15 de setembro de 2011

HIPERMODERNISMO, CORRUPÇÃO E EDUCAÇÃO

Cerca de trinta anos após o surgimento do fenômeno denominado de “globalização”, verifica-se que para globalizar os mercados consumidores, a grande mídia trabalhou com muita competência e eficácia na padronização da cultura, no modo de comunicação, nos critérios de análise econômica, nos padrões de relações exteriores entre os países, bem como na estratégia do fluxo de tecnologia. 

Através deste caminho, os objetos de desejo e de consumo já são quase os mesmos na Europa e na América do Sul, por exemplo. Graças a essa inteligente estratégia, o deus mercado consegue ser onipotente e onisciente em relação às suas fieis ovelhas consumidoras.

Não é por acaso que as grandes marcas conseguem agradar públicos de continentes diferentes vendendo os mesmos sabores, aromas, tecidos, modelos e através de forma semelhante de comunicação midiática.

Hoje não é mais suficiente produzir uma mercadoria. É necessário impregná-la de sentido, de valores culturais que atraiam o público consumidor. É norma que o produto carregue uma potencial identificação com aquele o consome.

Atuando dessa forma, o ente produtor consegue obter como resultado o consumo irrefreável, descontrolado, desorientado e compulsivo. É dessa forma que uma marca consegue fazer consumidores ficarem aguardando horas em filas quilométricas, no frio intenso ou no calor, apenas para consumar o ato de consumir.

O problema fica por conta da desorientação, da falta de parâmetros de quem age de forma bovina, deixando-se levar pela ditadura da cultura do deus mercado que, por sua própria natureza é egocêntrica.

O narcisismo e o egocentrismo estão sendo levados pela cultura massificada a um ponto nunca antes atingido na história. Não há mais a preocupação com os valores da coletividade, mas sim a estrita satisfação dos desejos pessoais e mais imediatos.

Isto se reflete também no campo das funções públicas que estão sendo exercidas, via de regra, apenas para benefício do próprio titular e não do bem comum. Prevalece hoje a regra de que o sucesso é ter dinheiro para estar mais próximo do deus mercado. Quem não tem é marginal, ou seja, está à margem do mercado e, portanto, da sociedade de consumo.

É a partir disso que se veem escândalos envolvendo desvios de dinheiro público que deveria ser utilizado no fornecimento de merenda escolar de qualidade, compra de medicamentos para hospitais públicos, construção de escolas e creches, dentre outras formas execráveis de ataque à coisa pública.

A moralidade do hipermodernismo não condena com a veemência que deveria, o sanguessuga do dinheiro público, o verme que aufere salários sem trabalhar na função pública, o administrador desonesto que promove todo o tipo de acordos, os vereadores e deputados que permutam os seus votos por vantagens pessoais, dentre outras condutas estúpidas que corriqueiramente são vistas.

No setor privado não é diferente, pois há o empresário corruptor do político, o cidadão que tenta corromper o policial, o professor que finge lecionar para ganhar salário, o empregado que pede vantagens aos fornecedores para elegê-los nas compras, dentre outras hipóteses.

A verdade é que com a derrocada dos valores morais, nossa sociedade está corrompida de forma geral, precisando de ajustes emergenciais que só virão através de uma educação de qualidade voltada à formação humanística de seres que possam atuar com desenvoltura e critério na complexa hipermodernidade.

14 de setembro de 2011

CONDENADO HOMEM QUE MATOU CÃO A PAULADAS

Um homem foi condenado no Rio Grande do Sul por atacar a pauladas até a morte uma cadela da raça pit bull que não impediu o furto a sua casa. A decisão é da Turma Recursal Criminal do Tribunal de Justiça do estado, que manteve decisão do Juizado Especial Criminal de Pelotas, onde o crime ocorreu em julho de 2008. A pena estipulada pelo crime é de 5 meses e 10 dias de detenção, mais multa.

O caso começou a ser investigado após a Polícia Militar ter sido chamada no dia dos fatos por vizinhos. Ao chegar a casa do homem, um policial encontrou a cadela da raça pit bull morta, com a cabeça esfacelada e machucada.

O dono do animal informou ao PM que tinha sido vítima de um furto na sua casa e ficou com raiva do cão, que não impediu o arrombamento.

O dono teria dito que, “já que não prestava para cuidar da casa”, segundo a versão que teria sido apresentada no processo, ele matou o animal a pauladas com uma barra de ferro.

Denunciado pelo Ministério Público, o proprietário do cão não compareceu à Justiça e foi condenado à revelia, segundo o TJ. A defesa apelou, alegando insuficiência de provas, pois a condenação teria se baseado tão-somente na palavra do policial que atendeu à ocorrência e que não havia presenciado o crime.

A juíza relatora do recurso considerou que as provas eram suficientes para condenar o dono do animal. Apontou que o crime está demonstrado por boletim de ocorrência e que o policial militar apresentou relato seguro e consistente sobre o fato. Além disso, no dia do crime, o proprietário do cão teria confessado à morte ao delegado que registrou a ocorrência.

Os juízes da Turma Recursal Criminal apoiaram o voto da relatora e a condenação pelo assassinato do cachorro foi matida pela Justiça, informou o TJ-RS.

