26 de janeiro de 2012
O ESTADO DENTRO DE CASA
Segundo a Teoria do Contrato Social, em um determinado momento dos primórdios da civilização, resolvemos ceder uma parte de nossa liberdade individual em troca da proteção do Estado, ente artificial criado pelo homem, que já foi grande como Leviatã e hoje tem seguido uma tendência de diminuição de estrutura.
Ao longo dos tempos, essa benéfica proteção estatal foi muitas vezes deturpada e utilizada como instrumento de perseguição, inclusive por parte da Igreja Romana na época em que comungava explicitamente do poder estatal.
Se é verdade, por um lado, que a forte intervenção do Estado passou a sofrer limitações nas repúblicas democráticas em que impera o Direito, não se pode esquecer que, vez por outra, tais freios não atingem a eficiência devida.
Exemplo disso em nosso país é a imposição do regime legal de separação de bens para o casamento de pessoas com mais de 70 anos de idade.
Para o nosso Código Civil não importa que a pessoa tenha plena sanidade e consciência do ato que está por realizar, se tiver mais de 70 anos será obrigada a casar pelo regime da separação de bens.
É como se, ao completar 70 anos, as pessoas perdessem automaticamente o juízo e tivessem que voltar a ser tratadas como menores de idade para efeitos jurídicos.
A meu ver, trata-se de uma presunção implícita de que, se alguém casa com uma pessoa com mais de 70 anos é movido exclusivamente por interesse patrimonial e não por afetividade. Há também uma presunção de que uma pessoa com mais de 70 anos não reúne condições para decidir a respeito da melhor forma de gerir o seu próprio patrimônio.
Se o nosso Código Civil fosse antigo até se poderia cogitar de que é uma disposição ultrapassada, mas a verdade é que se trata de uma norma recente e que, portanto, representa os atuais anseios de uma sociedade que, cada vez mais, é composta de pessoas com mais de 70 anos de idade.
Outro exemplo de intromissão estatal na vida privada é o teor do projeto em tramitação da chamada “Lei da Palmada”.
É claro que o Estado deve intervir energicamente sempre que for constatada a ocorrência de violência física dentro do lar. Nesses casos, deve o Estado cumprir com o seu papel e impor sanções para que tais atos não se repitam. Aliás, é justamente esse tipo de proteção que se espera do ente estatal.
Todavia, a proibição legal genérica da prática de qualquer tipo de reprimenda física como forma de educação e controle da prole, constitui intromissão abusiva e indevida que o legislativo está em vias de aprovar.
Ao mesmo tempo em que reprovo a violência no lar, penso que um pai deve ter a liberdade de dar uma palmada no filho, quando entender ser necessário para a melhor educação. Não conheço uma só pessoa traumatizada por ter recebido palmadas na infância.
Intromissões como essa, lembram um trecho do Mixná Judaico que regulamenta com detalhes até mesmo a quantidade de relações sexuais que o homem tem o dever de praticar com a sua mulher, partindo de um critério profissional:
“Para homens que têm renda independente de trabalho, todos os dias. Para trabalhadores, duas vezes por semana. Para condutores de burros, uma vez por semana. Para condutores de camelos, uma vez por mês. Para marinheiros, uma vez por semestre.” (Mixná, Ketubot 5:6).
Imagine a dificuldade do marinheiro judeu contar a sua profissão para a namorada! Acho que deve ser mais ou menos assim:
“- Olha Verônica, tenho que te contar um detalhe que venho escondendo há algum tempo.”
“- Você me traiu Rodolfo? Eu te perdôo, pela tua sinceridade…”
“- Não Verônica querida, é que… eu sou marinheiro.”
“- O que? Não acredito, saia daqui, não quero isso para mim, está tudo acabado…”
“- Mas Verônica?”
“- Rodolfo, uma vez por semestre não!”
A brincadeira foi inevitável, mas o assunto é sério. Até quando vamos permitir que o Estado intervenha de forma desmedida em nosso cotidiano? O brasileiro deveria acompanhar melhor o trabalho parlamentar e evitar novas intromissões indevidas que afrontam as liberdades individuais e o modo de convivência que se entende por salutar.
19 de janeiro de 2012
A VOZ DE JANUS
Janus é um antigo deus romano bicéfalo, costumeiramente representado por uma imagem com as cabeças opostas, uma olhando para frente e a outra olhando para trás. Como todo símbolo ou mito, diversas são as possibilidades de interpretação.
Porém, como Janus está situado no calendário Gregoriano, justamente como primeiro mês do ciclo anual (Janeiro), bem ainda, por Janus ser considerado o deus dos portões e passagens, pode-se invocar o sentido da passagem do tempo, ou seja, da relação entre o passado e o futuro (as cabeças opostas de Janus).
Relevante notar que Janus não tem três cabeças, mas apenas duas, ou seja, uma olhando para o tempo passado e outra olhando para o tempo futuro. Para Janus não há o tempo presente, talvez porque o presente seja, justamente, o ponto de conjunção entre o futuro e o passado.
Assim, cada sílaba pronunciada ou letra digitada na tela do computador converte-se automaticamente em tempo passado. Um passado recente é verdade, mas que não volta, exceto pela repetição do ato. Cada respiração, cada passo, cada mastigação, transforma o futuro em um presente fugidio que escapa para o arquivo do passado ou para aquele abismo profundo que chamamos de esquecimento.
