2012

PSICO-LAGARTIXA


























Os olhos grudados em mim,
E as patas coladas no teto.
Será agora meu triste fim?
Acho que me tornei inseto.

Ela me olha, não a vejo,
Se a procuro, ela some.
Ela caça, eu não percebo,
Se titubeio, ela me come.

Quando não a vi, ela piscou.
Como quem diz, só de birra,
Pode contar, ninguém acredita.

Mas o que ficou foi a beleza,
De não ter visto a lagartixa,
Que me queria em sua mesa.

22 de dezembro de 2011

ADEUS 2011, BEM-VINDO FIM DO MUNDO

Quem ainda não ouviu falar no grande “evento” de fim do mundo programado para o final de 1999 e, depois, para a virada entre os anos 2000 e 2001? Teve até um grupo inteiro de uma seita que se suicidou (isso que é ansiedade) para não ter que passar pelo sofrimento do fim do mundo.

Lembro-me que, na época, assisti ao vídeo em que uma religiosa aconselhava as pessoas a manter as portas e janelas lacradas, fazer estoque de alimentos, imposição de mãos para magnetizar a água (?) e demais providências para aumentar a sobrevida durante o apocalipse.

Ora, se fosse realmente para acabar o mundo de que adiantaria fazer estoque de alimentos? Melhor seria sentar num barranco na beira de um rio e esperar o show de fogos.

Mas o milênio virou e, para a desgraça de muitos, a vida no planeta continuou. Religiões, seitas, profetas, adivinhos e outros esclarecidos tiveram que fazer mudanças, afinal, previsão de fim do mundo que se preze muda de data!

Sim, porque depois daquele fim do mundo frustrado, a onda agora é outra, muito mais sofisticada. O lance é que estávamos nos baseando no calendário errado, entendeu? Também, como é que poderia se esperar algo do calendário Gregoriano?

Certo mesmo é o calendário dos Maias! Esse é muito mais legal, dividido em duas contagens de ciclos e, para demonstrar o fim do grande ciclo temos que levar em conta a chamada contagem longa. Pois bem, essa tal contagem longa não tem previsão de recomeço. Ora, se não há previsão de novo ciclo, então a única conclusão plausível é que se trata do fim do mundo, certo?

Simples, claro e indiscutível, não?

Assim sendo, nos últimos anos, milhares ou milhões pelo mundo se impressionaram com a chamada “Profecia Maia” que, aliás, de profecia não tem nada. Trata-se de um equívoco hermenêutico que está sendo capitalizado por alguns e comprado por uma multidão de ingênuos assustados. 

Por conta disso, temos que ficar aguentando os meios de comunicação explorando, torcendo e distorcendo o tema à exaustão, para atrair audiência e vender comerciais.

Pessoalmente, não suporto mais esses pseudo documentários do Nat Geo e do History Channel falando da Profecia Maia e das Profecias de Fim do Mundo em geral.

Com tantos temas interessantes de história, vida animal, sociologia, antropologia e arqueologia, esses canais continuam exibindo besteirol de péssima qualidade e procedência.

Não quero dizer que sou um cético para tudo que não seja evidenciado pelos meus cinco sentidos, mas o bom senso recomenda certos limites.

A respeito do fim do mundo, prefiro pensar que muitas pessoas estão acabando individualmente com os seus mundos e suas vidas, ao tomarem decisões erradas ou ao serem vítimas de seus semelhantes. No conjunto, infelizmente, estamos lentamente cometendo a mesma tolice ao não cuidar do planeta, do ambiente que nos cerca e privilegiando o imediatismo, o lucro fácil, alienado e irresponsável.

Porém, o planeta sobreviverá ainda por algum tempo suportando a ganância humana em subtrair-lhe todos os recursos sem piedade. Não seremos nós, caros leitores, que presenciaremos o término da vida na Terra.  

Agora, uma coisa é certa, os Maias nunca imaginaram que tanta gente iria, num futuro distante, interpretar tão pateticamente o seu calendário astronômico.

15 de dezembro de 2011

QUEM É VOCÊ?