12 de setembro de 2011

MANIFESTO DO DCE DA CATÓLICA/SC CONTRA A CORRUPÇÃO

O dia 10 de setembro de 2011 vai ficar marcado na história de Jaraguá do Sul, pois aconteceu o primeiro manifesto de repúdio e combate à corrupção em todas as esferas, Municipal, Estadual e Federal. Tivemos a participação de professores, aposentados, pessoas anônimas que passavam no local da manifestação e nos apoiavam com salva de palmas, alunos da Católica de Santa Catarina/Câmpus Jaraguá do Sul, bem como a participação e o apoio do Diretório Central dos Estudantes - DCE da Católica. A população que estava na manifestação clamava por uma política voltada para a sociedade, livre de conchavos, livre de corrupção, livre de interesses pessoais, pedia por transporte público de qualidade, mais escolas, mais qualidade na saúde, mais educação, menos impostos, clamava pela proibição da prática do nepotismo, pedia para que a população não trocasse seu voto por cesta básica, pois, se você vende seu voto, sua cidade paga, e na maioria das vezes, paga muito caro, enfim, vários foram os discursos. O que podemos pinçar de tudo isso é que a juventude está acordando, não somente a juventude, e sim a sociedade como um todo. Precisamos analisar em quem votar, e se chegarmos à conclusão de que do jeito que está, está ruim, devemos fazer a faxina em 2012, tanto no executivo, como no legislativo. A população tem de sair às ruas, pintar a cara como fizemos no dia 10, e lutar por uma política séria, uma política limpa, sem raposas velhas que ficam sugando os recursos da máquina pública para os seus próprios interesses. Acorda Jaraguá, acorda Santa Catarina, acorda Brasil. São os caras pintadas voltando às ruas novamente. Essa foi a primeira manifestação, porém não será a única, estamos apenas iniciando uma luta, luta essa contra a corrupção, a qual contamos com a sua ajuda para vencermos. Participe você também da segunda edição da manifestação de combate à corrupção, a qual ocorrerá no dia 12 de outubro às 13h, na praça Angelo Piazera. Para finalizar: Caminhando e cantando.... E seguindo a canção.... Somos todos iguais.... Braços dados ou não... Vem, vamos embora... Que esperar não é saber.... Quem sabe faz a hora.... Não espera acontecer... (trecho da música: Pra Não Dizer Que Não Falei Das Flores/Geraldo Vandré).

PERGUNTARAM-ME: QUEM É VOCÊ?

Eu não sou minha nacionalidade,
tampouco meu estado civil ou profissão.

Também não sou minha aparência, cor, altura,
peso, sexo, nem formação.

Eu não sou o que querem que eu seja,
tampouco aquilo que pretendo ser.

Muito menos o invólucro, o ego, a posse,
a carne, o sangue e o querer.

A MORTE E O AVARENTO (HIERONIMUS BOSCH)

8 de setembro de 2011

BRUNA SURFISTINHA (OPINIÃO SOBRE O FILME)














Vi, durante o feriado chuvoso de ontem, o filme Bruna Surfistinha.

Considerando que o cinema é arte e que a arte não tem compromisso algum com políticas sociais, mas apenas e tão somente compromisso dela (arte) com ela mesma, prefiro não criticar o filme pela mensagem transmitida.

Mas, numa frase, o que o filme mostra, ou seja, a "moral da história", é mais ou menos o seguinte: prostituir-se é legal, gera glamour e rende muito dinheiro, só não use drogas que você acabará estragando tudo.

OBITUÁRIOS
















O obituário é um texto vivo que trata de uma pessoa morta. Certos jornalistas iniciam sua carreira com essa atribuição que, por seu desprestígio, geralmente ocupa as páginas finais do jornal. Outros profissionais viram especialistas e passam a ter gosto em desenvolver esse tipo de texto, que tem um caráter bem definido e uma estética própria.

Se a crônica trata de fatos ocorridos ao longo do tempo (cronos), o obituário trabalha com um relógio que já parou de contar as horas, um lapso temporal extinto definitivamente pela morte.

Gosto de ler obituários para manter clara a lembrança do que realmente importa na vida. Quem já leu esse tipo de texto sabe que lá não aparecem quantos ou quais automóveis o falecido comprou em vida, tampouco o tamanho e a beleza de sua residência, casa de praia ou de campo. Nada disso interessa para um obituário.

De fato, o que fica expresso no obituário não é aquilo que o falecido adquiriu, mas sim o que deixou. E o que uma pessoa pode deixar? A resposta é simples: família, amigos, saudade e a sua contribuição para o mundo que prossegue.

O ensinamento que se extrai da leitura constante de obituários é mais ou menos aquele do antigo adágio com os seguintes dizeres: “Lembra-te da morte para bem empregar a tua vida.”

É claro que há aquelas pessoas que serão lembradas por terem deixado apenas ódio, inimigos e inveja. Nesses casos, o autor do obituário recebe uma tarefa árdua, difícil de desenvolver se não for pelo caminho da ficção.

Aliás, fico imaginando como pode vir a ser vazio o obituário de certas pessoas. Melhor não escrever, pois a tentativa seria vã. Existem obituários que poderiam ser escritos mais ou menos nesses termos: “Fulano de Tal, deixou um BMW 325 ano 2008, emplacado, enlutado e faltando trinta e duas parcelas para pagar.” Nada mais.

Por essas e outras recomendo a leitura de obituários. Trata-se da possibilidade de vislumbrar caminhos já trilhados e que deram certo, ou não. Os bons percursos podem ser imitados e os maus, evitados.

A título de curiosidade, há também a hipótese diversas vezes registrada historicamente, de obituários prematuros. Esse tipo de fato ocorreu com figuras ilustres como, por exemplo, o Papa João Paulo II, verdadeiro recordista com nada menos do que três obituários prematuros.

Alfred Nobel, criador do prêmio Nobel, também foi vítima de um obituário prematuro, tendo chegado a ler sua condenação como “mercador da morte”, por ter sido industrial fabricante de armas.