Seria muito bom se fosse possível paralisar o tempo presente nos bons momentos, o que só se consegue de modo muito tosco através de filmagens ou fotografias. Até mesmo o ato de escrever chega a ser intrigante, pois o que é presente para o leitor já é passado para o escritor e pode ser parte do futuro de quem ainda não leu.
Mas, se por um lado o presente é um pássaro que o homem não consegue aprisionar, o passado e o futuro é que têm aprisionado o homem.
Todos conhecem pessoas que vivem com a mente no passado, são os nostálgicos, aqueles que relembram com saudade de sua infância, do seu passado ou mesmo de um passado que não vivenciaram, mas que gostariam de tê-lo feito. Estes deixam de viver o presente e pouco se importam com o futuro. Dedicam-se à sua memória.
No outro vértice encontram-se aqueles muitos que vivem “pré ocupados”, ou seja, ocupados mentalmente com um futuro ainda coberto pelo manto da incerteza. O medo ou a ansiedade das possibilidades futuras que se situam fora do controle, tem conseguido tomar as rédeas da vida do homem pós-moderno.
Isto ocorre com tanta intensidade porque nada mais é seguro ou garantido. O que é verdadeiro nesse hoje que nos chega, pode ser falso amanhã. Tenho emprego hoje, mas posso não ter no próximo mês. Sou empresário hoje, mas posso estar falido em breve. O casamento, que era para sempre, agora virou desafio. Investir no que? Acreditar em quem ou no que? Dedicar-se a que? Até que ponto o dinheiro está valendo a pena? Poderei garantir as necessidades de meus filhos? Aproveito o momento ou planto sementes para um futuro melhor? Estarei vivo para aproveitar o futuro?
Essa insegurança decorrente da alucinante rapidez com que o futuro atinge o homem, tem causado mal-estar àqueles que ainda não conseguiram se adaptar à nova realidade líquida e mutante. Se por um lado o rápido desenvolvimento tecnológico trouxe uma série de confortos e melhorias, também gerou efeitos colaterais que a humanidade precisará de tempo para assimilar.
Portanto, silenciemos por um instante para ouvir a voz de Janus. Talvez, como deus dos portões e passagens, ele pretenda nos dizer que a vida é uma contínua passagem. Quem sabe valha a pena deixar Janus cuidar um pouco das questões pessoais do passado e do futuro, para vivermos conscientemente o presente que, como um pássaro arisco, só se deixa perceber por quem está em paz consigo mesmo.
17 de janeiro de 2012
MILÉSIMA POSTAGEM
Comecei a postar neste blog no mês de Janeiro de 2007. Agora, passados exatos 5 anos, o blog atinge a milésima postagem. De forma descompromissada, sem publicidade ou qualquer interesse específico, mantenho o blog apenas como hobby.
Entre fotografias, obras de arte, vídeos, poemas, crônicas, notícias, humor e entretenimento, espero que algo de bom esteja arquivado para os poucos e bons leitores.
16 de janeiro de 2012
VEREADOR DEVERIA SER FUNÇÃO VOLUNTÁRIA!
É assim que penso também. Sem o polpudo salário haveria sensível diminuição de candidatos interessados apenas no dinheiro e não no bem-estar da população. O fim do salário proporcionaria também o surgimento de verdadeiros políticos no sentido nobre da palavra (hoje raríssimos).
12 de janeiro de 2012
SOLDADOS NORTE-AMERICANOS URINAM SOBRE CORPOS DE SUPOSTA MILÍCIA TALEBÃ
O vídeo passou a circular ontem. É apenas mais um. Causa revolta e demonstra falta de humanidade, respeito e bom senso. Não tenho dúvida de que um vídeo dessa natureza demonstra prática de atos de terrorismo. Não deixa de ser uma forma de terror.
Depois de participar de tantas guerras imperialistas, os norte-americanos aprenderam a criar verdadeiros "monstrinhos" que servem de modo irracional aos interesses mais mesquinhos e inconfessáveis do governo.
Só não venham acusar os países do oriente-médio de terrorismo, pois quem invade territórios alheios e pratica todo o tipo de atrocidade são os próprios norte-americanos. Terrorismo, gera terrorismo. O mal causa o mal. É uma questão de ação e reação.
Não venham também reclamar do ódio e de toda a antipatia que cresce ao redor do mundo, pois é mero resultado das ações gananciosas e inescrupulosas praticadas pelo governo desse país que se julga proprietário do planeta.
Não se trata também de fato isolado, pois quem já leu o mínimo de entrevistas de ex-soldados e acompanhou outros vídeos postados no Youtube ou transmitidos pela televisão, nota a carnificina desenfreada e irracional, praticada pelos militares da nação que se autoproclama como defensora da liberdade mundial.
9 de janeiro de 2012
PSICO-LAGARTIXA
Os olhos grudados em mim,
E as patas coladas no teto.
Será agora meu triste fim?
Acho que me tornei inseto.
Ela me olha, não a vejo,
Se a procuro, ela some.
Ela caça, eu não percebo,
Se titubeio, ela me come.
Quando não a vi, ela piscou.
Como quem diz, só de birra,
Pode contar, ninguém acredita.
Mas o que ficou foi a beleza,
De não ter visto a lagartixa,
Que me queria em sua mesa.