No cotidiano são constantes as apresentações nas relações interpessoais, sejam físicas, telefônicas ou virtuais por e-mail, blog, twitter, facebook e outras ferramentas de relacionamento.

Nesses momentos, particularmente, não gosto de apresentações rotuladoras, que são as mais comuns. Tenho esse direito. Não gosto de rotular os outros e, por isso, não gosto de ser rotulado.

Nunca vou me esquecer da apresentação pessoal que, estarrecido, fui obrigado a presenciar. Sem mentiras ou exageros, ouvi as seguintes palavras: “- Muito prazer, meu nome é Fulano de Tal, sou advogado, tenho uma imobiliária e um Audi A6”.

Como assim? Quem perguntou o que você tem, cara pálida? Então você é o que você tem? Por si mesmo não é nada? Com uma apresentação dessas, fica a impressão de se estar conhecendo um patrimônio e não uma pessoa.

Com essa falta de tolerância já surpreendi telefonistas de empresas naquele diálogo inicial de apresentação:

- FSJ Equipamentos, bom dia!

- Alô, eu gostaria de falar com o Sr. Marcos.

- Quem fala?

- É o Darwinn.

- Darwinn de onde?

- Da minha casa.

- O Sr. é de qual empresa?

- Não moça, eu sou o Darwinn e quero falar com o Sr. Marcos, podes passar a ligação por favor?

- Certo Sr., um minuto…

Ora, quer dizer agora que tenho que ser “de alguém”? Meu nome já não é mais suficiente para me apresentar? Quantos “Darwinns” será que eles atendem por dia, mês ou ano?

Na internet a apresentação passa, necessariamente pelo conceito de perfil e, geralmente decorre de uma resposta à seguinte questão: “Quem sou eu?”

No momento de responder a essa pergunta, pouca gente pára e reflete sobre a profundidade da questão que está por trás da descrição do seu perfil pessoal. As respostas mais comuns são algo como o perfil do narcisista: “Sou divertido, loiro, alto, gosto de malhar e de conhecer pessoas novas.”

Há também aquela apresentação de estilo Poliana: “Sou extrovertida, simpática, gosto do meu trabalho e dos meus amigos”. Ao intitular-se “simpática” já perdeu, pelo menos, três pontos.

E o que dizer dos perfis curriculares encaixotados: “Sou matemático, fiz pós em trigonometria na UNESP, gosto de jogar xadrez e da série The Big Bang Theory”.

Mas pense um pouco no título dessa crônica: “Quem é você?” Será que consegue responder com certeza ao se abstrair de seus papeis sociais?

Será que somos a nossa profissão ou classe social? Será que somos a cor dos nossos olhos ou do nosso cabelo? Será que somos o sorriso solto ou a cara amarrada?

Particularmente prefiro o caminho inverso, o da exclusão, ou seja, o de responder aquilo que sei que não sou. Talvez por exclusão se atinja um resultado mais exato. Por exemplo: eu sei que não sou a minha profissão, sei que não sou a cor dos meus olhos ou cabelos, tampouco meu humor ou classe social.

Fisicamente, por telefone ou via internet continuaremos diariamente a nos apresentar, dizendo uns aos outros o que achamos que somos, uns despreocupados, outros, torcendo para serem bem aceitos, uns querendo se vender para o mundo, outros desejando doar-se, uns querendo entrar e outros, sair.

8 de dezembro de 2011

E ENTÃO É NATAL!





















Podem me chamar de mal humorado, mas a verdade é que não sei lidar bem com esse Natal embrulhado, empacotado e empurrado goela abaixo que se vive nos dias atuais.

Há trinta e quatro anos que sou atormentado pelas mesmas músicas, mesmos programas de televisão, mesmas frases prontas nos cartões de Natal, enfim, uma nauseante repetição em favor de uma tradição religiosa que há muito se converteu em objeto de puro comércio.

Concordo com a resposta do poeta Drummond quando perguntado sobre o que pediria ao Papai Noel se o encontrasse: “Pediria a ele que parasse de encher o meu saco!”

O leitor pode até achar que estou exagerando, mas quando entro em um Shopping Center e escuto aquelas músicas natalinas “inéditas”, chego a sentir calafrios.