Particularmente, posso afirmar que até gostaria de ler o meu obituário, porém, acredito que o texto seria um tanto enxuto nesse momento da minha vida. Estou tentando melhorar, dar conteúdo, deixar algo de bom, mas confesso que ainda tenho que viver intensamente por um bom tempo para merecer um obituário decente.
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6 de setembro de 2011

DENTISTAS NÃO PODEM APLICAR BOTOX

Desde ontem (5) dentistas estão proibidos de usar a toxina botulínica - mais conhecida como botox - e o ácido hialurônico, aplicado contra rugas, para fins estéticos. A determinação é do Conselho Federal de Odontologia, publicado na sexta-feira (2) no Diário Oficial da União.

De acordo com a resolução, os dentistas podem usar a toxina somente em casos terapêuticos. O ácido está proibido em qualquer tipo de tratamento.

O CFO argumenta que o preenchimento facial ou labial para correção estética não é atividade de cirurgião-dentista. Outro argumento é a falta de estudos sobre a segurança do uso dessas substâncias em tratamentos odontológicos.

"A literatura até o momento não oferece condições seguras de utilização destas substâncias e há falta de evidência científica na área odontológica", diz a resolução.

Segundo o código de ética da categoria odontológica, constitui infração quando o dentista oferece tratamento ao qual não tem capacitação ou executa, mesmo que em um hospital, cirurgia fora do âmbito da odontologia.

2 de setembro de 2011

MUDANÇA É DIFERENTE DE EVOLUÇÃO























Dizem que a versatilidade é requisito essencial para o homem moderno, no sentido de que ele precisa acompanhar as rápidas transformações sociais, profissionais e culturais para não perder-se no passado. De fato, as mudanças são rápidas e a novidade deste mês, poderá estar superada no próximo.

Todavia, nem toda mudança importa em progresso, evolução ou refinamento. No campo da música, por exemplo, penso que caminhamos a passos largos, porém, em marcha ré.

Ligo o rádio, vejo os mais vendidos na vitrine da loja e acompanho as premiações financiadas pelas gravadoras e redes de televisão. Seria cômico ver o Restart ganhando prêmio de melhor banda nacional se não fosse muito, mas muito trágico.

Salvo raras exceções, no dia-a-dia, o que toca nas rádios da região de Jaraguá do Sul é muito “Sertanejo Universitário”, nome dado a um suposto gênero musical em que prevalecem rimas fáceis, trocadilhos de sacanagem e letras metidas a engraçadinhas.

Nossa MPB é mais valorizada fora do País do que em solo pátrio. Os grandes ícones da Bossa Nova são amplamente conhecidos nos EUA e na Europa, porém, aqui, muitos nem mesmo sabem ou ouviram falar de Bebel Gilberto, por exemplo.

Hoje a música nacional vive, principalmente, de glórias de um passado de trinta ou quarenta anos. O americano repete “Brasil, Pelé, Tom Jobim”, os latinos são fãs do Roberto Carlos, a Europa conhece bem a obra de Ivan Lins e por aí vai.

E o Rock nacional? Tão forte e original na década de 1980 com Legião Urbana, Titãs, Paralamas do Sucesso, Barão Vermelho e outros? O que restou além das regravações, reinterpretações e relançamentos?

Será culpa de nossa educação deficiente, da falta de leitura, da cultura alienada e descompassada com a realidade ou das regras ditadas pelas grandes gravadoras? Penso que se trata de um somatório de fatores.

Grande parte do povo infelizmente precisa hoje do Funk Proibidão, do Axé e do “Sertanejo Universitário”, ritmos bastante primitivos e simplórios, para conseguir sentir a musicalidade.

Por essas e outras é que sustento que nem toda a mudança é para melhor, nem toda transformação constitui evolução. O Brasil tradicionalmente produzia música de qualidade para o mundo todo, com milhares de nomes de primeira e segunda grandezas, mas hoje? O que produzimos para nós mesmos e para o planeta?

Nossos grandes nomes morreram ou estão em adiantado processo de envelhecimento. Enquanto isso, pouquíssimos novos talentos têm sido acolhidos pela grande mídia (a maioria dos talentos canta sem que ninguém os ouça). Torço para que a contínua transformação seja brevemente impulsionada por ventos de evolução, pois em terra de Parangolé, quem faz música é rei.

27 de agosto de 2011

EPISÓDIO DO CÃO QUE LEVOU TIRO EM JARAGUÁ DO SUL



Bloco do Jornal do Almoço (RBS TV) de 27 de agosto de 2011, no qual foi noticiado o episódio do cão que foi alvejado por um tiro na frente de casa. A reportagem começa aos 04:45min.

26 de agosto de 2011

18 de agosto de 2011

MEU CORAÇÃO (ARNALDO ANTUNES)

DEUS OU DEUSES?
















Desde Akhenaton (Servo de Athon) no antigo Egito, o monoteísmo foi ganhando vulto. Diversas culturas politeístas foram, aos poucos, sendo solapadas pela crença em um único ente divino. Hoje, no mundo ocidental, prevalece a tese de que há apenas um deus, mas esse deus está, a cada dia, recebendo personalidades e faces diferentes, de acordo com o gosto pessoal de cada comunidade ou grupo social.

À guisa de exemplo, tem-se que milhões e milhões de pessoas comparecem aos templos do mundo ocidental para orar ao deus das religiões cristãs (Deus), porém, se perguntássemos a cada uma delas o que pensam a respeito do seu deus, teríamos certamente uma grande variedade de respostas e, consequentemente, uma enorme variedade de deuses.