22 de dezembro de 2011
ADEUS 2011, BEM-VINDO FIM DO MUNDO
Quem ainda não ouviu falar no grande “evento” de fim do mundo programado para o final de 1999 e, depois, para a virada entre os anos 2000 e 2001? Teve até um grupo inteiro de uma seita que se suicidou (isso que é ansiedade) para não ter que passar pelo sofrimento do fim do mundo.
Lembro-me que, na época, assisti ao vídeo em que uma religiosa aconselhava as pessoas a manter as portas e janelas lacradas, fazer estoque de alimentos, imposição de mãos para magnetizar a água (?) e demais providências para aumentar a sobrevida durante o apocalipse.
Ora, se fosse realmente para acabar o mundo de que adiantaria fazer estoque de alimentos? Melhor seria sentar num barranco na beira de um rio e esperar o show de fogos.
Mas o milênio virou e, para a desgraça de muitos, a vida no planeta continuou. Religiões, seitas, profetas, adivinhos e outros esclarecidos tiveram que fazer mudanças, afinal, previsão de fim do mundo que se preze muda de data!
Sim, porque depois daquele fim do mundo frustrado, a onda agora é outra, muito mais sofisticada. O lance é que estávamos nos baseando no calendário errado, entendeu? Também, como é que poderia se esperar algo do calendário Gregoriano?
Certo mesmo é o calendário dos Maias! Esse é muito mais legal, dividido em duas contagens de ciclos e, para demonstrar o fim do grande ciclo temos que levar em conta a chamada contagem longa. Pois bem, essa tal contagem longa não tem previsão de recomeço. Ora, se não há previsão de novo ciclo, então a única conclusão plausível é que se trata do fim do mundo, certo?
Simples, claro e indiscutível, não?
Assim sendo, nos últimos anos, milhares ou milhões pelo mundo se impressionaram com a chamada “Profecia Maia” que, aliás, de profecia não tem nada. Trata-se de um equívoco hermenêutico que está sendo capitalizado por alguns e comprado por uma multidão de ingênuos assustados.
Por conta disso, temos que ficar aguentando os meios de comunicação explorando, torcendo e distorcendo o tema à exaustão, para atrair audiência e vender comerciais.
Pessoalmente, não suporto mais esses pseudo documentários do Nat Geo e do History Channel falando da Profecia Maia e das Profecias de Fim do Mundo em geral.
Com tantos temas interessantes de história, vida animal, sociologia, antropologia e arqueologia, esses canais continuam exibindo besteirol de péssima qualidade e procedência.
Não quero dizer que sou um cético para tudo que não seja evidenciado pelos meus cinco sentidos, mas o bom senso recomenda certos limites.
A respeito do fim do mundo, prefiro pensar que muitas pessoas estão acabando individualmente com os seus mundos e suas vidas, ao tomarem decisões erradas ou ao serem vítimas de seus semelhantes. No conjunto, infelizmente, estamos lentamente cometendo a mesma tolice ao não cuidar do planeta, do ambiente que nos cerca e privilegiando o imediatismo, o lucro fácil, alienado e irresponsável.
Porém, o planeta sobreviverá ainda por algum tempo suportando a ganância humana em subtrair-lhe todos os recursos sem piedade. Não seremos nós, caros leitores, que presenciaremos o término da vida na Terra.
Agora, uma coisa é certa, os Maias nunca imaginaram que tanta gente iria, num futuro distante, interpretar tão pateticamente o seu calendário astronômico.
19 de dezembro de 2011
15 de dezembro de 2011
QUEM É VOCÊ?
No cotidiano são constantes as apresentações nas relações interpessoais, sejam físicas, telefônicas ou virtuais por e-mail, blog, twitter, facebook e outras ferramentas de relacionamento.
Nesses momentos, particularmente, não gosto de apresentações rotuladoras, que são as mais comuns. Tenho esse direito. Não gosto de rotular os outros e, por isso, não gosto de ser rotulado.
Nunca vou me esquecer da apresentação pessoal que, estarrecido, fui obrigado a presenciar. Sem mentiras ou exageros, ouvi as seguintes palavras: “- Muito prazer, meu nome é Fulano de Tal, sou advogado, tenho uma imobiliária e um Audi A6”.
Como assim? Quem perguntou o que você tem, cara pálida? Então você é o que você tem? Por si mesmo não é nada? Com uma apresentação dessas, fica a impressão de se estar conhecendo um patrimônio e não uma pessoa.
Com essa falta de tolerância já surpreendi telefonistas de empresas naquele diálogo inicial de apresentação:
- FSJ Equipamentos, bom dia!
- Alô, eu gostaria de falar com o Sr. Marcos.
- Quem fala?
- É o Darwinn.
- Darwinn de onde?
- Da minha casa.
- O Sr. é de qual empresa?
- Não moça, eu sou o Darwinn e quero falar com o Sr. Marcos, podes passar a ligação por favor?
- Certo Sr., um minuto…
Ora, quer dizer agora que tenho que ser “de alguém”? Meu nome já não é mais suficiente para me apresentar? Quantos “Darwinns” será que eles atendem por dia, mês ou ano?
Na internet a apresentação passa, necessariamente pelo conceito de perfil e, geralmente decorre de uma resposta à seguinte questão: “Quem sou eu?”