Ora, convenhamos que as crianças sentem-se eufóricas com o Natal não porque tal data representa, simbolicamente, o nascimento de Jesus de Nazaré. A verdade é que as crianças querem ganhar os presentes que o velhinho pop star do capital tem a obrigação de lhes dar. Leram bem: “obrigação”.

Pergunte a uma criança o que significa o Natal e ela provavelmente responderá: “Papai Noel e brinquedo.” A culpa, obviamente, não é da criança, mas sim dos adultos que acham linda essa ideia inteligente de reduzir e converter uma tradição prenhe de significados a uma troca de bens materiais.

Sejamos sinceros, pouca gente se lembra do motivo da festividade. Os presépios, por exemplo, deveriam sinalizar a simplicidade e a humildade do ambiente em que nasceu o grande ícone do Cristianismo. Porém, devido a pirotecnia comercial do luxo hipermoderno quase não se veem presépios nas comemorações natalinas. O que mais se vê mesmo é a figura do Papai Noel com o seu saco abarrotado de presentes.

De certa forma é até bom que a imagem do presépio não esteja tão presente nas vitrines, pois não duvidaria ver os manequins das personagens vestindo roupas de grife internacional, relógios dourados nos pulsos, um berço de dez mil reais e outros adereços escandalosamente etiquetados.

Pecado? Bom, pecado hoje é não gastar bastante dinheiro com presentes no Natal! Quem tem dinheiro ou crédito (porque não é mais necessário ter dinheiro), mas se recusa a colaborar com o giro da grande roda, pratica tamanha atrocidade que certamente irá para o mais profundo dos infernos, sem escalas, tampouco direito de defesa.

E então é Natal, festa de luz, reunião de familiares que muitas vezes falam mal uns dos outros pelas costas, mas que na noite de véspera cumprimentam-se simpaticamente, forçam sorrisos e aguentam (quando aguentam) algumas horas de convivência sob o mesmo teto. Encerrada a comemoração, inicia-se mais um ano de maledicência, rancor e mágoas.

E então é Natal, o empregado ambicioso que pisa na cabeça dos colegas, o político corrupto, o cidadão corruptor, o chefe impiedoso com os subordinados e outras figuras tão humanas têm o intervalo de algumas horas para sentirem-se comovidos. A consciência não chega a doer, mas faz leves cócegas a ponto de convencer os menos resistentes a fazer uma boa ação em favor dos miseráveis e desafortunados.

E então é Natal, pinheiros com neve de algodão, alto índice de suicídios, picos de depressão, crediário, inadimplência em janeiro e fevereiro, cartões de crédito, promoções, comércio, comércio e mais comércio.

E então é Natal, tomara que os dias passem rapidamente. Sempre que se inicia o mês de Dezembro, espero ansiosamente pelo dia vinte e seis.

DARWINISMO

7 de dezembro de 2011

PROCON DE SÃO PAULO MULTA REDE MC DONALD´S EM MAIS DE R$ 3 MILHÕES

A Fundação Procon de São Paulo multou a rede lanchonetes McDonald’s em R$ 3,192 milhões pela prática de venda de alimentos com brinquedos, no conjunto conhecido com McLanche Feliz. A multa partiu de denúncia do Projeto Criança e Consumo, do Instituto Alana, organização não governamental (ONG) que trata de consumo infantil.

A denúncia foi feita em 2010. A ONG argumenta que a associação entre a venda de alimentos e brinquedos “cria uma lógica de consumo prejudicial e incentiva a formação de valores distorcidos, bem como a formação de hábitos alimentares prejudiciais à saúde”.

A estratégia da rede de fast food é juntar ao lanche um brinde com personagens conhecidos pelo público infantil. De acordo com o Procon, desde a denúncia, em 2010, mais de 18 campanhas dirigidas a crianças foram feitas pelo McDonald’s. Na atual, os brindes são personagens do filme O Gato de Botas.

A rede MC Donald´s pode recorrer da multa.


1 de dezembro de 2011

QUEM É NORMAL?