Para certos fieis, Deus é um senhor idoso de barbas e vestes brancas, que fica sentado sobre as nuvens (hosana nas alturas!), olhando para a vida de cada pessoa, mantendo uma enorme contabilidade de pecados e bondades individuais (onisciência) para, ao final da existência terrena, sepultar eternamente os maus no inferno, manter os medianos no purgatório até que os pecados sejam remidos pelo sofrimento e, finalmente, remeter aos céus os virtuosos e imaculados (salvação).

O deus dos protestantes já odiou muito os humanos católicos. Já o deus dos católicos orientou os Santos Padres da Santa Inquisição, a matar milhares de pessoas nas fogueiras, confiscar e queimar livros e mais livros, matar animais hereges(?), dentre outras façanhas necessárias à manutenção da ordem celestial.

Para alguns, o que vale é o deus impiedoso e sisudo do Antigo Testamento (os tementes a Deus) e, para outros, aquele Deus do Antigo Testamento foi revogado pela nova personalidade do deus bonzinho do Novo Testamento.

E tem aqueles fieis que entendem Deus como um ser feito à imagem e semelhança de Sílvio Santos. Peça e lhe será concedido! Você quer um carro novo, ore a Deus e pague o dízimo! Você deseja uma casa própria, ore a Deus e pague o dízimo! Pagando em dia as parcelas do dízimo você concorre no final da vida a um show de prêmios! Seja um fiel dizimista e mantenha em dia seus débitos para com Deus! Dê uma semente das suas finanças, para receber em abundância! E se você duvidar é porque está chamando Deus de caloteiro!

Nesse ponto, faço uma reflexão: serão os shopping centers, os novos templos dedicados ao deus consumo? Ou será que as igrejas de hoje estão funcionando como shopping centers da fé? Creio que uma resposta afirmativa não anula a outra.

Prosseguindo, há também aqueles que veem Deus como um ser paciente que adora ouvir palavras repetidas mecanicamente à exaustão. Por isso, nunca é demais rezar duzentas ave-marias, trezentos pais-nossos e dá-lhe terços e mais terços (mesmo que enquanto isso esteja o fiel pensando na novela das oito). Afinal, é só dessa forma que os pecados podem ser perdoados. Sofrer, sofrer, sofrer, essa é a grande máxima. Sofra agora na Terra, para ter felicidade eterna no céu.

E os que acham que o seu deus é surdo? Choram alto, gritam, esperneiam, tudo para fazer Deus ouvi-los. Ora, se já foi ensinado que o Deus Cristão é onipotente, onisciente e onipresente, por que agredir os ouvidos alheios com ladainha lacrimosa?

Bom, apesar de toda essa variedade disponível, sou mais a simplicidade e sensibilidade da Emily Dickinson:

Alguns guardam o domingo indo à Igreja,
Eu o guardo ficando em casa,
Tendo um sabiá como cantor,
E um pomar por santuário.

Alguns guardam o domingo com vestes brancas,
Mas eu só uso minhas asas.
E ao invés do repicar dos sinos da igreja,
Nosso pássaro canta na palmeira.

É Deus que está pregando, pregador admirável,
E o seu sermão é sempre curto.

Assim, ao invés de chegar ao Céu só no final,
Eu o encontro o tempo todo no quintal.

Mas se você crê ou não crê, se o seu deus é cruel ou bondoso, simples ou vaidoso, surdo ou atento, paciente ou irritado, está tudo certo. Fazendo o bem, que mal tem?




12 de agosto de 2011

MR BOJANGLES (ROBBIE WILLIAMS)

NOVA EDUCAÇÃO

Tempos atrás participei de uma conversa, cujo conteúdo gostaria de ter abandonado em uma caixa lacrada no meu imenso arquivo chamado passado. Não obtive êxito.

No meio da conversa, meus ouvidos ficaram aguçados quando escutei de uma mulher de aproximadamente quarenta anos, a seguinte preciosidade:

- “Eu só me dei conta há pouco tempo, sobre a responsabilidade que tenho de criar o hábito da leitura em meus filhos. Por isso, na semana passada, quando notei que os meninos estavam desocupados, chamei-os e disse: vamos ler, crianças! Então peguei a Revista Caras que tinha acabado de chegar, coloquei em cima da cama e começamos a ler. Foi ótimo para eles.”

Quase tive uma convulsão ao presenciar essa breve preleção sobre a relevância da Revista Caras para o aprimoramento cultural das novas gerações, mas notando que não adiantaria iniciar a defesa do meu ponto de vista, resolvi agir tal como respondem os personagens semanais da Revista, ou seja, com um sorriso mudo, fotográfico.

Ora, o paradoxo é claro. Não se lê esse tipo de material, no máximo é possível folhear ou olhar. Ah, sim! De fato há uma página de palavras cruzadas e um texto semanal de etimologia, mas não se engane, é apenas para dar uma impressão de nobreza.

Aliás, você lembra das Revistas em Quadrinhos da Turma da Mônica ou do Tio Patinhas? Pois bem, a Revistas Caras e suas congêneres não são nada mais do que quadrinhos para adultos. A diferença é que há mais conteúdo aproveitável nos quadrinhos da Turma da Mônica do que nesse tipo de semanário.

O que há nesse tipo de revista, senão um conjunto semanal de sorrisos rasgados, por vezes doloridos de tão rasgados. Alguns personagens exibem orgasmos faciais por estarem aparecendo nas colunas, outros se mostram constrangidos em abrir os seus lares para atender a vaidade do cônjuge, filho, filha ou netos.

E as chamadas das matérias são as mais inusitadas: “Joana mostra a sua nova silhueta depois do regime” ou “César e Marcinha iniciam vida nova em sua casa de campo”.