No momento de responder a essa pergunta, pouca gente pára e reflete sobre a profundidade da questão que está por trás da descrição do seu perfil pessoal. As respostas mais comuns são algo como o perfil do narcisista: “Sou divertido, loiro, alto, gosto de malhar e de conhecer pessoas novas.”
Há também aquela apresentação de estilo Poliana: “Sou extrovertida, simpática, gosto do meu trabalho e dos meus amigos”. Ao intitular-se “simpática” já perdeu, pelo menos, três pontos.
E o que dizer dos perfis curriculares encaixotados: “Sou matemático, fiz pós em trigonometria na UNESP, gosto de jogar xadrez e da série The Big Bang Theory”.
Mas pense um pouco no título dessa crônica: “Quem é você?” Será que consegue responder com certeza ao se abstrair de seus papeis sociais?
Será que somos a nossa profissão ou classe social? Será que somos a cor dos nossos olhos ou do nosso cabelo? Será que somos o sorriso solto ou a cara amarrada?
Particularmente prefiro o caminho inverso, o da exclusão, ou seja, o de responder aquilo que sei que não sou. Talvez por exclusão se atinja um resultado mais exato. Por exemplo: eu sei que não sou a minha profissão, sei que não sou a cor dos meus olhos ou cabelos, tampouco meu humor ou classe social.
Fisicamente, por telefone ou via internet continuaremos diariamente a nos apresentar, dizendo uns aos outros o que achamos que somos, uns despreocupados, outros, torcendo para serem bem aceitos, uns querendo se vender para o mundo, outros desejando doar-se, uns querendo entrar e outros, sair.
8 de dezembro de 2011
E ENTÃO É NATAL!
Podem me chamar de mal humorado, mas a verdade é que não sei lidar bem com esse Natal embrulhado, empacotado e empurrado goela abaixo que se vive nos dias atuais.
Há trinta e quatro anos que sou atormentado pelas mesmas músicas, mesmos programas de televisão, mesmas frases prontas nos cartões de Natal, enfim, uma nauseante repetição em favor de uma tradição religiosa que há muito se converteu em objeto de puro comércio.
Concordo com a resposta do poeta Drummond quando perguntado sobre o que pediria ao Papai Noel se o encontrasse: “Pediria a ele que parasse de encher o meu saco!”
O leitor pode até achar que estou exagerando, mas quando entro em um Shopping Center e escuto aquelas músicas natalinas “inéditas”, chego a sentir calafrios.
Ora, convenhamos que as crianças sentem-se eufóricas com o Natal não porque tal data representa, simbolicamente, o nascimento de Jesus de Nazaré. A verdade é que as crianças querem ganhar os presentes que o velhinho pop star do capital tem a obrigação de lhes dar. Leram bem: “obrigação”.
Pergunte a uma criança o que significa o Natal e ela provavelmente responderá: “Papai Noel e brinquedo.” A culpa, obviamente, não é da criança, mas sim dos adultos que acham linda essa ideia inteligente de reduzir e converter uma tradição prenhe de significados a uma troca de bens materiais.
Sejamos sinceros, pouca gente se lembra do motivo da festividade. Os presépios, por exemplo, deveriam sinalizar a simplicidade e a humildade do ambiente em que nasceu o grande ícone do Cristianismo. Porém, devido a pirotecnia comercial do luxo hipermoderno quase não se veem presépios nas comemorações natalinas. O que mais se vê mesmo é a figura do Papai Noel com o seu saco abarrotado de presentes.
De certa forma é até bom que a imagem do presépio não esteja tão presente nas vitrines, pois não duvidaria ver os manequins das personagens vestindo roupas de grife internacional, relógios dourados nos pulsos, um berço de dez mil reais e outros adereços escandalosamente etiquetados.
Pecado? Bom, pecado hoje é não gastar bastante dinheiro com presentes no Natal! Quem tem dinheiro ou crédito (porque não é mais necessário ter dinheiro), mas se recusa a colaborar com o giro da grande roda, pratica tamanha atrocidade que certamente irá para o mais profundo dos infernos, sem escalas, tampouco direito de defesa.
E então é Natal, festa de luz, reunião de familiares que muitas vezes falam mal uns dos outros pelas costas, mas que na noite de véspera cumprimentam-se simpaticamente, forçam sorrisos e aguentam (quando aguentam) algumas horas de convivência sob o mesmo teto. Encerrada a comemoração, inicia-se mais um ano de maledicência, rancor e mágoas.
E então é Natal, o empregado ambicioso que pisa na cabeça dos colegas, o político corrupto, o cidadão corruptor, o chefe impiedoso com os subordinados e outras figuras tão humanas têm o intervalo de algumas horas para sentirem-se comovidos. A consciência não chega a doer, mas faz leves cócegas a ponto de convencer os menos resistentes a fazer uma boa ação em favor dos miseráveis e desafortunados.
E então é Natal, pinheiros com neve de algodão, alto índice de suicídios, picos de depressão, crediário, inadimplência em janeiro e fevereiro, cartões de crédito, promoções, comércio, comércio e mais comércio.
E então é Natal, tomara que os dias passem rapidamente. Sempre que se inicia o mês de Dezembro, espero ansiosamente pelo dia vinte e seis.