Lá nos idos de 1896, Machado de Assis escreveu uma crônica tratando da paciência que tinha para ouvir o que as pessoas queriam lhe contar. Ele dava valor ao ato de ouvir o interlocutor. Eram notícias e discursos inflamados, vindos de pessoas que arregalavam os olhos durante a conversa, apertavam-lhe o braço ou puxavam-no pela gola da camisa. 

Contou também que havia perdido o sentimento de segurança desde a noticiada fuga no “Hospício de Alienados”. A partir disso, uma dúvida passou assaltar-lhe o sossego. Como poderia dali para frente ter ele a segurança de que o seu interlocutor não era um dos loucos fugitivos do hospício? Quem lhe asseguraria a normalidade mental do interlocutor? Qual o método para distinguir o louco do normal?

Voltando ao tempo presente, posso dizer que a inquietação Machadiana prossegue. Quem é normal? Eu mesmo não tenho certeza se atinjo o padrão de normalidade almejado pela sociedade. Talvez nem seja esta a minha vontade.

Sim, pois a sociedade transmite e impõe o padrão de conduta a ser seguida pelo cidadão dito “normal”. Nesse padrão constam as aspirações corretas, as profissões a serem seguidas, o que cabe ser feito em cada idade, a forma de se vestir, de crer, de falar e de se portar.

Portanto, se você já atingiu os seus 20 e poucos anos prepare-se: é o momento de estabelecer um relacionamento monogâmico estável e pensar no casamento heterossexual. Esse é o normal. Quem não se casa é delicadamente etiquetado de “solteirão”, “solteirona” ou “encalhado”. Quem estabelece relacionamento homossexual, por sua vez, ainda é vítima de discriminação e comentários pejorativos de toda a espécie.

Mas não basta casar, você deve sim fazer uma festa e chamar muitos convidados, mesmo que estes depois saiam falando mal do jantar, da música ou das roupas. Essa festa é, sobretudo, um débito social, uma prestação de contas que merece fotos em colunas sociais, enfim, uma confirmação de que você aderiu ao padrão social daquilo que se entende por normalidade.

Quem se casa precisa comprar uma casa. Se você optar por alugar um imóvel ficará sendo obrigado a repetidamente ouvir a mesma pergunta: – “Afinal, Fulano, quando é que você irá comprar a sua casa”?

Depois de se casar, não se esqueça de que você precisa ter filhos. Não ter filhos é sinônimo de infelicidade e também uma desonra à sociedade e aos avós. Estão absolvidos dessa acusação de desonra aqueles que tentam, mas não conseguem procriar por limitações naturais.

Você deve também comprar um carro, preferencialmente novo, mesmo que seja financiado em muitas parcelas mensais ou que a dificuldade de pagar custe-lhe noites de sono.

Para ser bem visto você deve trabalhar muito. Na verdade precisa trabalhar mais do que o seu corpo e a sua mente aguentam, afinal você se casou, assumiu compromissos, deve sustentar a estrutura do lar, as despesas geradas pelos filhos, os custos de manutenção da casa, do carro, dos empregados, etc. Além disso, deverá ter dinheiro para satisfazer os desejos de consumo que a televisão empurra diariamente para dentro da sua casa, sob pena de estar impedido de acessar a felicidade pós-moderna.

Mas fique tranqüilo! Se você não conseguir pagar as suas contas, poderá então fazer empréstimos, utilizar o bondoso limite do cartão de crédito ou o do cheque especial, mas deve fazer o dinheiro girar no mercado, esta é a sua contribuição mais importante como cidadão normal.

Com tudo isso, caso você comece a sentir tremores, embaraço mental, tristeza, frustração, taquicardia, suor, desespero e outros sintomas de insanidade, procure um médico e tome ansiolíticos, antidepressivos, calmantes e outros dispositivos de manutenção e sedação mental. Isso faz parte e é socialmente bem aceito, pois você está demonstrando que se esforça para ser “normal”.

Por essas razões, assim como Machado de Assis, eu também não me espanto quando me procuram com olhos arregalados para conversar, quando lágrimas e suor escorrem aparentemente do nada, quando sussurram e gritam alternadamente ou quando demonstram medo e agonia em suas falas. São apenas cidadãos socialmente desejáveis que pretendem continuar sendo normais.