É interessante notar o traço símio na curiosidade humana. O que importa saber a respeito do nascimento do terceiro filho de um fazendeiro do interior de Minas? O que muda na vida do leitor, se ficou boa ou não a nova decoração do apartamento da socialite Cidinha Felpudo?

O leitor mais atento poderá dizer que estou sendo exigente demais, pois nem todas as revistas ou programas de televisão precisam ser culturais. Muito bem, é verdadeira essa afirmação, ainda mais quando pensamos em programas televisivos como os reality shows e as novelas, cuja função é exclusivamente a de entreter o público.

Porém, relembro as primeiras linhas desta crônica, ou seja, o que me impressionou é que alguém possa imaginar que esteja educando seus filhos com a leitura de Caras. Ora, não se trata de material educativo ou cultural. As crianças poderão aprender, no máximo, quais as marcas de roupas, carros e perfumes são as mais caras e famosas no momento.

Infelizmente o gosto por esse tipo de material retrata bem o gênero humano, que não conseguiu evoluir muito em sua essência. Ainda continuamos, em grande parte, sendo superficiais, materialistas, egocêntricos e fúteis.

Agora, se o leitor achou muito fortes as expressões que utilizei, sugiro que continue “lendo” os sorrisos de Caras.

11 de agosto de 2011

LOS HERMANOS (DIEGO EL CIGALA E ANDRÉS CALAMARO)

2ª FEIRA DE ADOÇÃO DE ANIMAIS DA AJAPRA

A Associação Jaraguaense de Proteção aos Animais divulga a sua 2ª Feira de Animais. Os animais disponíveis para adoção são oriundos de abandono, maus-tratos e acidentes.

Serão aproximadamente 30 (trinta) animais, principalmente, cães, filhotes e adutos.

Data: 13/08/2011 - Sábado
Local: Av. Marechal Deodoro da Fonseca / Jaraguá do Sul (frente ao Museu)
Horário: 9h30 às 11h30

Obs.: em caso de chuva, será cancelado.

Para quem quiser fazer doações, precisa-se de ração para cães e gatos, cobertas e tapetes higiênicos, fraldas, roupinhas, remédios, vermífugos e anticoncepcionais.

Participe e conquiste um amigo!

4 de agosto de 2011

DEFORMERS























Você lembra daquele desenho animado, no qual robôs se transformam em carros e depois voltam a ser robôs. Pois é, o desenho fez tanto sucesso que chegou a ser convertido em longa metragem com direito a elenco estrelar.

Tenho notado que tal fenômeno não se restringe à ficção. No mundo real também podemos acompanhar certas transformações, são os “transformers” humanos. Particularmente, costumo chamá-los de “deformers”.

Sim, com o auxílio de profissionais que deveriam ter mais escrúpulos, pessoas estão alterando tanto a sua aparência, que chegam a perder a identidade. Em busca do milagre da juventude ou da obtenção de um padrão de beleza que não lhes foi proporcionado no nascimento, as mais radicais modificações físicas tem sido praticadas sem adequadas restrições.

Nada mais é natural no rosto de algumas pessoas. Os lábios que deveriam parecer da Angelina Jolie, acabam ficando tão inchados quanto balões de festa. O nariz, que deveria ser arrebitado, acaba causando afogamento em dias chuvosos. E por aí vai toda a sorte de procedimentos de mau gosto, como covinhas no queixo parecendo órgãos sexuais, bochechas saltadas como bolas de pingue-pongue, toxina botulínica em excesso, olhos esticados no estilo oriental e muito mais. O bolso e a falta de noção são os únicos limites.

Os primeiros procedimentos de cirurgia plástica foram relatados na Índia antiga, como forma de recuperação da cartilagem do nariz, que era raspada e parcialmente removida como pena para quem cometesse o crime de furto. As pessoas marcadas por tal penalidade buscavam auxílio de primitivos cirurgiões, para reconstituir sua aparência e escapar ao estigma de ladras.

Ainda hoje a cirurgia plástica tem a função primordial de recuperar deformidades físicas congênitas ou ocasionadas por traumas físicos severos, bem como recuperar, quando efetivamente aconselhável, a boa aparência.

Porém, o que observo com pesar é que se a novela de hoje tem uma atriz fazendo sucesso com um nariz diferente, logo vira objeto de desejo e de comércio. Os desejos são efêmeros e mutantes, as cirurgias sucessivas e os resultados, muitas vezes, lamentáveis.

Ainda dentro do conjunto das medidas lamentáveis para obter ou manter a beleza, fico contrariado ao saber de meninas ainda adolescentes fazendo implantes de silicone para aumentar os seios e atingir o padrão de estética determinado pela mídia. Mais triste ainda é saber que mamães e papais inconseqüentes, aplaudem de pé e financiam esse tipo de barbárie.

É o mesmo tipo de gente que finge não ver a filha vomitando no banheiro depois do almoço ou do jantar, ou ainda, que consegue os censuráveis moderadores de apetite para ver a filha com aparência socialmente desejável, conservando um peso que não é saudável à estrutura física proporcionada pela sua herança genética.

Ah! Vaidade humana! Se não é pelo nome é pela beleza, se não é pela beleza é pela riqueza e se não é pela riqueza é pelo nome. Ilusão maldita que acompanha o homem até no momento de sua despedida.

Aliás, Rimbaud disse certa vez que “uma noite sentei a beleza sobre os meus joelhos. E achei-a amarga. E insultei-a”. Acho que estou dando uma de Rimbaud hoje.