7 de dezembro de 2011
PROCON DE SÃO PAULO MULTA REDE MC DONALD´S EM MAIS DE R$ 3 MILHÕES
A Fundação Procon de São Paulo multou a rede lanchonetes McDonald’s em R$ 3,192 milhões pela prática de venda de alimentos com brinquedos, no conjunto conhecido com McLanche Feliz. A multa partiu de denúncia do Projeto Criança e Consumo, do Instituto Alana, organização não governamental (ONG) que trata de consumo infantil.
A denúncia foi feita em 2010. A ONG argumenta que a associação entre a venda de alimentos e brinquedos “cria uma lógica de consumo prejudicial e incentiva a formação de valores distorcidos, bem como a formação de hábitos alimentares prejudiciais à saúde”.
A estratégia da rede de fast food é juntar ao lanche um brinde com personagens conhecidos pelo público infantil. De acordo com o Procon, desde a denúncia, em 2010, mais de 18 campanhas dirigidas a crianças foram feitas pelo McDonald’s. Na atual, os brindes são personagens do filme O Gato de Botas.
A denúncia foi feita em 2010. A ONG argumenta que a associação entre a venda de alimentos e brinquedos “cria uma lógica de consumo prejudicial e incentiva a formação de valores distorcidos, bem como a formação de hábitos alimentares prejudiciais à saúde”.
A estratégia da rede de fast food é juntar ao lanche um brinde com personagens conhecidos pelo público infantil. De acordo com o Procon, desde a denúncia, em 2010, mais de 18 campanhas dirigidas a crianças foram feitas pelo McDonald’s. Na atual, os brindes são personagens do filme O Gato de Botas.
A rede MC Donald´s pode recorrer da multa.
Fonte: www.espacovital.com.br
6 de dezembro de 2011
1 de dezembro de 2011
QUEM É NORMAL?
Lá nos idos de 1896, Machado de Assis escreveu uma crônica tratando da paciência que tinha para ouvir o que as pessoas queriam lhe contar. Ele dava valor ao ato de ouvir o interlocutor. Eram notícias e discursos inflamados, vindos de pessoas que arregalavam os olhos durante a conversa, apertavam-lhe o braço ou puxavam-no pela gola da camisa.
Contou também que havia perdido o sentimento de segurança desde a noticiada fuga no “Hospício de Alienados”. A partir disso, uma dúvida passou assaltar-lhe o sossego. Como poderia dali para frente ter ele a segurança de que o seu interlocutor não era um dos loucos fugitivos do hospício? Quem lhe asseguraria a normalidade mental do interlocutor? Qual o método para distinguir o louco do normal?
Voltando ao tempo presente, posso dizer que a inquietação Machadiana prossegue. Quem é normal? Eu mesmo não tenho certeza se atinjo o padrão de normalidade almejado pela sociedade. Talvez nem seja esta a minha vontade.
Sim, pois a sociedade transmite e impõe o padrão de conduta a ser seguida pelo cidadão dito “normal”. Nesse padrão constam as aspirações corretas, as profissões a serem seguidas, o que cabe ser feito em cada idade, a forma de se vestir, de crer, de falar e de se portar.
Portanto, se você já atingiu os seus 20 e poucos anos prepare-se: é o momento de estabelecer um relacionamento monogâmico estável e pensar no casamento heterossexual. Esse é o normal. Quem não se casa é delicadamente etiquetado de “solteirão”, “solteirona” ou “encalhado”. Quem estabelece relacionamento homossexual, por sua vez, ainda é vítima de discriminação e comentários pejorativos de toda a espécie.
Mas não basta casar, você deve sim fazer uma festa e chamar muitos convidados, mesmo que estes depois saiam falando mal do jantar, da música ou das roupas. Essa festa é, sobretudo, um débito social, uma prestação de contas que merece fotos em colunas sociais, enfim, uma confirmação de que você aderiu ao padrão social daquilo que se entende por normalidade.
Quem se casa precisa comprar uma casa. Se você optar por alugar um imóvel ficará sendo obrigado a repetidamente ouvir a mesma pergunta: – “Afinal, Fulano, quando é que você irá comprar a sua casa”?
Depois de se casar, não se esqueça de que você precisa ter filhos. Não ter filhos é sinônimo de infelicidade e também uma desonra à sociedade e aos avós. Estão absolvidos dessa acusação de desonra aqueles que tentam, mas não conseguem procriar por limitações naturais.
Você deve também comprar um carro, preferencialmente novo, mesmo que seja financiado em muitas parcelas mensais ou que a dificuldade de pagar custe-lhe noites de sono.
Para ser bem visto você deve trabalhar muito. Na verdade precisa trabalhar mais do que o seu corpo e a sua mente aguentam, afinal você se casou, assumiu compromissos, deve sustentar a estrutura do lar, as despesas geradas pelos filhos, os custos de manutenção da casa, do carro, dos empregados, etc. Além disso, deverá ter dinheiro para satisfazer os desejos de consumo que a televisão empurra diariamente para dentro da sua casa, sob pena de estar impedido de acessar a felicidade pós-moderna.
Mas fique tranqüilo! Se você não conseguir pagar as suas contas, poderá então fazer empréstimos, utilizar o bondoso limite do cartão de crédito ou o do cheque especial, mas deve fazer o dinheiro girar no mercado, esta é a sua contribuição mais importante como cidadão normal.