Mas a verdade é que de nada adianta preocupar-se tanto com o invólucro. Como já dizia Mário Quintana: “não importa que a tenham demolido, a gente continua morando na velha casa em que nasceu.”

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1 de agosto de 2011

UM FIM



















Marcelo havia me dito que estava odiando toda aquela brancura, todos aqueles metais e aparelhos, toda aquela higiene e atenção constantes que já duravam quatro meses ininterruptos.

Não tinha privacidade, liberdade ou prazer. Apenas as providências necessárias para continuar existindo.

Nesses momentos surge o desejo pelas pequenas coisas, o simples passa a ser valioso. Marcelo desejava contemplar a fumaça de um incensário passando na frente de uma parede escura.

O desejo dele não se concretizou.

Quando o caixão baixou, joguei-lhe um incenso.

28 de julho de 2011

MAIS DE 2 MILHÕES DE ACESSOS NO YOUTUBE



"Puto, o medo é uma cena que...a mim não me assiste."

SIMPATIA















Na semana passada, ressuscitou do meu inconsciente um acontecimento da infância. Lembro-me de estar sentado próximo de um formigueiro, sobre o qual estava sendo derramada uma generosa porção de polenta cremosa. Conhecendo a memória de minha família, certamente eu estava participando de alguma simpatia.

Para quem não sabe, uma simpatia é uma receita absolutamente ilógica, baseada em elementos ou ingredientes aleatórios, com o objetivo de obter um benefício igualmente absurdo e improvável.

Já deu para notar que nutro certa antipatia às simpatias, mas não é por acaso.

Como é que alguém, no seu perfeito juízo e razão, consegue acreditar em receitas para: amarrar namorado, esquecer homem casado, afastar amante, vender terreno, recuperar dinheiro perdido, terminar com vícios como cigarro ou álcool, dentre outras mil hipóteses. Ora, quando o meio não tem fundamento, nem o céu serve de limite.

Aprecio muito a cultura popular e os regionalismos, mas excluo dessa preferência as crendices em geral. Para se ter uma ideia do ponto a que se chega com a prática das simpatias, vale relembrar algumas bastante comuns.

Amiga leitora, você está apaixonada por um homem que é comprometido. Ele retribui o olhar, mas você não quer confusão, não deseja ficar mal falada. Chega dessa agonia! Basta você usar a simpatia para esquecer homem casado. É muito simples: vá a uma igreja qualquer e faça uma prece para ele e para a esposa. Depois deposite uma oferenda no cofre da igreja, em nome do anjo da guarda dele, pedindo para afugentá-lo da sua vida. Pronto, mais um homem fora da sua memória!

E aquele terreno que está empacando a sua vida? Ninguém deseja comprar aquela grota que você recebeu de herança e que só gera IPTU todo ano? Muito simples, basta usar a simpatia para vender terreno, que é a seguinte: junte três punhados da terra do seu terreno e deposite dentro de uma caixinha e amarre uma fita verde. Depois, basta colocar a caixa na frente de um Registro de Imóveis e logo aparecerá um interessado.

A vida está difícil? O seu marido briga todo dia quando chega do trabalho e ainda mete a mão na sua cara de vez em sempre? É hora de mudar! Daqui para frente só paz e amor no lar. Pegue duas gemas de ovo, escreva o seu nome e o do marido estressado num papel branco, coloque tudo num pires e cubra com mel. Deixe durante sete (sempre serão sete, mas não pergunte o motivo) dias em um canto de sua casa e depois jogue tudo em água corrente.

E a velha patroa em casa? Está bebendo mais do que um Maverick? Para que perder tempo com tratamentos médicos, internações e remédios. O mais simples é fazer uma simpatia! Basta escrever o nome da Dona esponja com um pedaço de giz branco numa folha grande de cartolina preta. Feito isso, coloque um copo branco virgem (copo virgem?) cheio de água em cima da cartolina (bem no meio) e diga: Fulana, deixe de beber, (falar o nome da bebida em que a pessoa está viciada), e que só goste de beber água. Fale isso três vezes seguidas. Deixe esta simpatia no mesmo lugar durante sete dias (novamente o sete). Depois desse período, jogue tudo na praia. A pessoa que bebe não pode saber dessa simpatia (até porque se souber é caso de internar quem a fez).

Mas a verdade é que se eu não acredito em simpatias o problema é só meu. Cada um que acredite no que quiser. Só não venha fazer simpatia para mim, porque eu já aviso que tenho o corpo fechado e que bati três vezes na madeira pra isolar, certo?

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27 de julho de 2011

VÍDEO DA BRIGA OCORRIDA NA ÚLTIMA STAMMTISCH DE JARAGUÁ DO SUL



Uma parte das pessoas que comparecem anualmente no evento Stammtisch de Jaraguá do Sul, não compreende que o objetivo é proclamar a fraternidade e o reforço de laços de solidariedade entre os munícipes e entre os próprios grupos de amigos.

É por essas e outras que, há uns bons anos não compareço ao evento e também não tenho a menor vontade de voltar a frequentar. 

15 de julho de 2011

A CULTURA DO EU COMIGO MESMO E MEU UMBIGO (RAPHAEL ROCHA LOPES)

Quem sabe em vez de chamar de “cultura do eu comigo mesmo e meu umbigo” seja melhor denominar “síndrome do eu comigo mesmo e meu umbigo”. Uma síndrome dos tempos modernos, embora já vista, sem dúvida, desde as mais priscas eras.

Lembro-me desse assunto porque no último final de semana, sábado mais precisamente, estava almoçando com minha namorada no shopping lotado e, ao mesmo tempo, observando as pessoas. Na realidade observando o comportamento das pessoas.