Com tudo isso, caso você comece a sentir tremores, embaraço mental, tristeza, frustração, taquicardia, suor, desespero e outros sintomas de insanidade, procure um médico e tome ansiolíticos, antidepressivos, calmantes e outros dispositivos de manutenção e sedação mental. Isso faz parte e é socialmente bem aceito, pois você está demonstrando que se esforça para ser “normal”.
Por essas razões, assim como Machado de Assis, eu também não me espanto quando me procuram com olhos arregalados para conversar, quando lágrimas e suor escorrem aparentemente do nada, quando sussurram e gritam alternadamente ou quando demonstram medo e agonia em suas falas. São apenas cidadãos socialmente desejáveis que pretendem continuar sendo normais.
30 de novembro de 2011
CRIATÓRIO CENTRAL DE MOSQUITOS (JARAGUÁ DO SUL)
Entre a ciclovia e a linha férra, em localização central de Jaraguá do Sul, há anos que se constata acúmulo de água sem escoamento ou drenagem. Não adianta somente as pessoas evitarem a água parada em suas residências se o poder público não faz a lição de casa.
A fotografia eu vi lá no http://www.poracaso.com/
26 de novembro de 2011
PREGUIÇA E NEPOTISMO (POR PATRÍCIA MORAES)
De um lado bateu a preguiça em alguns parlamentares da Câmara de Vereadores de Jaraguá do Sul. Se aprovassem a abertura de uma Comissão Processante contra a Prefeita Cecília Konell (PSD), o grupo teria 90 dias para concluir os trabalhos, incluindo a oitiva de testemunhas, a finalização e votação do relatório final. O que significa dizer que as férias ficariam comprometidas. De outro, o recado que fica é que sete vereadores, de um total de 11, são a favor da contratação de parentes para administração pública. Podem até discursar em sentido oposto, mas na noite de quinta-feira revelaram a sua verdadeira face. Lorival Demathê (PSD), Afonso Piazera (PR), Ademar Possamai (DEM), Amarildo Sarti (PV) e José Osório de Ávila (PSD) disseram não à investigação e sim ao nepotismo. Já Ademar Winter (PSDB), por deliberação do partido, teve que ser mais discreto e se absteve. E a surpresa ficou mesmo com Jean Leutprecht(PC do B), que covardemente não apareceu para a sessão. Ao lado da Lei Orgânica do Município ficaram apenas Natália Petry (PMDB), e os petistas Justino da Luz e Francisco Alves. O presidente, Jaime Negherbon (PMDB) só votaria em caso de empate, mas antes mesmo do resultado garantiu que se pudesse votar aprovaria a Comissão Processante. Ronaldo Raulino (PDT) até pode ter se promovido com o pedido, mas acabou ajudando a derrubar algumas máscaras.
(Texto publicado no Jornal O Correio do Povo de 26/27 de novembro de 2011).
OPINIÃO:
A jornalista merece elogio pela integridade e isenção do texto. Boa parte dos vereadores não representa, como deveria, os interesses da população jaraguaense. Alguns preferem fechar os olhos, fingir que não enxergam as ilegalidades e desmandos, enfim receber o salário de vereador, mas não cumprir com os deveres (de participação ativa e fiscalização) que assumiram perante o eleitorado.
Vou sugerir a quem puder, que não reeleja nenhum vereador nas próximas eleições. A renovação das cadeiras será a melhor mensagem de insatisfação que poderemos transmitir àqueles que pretendem ocupar essa função pública.
25 de novembro de 2011
24 de novembro de 2011
CAPITAL X LIBERDADE
Nós somos realmente muito inteligentes. Recebemos um planeta inteiro de possibilidades e recursos gratuitos. Através do uso da razão conseguimos convertê-lo em uma mercadoria cara, de acesso restrito.
Fundamentados em nossa superioridade na escala evolutiva, bem como em passagens de textos sacralizados, supostamente escritos ou inspirados por Deus, conseguimos, em pouco tempo, precificar os recursos naturais e dizimá-los dentro de nosso insano sistema de trocas que consegue enxergar apenas o presente.
À guisa de exemplo, o pequeno trecho bíblico a seguir transcrito, serviu de pretexto para aplacar o peso na consciência daqueles que durante tanto tempo exploraram e exauriram os recursos naturais (afinal, estavam apenas cumprindo o mandamento celestial):
Então Deus disse: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança. Que ele reine sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos e sobre toda a terra”. Deus criou o homem à sua imagem; criou-o à imagem de Deus, criou o homem e a mulher. Deus os abençoou: “Frutificai disse ele, e multiplicai-vos, enchei a Terra e submetei-a. Dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todos os animais que se arrastam sobre a Terra”.
(Gênesis – Capítulo 1, versículos 26-28).
Segundo a UNESCO, atualmente, cerca de um terço dos sete bilhões de habitantes do planeta vive em miséria absoluta e passa fome. Ultrapassamos em aproximadamente vinte por cento a capacidade de regeneração dos recursos do planeta e a espécie humana está conseguindo, graças à sua soberania frente aos demais seres, eliminar paulatinamente todos aqueles que não lhe são úteis.
Sim, o utilitarismo social foi pervertido pelo capital e levado às últimas consequências. Somente os seres vivos que têm utilidade são mantidos dentro de um padrão de segurança para a sua existência. Aqueles que não servem como alimento, entretenimento, luxo, remédio, combustível ou que não sejam facilmente reproduzíveis, estão condenados ao desaparecimento.