Numa determinada mesa (na realidade duas mesas conjugadas) amontoavam-se possivelmente uma dezena ou uma dúzia de homens. Homens feitos, não moleques, adolescentes ou jovens. Adultos mesmo. Estavam comendo, bebendo e se divertindo. Nada demais até então. O que, de certa forma, me incomodou foi o fato de saírem e deixarem seu piquenique em cima das mesas, sem qualquer consideração com as pessoas que estavam esperando lugar para sentar.

Alguns podem dizer: “Ah, Raphael, mas estão lá para comer e se divertir, não para limpar as mesas, que é obrigação dos funcionários do shopping”. Ok, vá lá, tem gente que só pensa assim mesmo. É a tal síndrome. Mas, sabemos todos, que a sistemática de uma praça de alimentação de shopping center é diferente. Nos shopping centers há, sim, pessoas para limpar e organizar a praça de alimentação, mas é costume que os usuários levem os restos e bandejas de suas refeições para os lixeiros e lugares próprios que existem lá.

E mesmo que alguém não conhecesse essa sistemática, o simples fato de ver pessoas procurando lugares para se acomodar já seria suficiente para quem estivesse saindo colaborar retirando seus restos das mesas. No mínimo uma gentileza que não acarretaria mal algum (ao contrário) e nem faria cair o braço.

Infelizmente não é apenas nos shopping centers que se percebe a “síndrome do eu comigo mesmo e meu umbigo”. Motoristas que simplesmente fingem não ver só para não dar passagem. Baderneiros que perambulam pelas madrugadas berrando como se as outras pessoas não estivessem dormindo. Vizinhos que reclamam do choro do neném do casal do lado, mas que não se importam em escutar som em volume muito mais alto do que o necessário. Vereadores que não escutam a voz do povo e enclausuram-se nos seus projetos meramente político-partidários. Administradores públicos que não atentam para a letra da lei e empregam a família ou os amigos dos amigos. Banhistas que pensam que a praia é um lixeiro a céu aberto e deixam o lixo de tudo que consomem na areia. Fumantes que jogam restos do cigarro pelas janelas ou no meio da rua. Todos pensando que o mundo só gira para eles próprios.

São o que poderíamos chamar de soberbos, que o Aurélio define como arrogantes.

E para eles, os soberbos, pelo menos de acordo com Dante em sua Divina Comédia, “o grave peso de seu castigo constringe-os a caminhar curvados para o solo (...) dobrados sob o fardo de grandes pedras”.

Grande ideia!

8 de julho de 2011

INUTENSÍLIOS

Panela eletrônica para o arroz, escova de dentes robotizada com MP3, esfregão com cabo articulado e triplo processo de absorção, processadores de alimentos que fazem tudo, tudo mesmo, cuidam do bebê e até fazem companhia para a mulher moderna em seus momentos de solidão.

Parece que a sobrevivência era um desafio muito maior antes do surgimento do Harpic Master Ultra Plus que mata 99% das bactérias, deixa cheiro de flores e não agride seu animal de estimação.

Como era possível suportar a amarga existência humana sem o Turbo Body Action que promete dar o abdômen dos sonhos em apenas quinze dias ou ainda, daquele automassageador que elimina a celulite em uma semana sem suor e sem esforço?

Agora com o Instant Hair Plus, você será um homem calvo realizado. Mudas de cabelo crescerão a olhos vistos e, em breve, poderá ganhar a vida como cover do guitarrista Slash.

Já você, garoto feio, rejeitado e com o rosto coberto de acne, compre o desodorante Axe que as mulheres cairão do céu, rastejarão babando loucamente e atravessarão o oceano para conhecê-lo.

O marketing eficiente cria necessidades no público consumidor, que já não consegue imaginar sua vida sem um tênis com duplo sistema de absorção de impacto ou daquela escova de cabelos giratória que emite íons e desembaraça o fio até a raiz, dando brilho e mais cor.

Mas espere!

Ligando agora para comprar o super grill giratório que brilha no escuro e deixa sua comida sem gordura, você recebe inteiramente grátis um maravilhoso avental, um incrível ralador de beterrabas de última geração e um livro de receitas que vai revolucionar a sua vida.

Mas atenção!

Essa promoção é válida somente para as primeiras cem ligações. Por isso, descabele-se, arranque a aposentadoria das mãos da sua avó, corra para o telefone e não perca!

- Compre, compre, compre! Diz, gesticulando nervosamente, o vendedor multimídia de felicidade.

Sim, a televisão é aquela melhor amiga que pede que ninguém resista aos seus comandos. Seja você mais um cadáver adiado a comprar promessas de apoteose e felicidade eterna, endividando-se por impulso, comprando tudo em “apenas” doze vezes sem juros no cartão de crédito. Afinal, se a parcela cabe no orçamento só pode ser um ótimo negócio.

Ansiedade, depressão, alienação e falta de referências, são elementos que impulsionam as vendas de produtos dispensáveis e descartáveis que atravessam claramente a fronteira do ridículo. Inutensílios que se acumulam entulhando as caixas urbanas que nos servem de residência passageira.

Veja mais crônicas em http://www.cronologicas.blog.com/

6 de julho de 2011

ESTACIONAMENTO ROTATIVO

Desde segunda-feira (04/07), quando voltou a vigorar o sistema de estacionamento rotativo na cidade de Jaraguá do Sul (SC), tem-se a impressão de que um terço da população foi dizimada.

Ruas limpas, vazias, vagas em qualquer lugar nas ruas centrais em que o sistema foi implantado. O efeito está sendo, a meu ver, positivo para a cidade.