Esse utilitarismo também se aplica aos próprios seres humanos. Só é valorizado aquele que pode colaborar ativamente com o giro da grande roda mágica do capital. Idosos, analfabetos, deficientes ou mesmo aqueles que não se enquadram na lógica imposta, são vistos algumas vezes como fardos para a sociedade, verdadeiros marginais no sentido de se situarem à margem do sistema.
Nosso avançado sistema de trocas comerciais, esse mesmo que transformou o nosso planeta em um produto, foi também capaz produzir tamanha alteração no ambiente que a liberdade por si só, perdeu muito do seu sentido.
Atualmente a liberdade só faz sentido para quem dispõe de dinheiro para utilizá-la. Sem dinheiro não há sequer como satisfazer as necessidades básicas de sobrevivência, o que se dirá de usar dignamente da liberdade de locomoção e de opinião.
Somos fundamentalmente livres segundo o texto de nossa Constituição Federal, mas livres para que? Livres para funcionar como peças uniformes, inconscientes e alienadas? Engrenagens de carne movidas por desejos pueris e necessidades criadas pelo marketing?
O brasileiro, por exemplo, que trabalha um mês inteiro e leva um salário mínimo para a sua família é considerado livre. Porém, como exercerá a sua liberdade? O que poderá ele fazer durante o seu exíguo tempo de lazer?
O capitalismo é realmente um sistema engenhoso que conseguiu transformar o antigo escravo em uma peça facilmente substituível ainda mais barata e que não pode sequer reclamar da falta de liberdade. Se quiser ir embora, que vá. Fuja do sistema, se puder...
17 de novembro de 2011
TERAPIA CULINÁRIA
É noite de quarta-feira, o sol já se pôs e mais um dia movido a cortisol e adrenalina vai chegando ao final.
Enquanto o oriental senta paralisado e concentra-se para esvaziar a mente, eu medito cortando cebola, alho, tomate, pimentão, cheiro verde e temperando postas de peixe.
Panela de barro sobre a pia, lentamente coloco uma camada de peixe, sal, uma camada de temperos, sal, nova camada de peixe e outra de temperos, até chegar pouco antes da borda.
O processo corporal é de semiconsciência. Não penso no que estou fazendo para não errar. A consciência traz o erro e afasta a sensibilidade das quantidades e medidas de ingredientes.
Sobre os ingredientes derramo leite de côco, azeite de dendê, pimenta do reino e um pouco de Curry.
Nesse estágio os problemas cotidianos já parecem mais distantes, a mente começa a descansar, o coração bate mais lento e a respiração diminui seu ritmo.
Hora de ligar o fogo e, enquanto o calor penetra nos ingredientes, arrumo detalhadamente a mesa para o jantar. Não perco de foco que o mais importante é o ritual, o caminho, a viagem para chegar no destino gastronômico e não este em si.
No momento em que a mesa está pronta, o aroma de moqueca já perfuma a casa e instiga o apetite. A alquimia culinária está em pleno vapor. O que era peixe agora é cebola, o que era cebola agora é pimentão e o que era pimentão agora é alho.
Hora de apagar o fogo e deixar descansar a moqueca e o corpo, ambos mudados de formas diferentes, através dos vários ingredientes que os formam.
Resta ainda a refeição em si, que deve ser lenta, acompanhada de boa conversa, farinha de mandioca e música para a alma.
Com o término do jantar conclui-se a sessão da terapia culinária. Depois da sessão, nada de televisão ou internet. Hora de ler um pouco, sublinhar textos interessantes a meia luz, refletir sobre novas ideias e aguardar o irresistível aumento de peso das pálpebras.
11 de novembro de 2011
SOBRE AS CRIANÇAS
Sim, julgo às vezes, considerando a diferença hedionda entre a inteligência das crianças e a estupidez dos adultos, que somos acompanhados na infância por um espírito da guarda, que nos empresta a própria inteligência astral, e que depois, talvez com pena, mas por uma lei mais alta, nos abandona, como as mães animais às crias crescidas...
Bernardo Soares (heterônimo de Fernando Pessoa).
COMPREI ONTEM NO SUPERMERCADO - IMAGEM É TUDO!
A fome bate, você compra o produto no supermercado, chega em casa, aquece, abre e vem aquela SURPRESA!
7 de novembro de 2011
3 de novembro de 2011
CONTANDO UMA NOVIDADE
Em recente viagem, tive uma conversa com um guia de uma cidade no interior de Alagoas. Estávamos olhando um grupo de macacos próximos de nós, quando o guia do passeio iniciou o seguinte diálogo:
- Acho que o macaco gostou do senhor!
- Vai ver é pelo meu nome.
- Que nome?
- Darwinn, oras...
- E o que é que tem?
- Darwin foi o cientista que sistematizou a Teoria da Evolução das Espécies.
- E o que diz essa teoria?
- Ora, você nunca ouviu falar? Fala que o homem evoluiu do macaco.
Então com olhos esbugalhados, boca aberta e uma cara de quem havia visto o demônio na frente, o guia disse:
- Não pode!
- Por que não?
- Porque na Bíblia está escrito que no princípio era o Verbo.
- Sim, você se refere ao Evangelho de João.
- Sim, é mais confiável. Com todo respeito ao seu nome, nesse tal de Darwin não dá pra confiar, não. Nem conheço o cara!
E ali terminou o quase-debate entre dois grandes teóricos do Evolucionismo e do Criacionismo.
3ª FEIRA DE ANIMAIS PARA ADOÇÃO EM JARAGUÁ DO SUL (SC)
3ª FEIRA DE ADOÇÃO DE ANIMAIS
"Adote com consciência "
Dia 05/11/2011 (sábado legal)
Horário: 09h às 11h30
Local: Praça Ângelo Piazera, fundos do Museu Municipal
Em caso de chuva: Cancelado!
"Adote com consciência "
Dia 05/11/2011 (sábado legal)
Horário: 09h às 11h30
Local: Praça Ângelo Piazera, fundos do Museu Municipal
Em caso de chuva: Cancelado!
PALESTRAS MOTIVACIONAIS
Há tempos que as empresas contratam desportistas, artistas, navegadores e celebridades em geral para, volta e meia, proferirem palestras motivacionais aos seus empregados, principalmente da área de vendas.
O objetivo desse investimento é que tais ícones sociais falem de suas histórias de (relativo) sucesso e revigorem o estado de ânimo dos empregados, com vistas a incrementar o desempenho de determinados setores da empresa ou desta como um todo.
Assim sendo, geralmente no momento final da convenção empresarial, surge o navegador falando aos empregados do escritório que a vontade em vencer desafios é que o tornou bem sucedido; pode aparecer também a profissional do basquete falando que a virtude da persistência em atingir as metas do seu time é que lhe conduziu ao sonho olímpico; e até a ilustre ex-anônima sorteada (ou indicada por seus dotes físicos) para participar do BBB ganha dinheiro para falar da importância de serem traçadas estratégias vencedoras para faturar o grande prêmio da vida real.
Porém, antes de os empregados estarem motivados para cumprir as metas propostas, penso que eles, precisam ser vistos como seres humanos e, a partir disso, incentivados a buscar razões para viver e viver bem.
Para isso é necessário primeiro procurar respostas para aquelas questões Titânicas: você tem fome de que? Você tem sede de que?
Por muito tempo, a religião cumpriu com esse papel. As hordas de fieis acreditavam piamente nas promessas de vida eterna no paraíso, o que aplacava sofrimentos, anestesiava os ânimos e justificava as desigualdades da vida na Terra (repetia-se que era mais fácil um camelo passar por um buraco de agulha do que um rico entrar no reino dos céus).
Entretanto, depois da emblemática morte de Deus anunciada por Nietzshe, esse estado de coisas (e principalmente de ideias), tem passado por profundas mudanças. A sociedade vem depositando e concentrando as suas esperanças no indivíduo corpóreo e material. Aos poucos, o senso de unidade (comum unidade – comunidade) foi sendo também dissipado e transferido para a figura do indivíduo, único responsável por sucessos ou fracassos.
Nesse cenário é que o indivíduo passa a se perguntar: trabalhar com afinco, objetivar a perfeição, cumprir metas extenuantes, para que? O que o espera na velhice ou na morte? Vale a pena o risco do fracasso? Será ele mais um a engordar as grossas fileiras de excluídos do padrão de sucesso? E sucesso até quando? Existe permanência no atual cenário líquido e mutante?
Na realidade, a palavra-chave da motivação sempre será “acreditar”. O ser humano, para sentir-se motivado precisa, antes de tudo, acreditar em algo, em uma ideia, em uma proposta ou ideologia. É justamente por essa razão que as religiões funcionaram eficazmente durante muito tempo e, em alguma medida, ainda funcionam.
Essa aspiração essencialmente humana de crer, de procurar uma causa para viver foi bem ilustrada pela Legião Urbana na canção Índios:
Quem me dera ao menos uma vez
Acreditar por um instante em tudo que existe
E acreditar que o mundo é perfeito
E que todas as pessoas são felizes.
É por isso que acho engraçadas essas palestras motivacionais proferidas por ex-participantes de reality shows e outros magos do sucesso instantâneo. Na verdade, reputo-as como investimentos de retorno duvidoso.
Como disse acima, o ser humano precisa de uma verdade para acreditar, de uma convicção para defender, de um ideal para cultivar. É daí que surge a verdadeira motivação.
Não é por acaso que José Ingenieros iniciou o seu clássico O Homem Medíocre, com as seguintes palavras: “Quando você dirige a proa visionária para uma estrela e estende a asa para tal excelsitude inalcançável, no afã da perfeição e rebelado contra a mediocridade, leva com você a mola de um ideal.”
O que vale, portanto, é identificar a mola propulsora do homem (a verdade a ser acreditada) em direção ao melhor, ao perfeito e às virtudes desejadas, o que não se consegue com palestras de fim de convenção, e sim, através de um trabalho contínuo de aproximação e relacionamento com as pessoas, apresentação de objetivos claros, justos e coerentes da organização, bem como com a demonstração de que através da consecução de tais objetivos será possível a satisfação, ao menos em parte, das aspirações pessoais de quem estiver envolvido.
1 de novembro de 2011
VIVER COM CONSCIÊNCIA
Com um excelente poder de síntese, falando apenas o necessário e suficiente, o entrevistado disse tudo e disse muito bem.
Obs. Vi este vídeo lá no www.bacafa.blogspot.com
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