4 de julho de 2011

A CRÔNICA E O FLANELINHA

A crônica, a meu ver, é um gênero que fica situado no limbo, entre a literatura e o caráter informativo. Trata de uma descrição particular de fatos na linha do tempo.

Falo em descrição de fatos na linha do tempo, pois a crônica nada mais é do que um relato da atividade humana no espectro regido por Cronos, o deus grego criado à imagem e semelhança dos homens.

Mas, afinal, o que é o tempo senão uma convenção humana de medida de variação de movimento no espaço? A cronologia não existe por si só, depende da vivência e observação do homem para vir a ser, assim como os acontecimentos mais banais que preenchem a nossa existência e que podem ser alvo de comentários, as crônicas.

Acontecimentos banais do cotidiano, tais como o desconforto trazido pela “privatização informal de logradouros públicos”, uma expressão eufemística para a atividade dos flanelinhas.

Estava eu numa cidade litorânea próxima, quando, ao estacionar o carro, comecei a perceber alguém no escuro mexendo-se como louco, fazendo gestos e giros com os braços. Dito e feito, era um desses profissionais liberais do trânsito.

Mal havia estacionado o carro, sem necessidade de qualquer auxílio, quando ouvi o “toc-toc-toc” soar no vidro lateral do carro.

Olho para o relógio, são 22h30min de sábado e o que vejo então é um par de incisivos superiores queimados, provavelmente pela fumaça quente do crack.

Abaixo o vidro: - pois não?

- “Déizão” pra estacionar aqui patrão!

Diante do tom imperativo e seguro do rapaz, inicia-se neste momento o raro fenômeno da combustão espontânea em minhas entranhas.

É claro que não adiantaria debater com o mancebo a respeito da natureza pública do espaço de que ele havia decidido tomar como seu, tampouco perguntar se ele tinha crachá de identificação de empresa contratada para explorar estacionamento rotativo.

Olhei para o lado e vi minha mulher pronta para o jantar. Certamente não era hora de discursos ou manifestações acaloradas de indignação.

Respirei fundo, desatei o cinto de segurança e desci do carro procurando falar na mesma sintonia: - “Déizão” não, né meu amigo?

Aqueles olhos opacos então negociaram sem referências: - Pois é né, “déizão” é só pra patrão. Vai cinco mesmo, só pra colaborar com a gente...

Nisso já vi a nota de cinco sendo apontada pela minha mulher. Bastou entregar e ir embora, torcendo para que o calor interno abrandasse.

Na volta, como já era de se esperar, o zeloso profissional cuidador de carros não estava.

Deve ter ido fumar o “cincão”.

2 de julho de 2011

CRONOLÓGICAS - ESPAÇO DA CRÔNICA JARAGUAENSE

Neste mês de julho de 2011, foi criado o Cronológicas. Nesse sítio serão publicadas seis crônicas por semana, obedecendo a seguinte ordem: Ítalo (segundas), Luciana (terças), Liandro (quartas), Darwinn (quintas), João (sextas) e, aos sábados, será a vez de convidados diversos que ajudarão a enriquecer o blog.

Escolhemos esse formato de apresentação dos nossos trabalhos, para dar uma maior dinâmica ao blog, permitindo que o leitor se depare com diversas formas de crônicas, de redação, enriquecendo nosso sítio.

Não somos hipócritas em dizer que é uma forma inédita de se apresentar um blog de crônicas, pois é uma maneira bastante usada e, pelo que acompanhamos, funciona.

Assim, contamos com sua ajuda para fazer o Cronológicas ganhar vida e participar do cotidiano de muitas pessoas.


17 de junho de 2011

SENADO APROVA EMPRESÁRIO INDIVIDUAL DE RESPONSABILIDADE LIMITADA

Os empreendedores brasileiros terão em breve a possibilidade de abrir negócios individuais com capital mínimo de R$ 54.500,00 e sem comprometer seus bens pessoais com as dívidas da empresa. É que o Senado aprovou nesta quinta-feira (16) Projeto de Lei da Câmara nº 18, de 2011, que altera o Código Civil (Lei nº 10.406/02) para permitir a inclusão, no ordenamento jurídico brasileiro, da constituição de empresa individual de responsabilidade limitada, como nova modalidade de pessoa jurídica de direito privado.

A proposta, de autoria do deputado Marcos Montes (DEM-MG), foi aprovada pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado e recebeu votação definitiva no Plenário da Casa, depois de recurso para que fosse examinada em mais uma instância. O projeto segue agora para sanção da Presidência da República.

Pelas atuais normas do Código Civil, para ter personalidade jurídica de natureza limitada é preciso que duas ou mais pessoas unam capital e formem uma sociedade. Com isso, os sócios conseguem, entre outras coisas, a distinção entre o patrimônio da empresa e seus patrimônios pessoais.

Com a alteração no Código prevista no PLC 18/11, cria-se a possibilidade de constituição de empresas de mesma natureza jurídica, mas sem a exigência do sócio. Assim, empreendedores individuais podem abrir empresas seguindo as mesmas regras das sociedades limitadas, e podendo, também, proteger seu patrimônio pessoal de eventuais riscos.

De acordo com o texto do PLC 18/11, a empresa individual de responsabilidade limitada receberá a expressão "Eireli" após sua denominação social. "Eireli" é justamente a sigla para Empresa Individual de Responsabilidade Limitada.

Para evitar abusos ou desvios de finalidade no uso desta nova personalidade jurídica, o projeto prevê também a limitação de apenas uma empresa individual por pessoa natural, e a exigência de um capital integralizado de, no mínimo, cem vezes o valor do salário mínimo vigente no país. Isso equivaleria atualmente a R$ 54.500,00.