27 de março de 2008

LE MOULIN DE LA GALETTE - RENOIR (1876)


A ANEMIA CULTURAL DO BRASILEIRO

Antes de conhecer Buenos Aires, achava ridículo o ditado portenho de que na Avenida Corrientes existem mais livrarias do que no Brasil inteiro. Depois de conhecer melhor a realidade do povo argentino, sua cultura e a tal Avenida Corrientes, mudei de idéia.

É claro que toda generalização é burra, mas a verdade é que nossos "hermanos" lêem muito mais, são mais apegados à sua cultura e igualmente mais politizados.

Simpática ou não, infelizmente é a verdade. Segundo pesquisa divulgada pelo Jornal O Globo do último domingo (23.03.2008), no ano de 2007, 55% dos brasileiros passaram longe de qualquer programação cultural.

Destes 69% disseram que não leram nenhum livro ao longo de 365 dias! De cada dois cidadãos do Brasil, um não leu um livro, nem foi ao cinema, ao teatro, a uma exposição de arte ou a um espetáculo de dança ou música!

A falta de hábito foi à primeira motivação para as classes D e E (58%) e da A e B (57%). Em segundo lugar como motivação veio 'não gosto', em terceiro 'não tenho acesso' e apenas em quarto 'não posso pagar'.

Para mudar isso, só investimentos em educação de qualidade o que tradicionalmente não é prioridade por aqui.

26 de março de 2008

O PRESIDENTE "LEGISLANDO" EM CAUSA PRÓPRIA.

DECRETO Nº 6.381 DE 27.02.2008 - DOU 28.02.2008


O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso IV, da Constituição, e tendo em vista o disposto na Lei nº 7.474,de 8 de maio de 1986, DECRETA:

Art. 1º Findo o mandato do Presidente da República, quem o houver exercido, em caráter permanente, terá direito:

I - aos serviços de quatro servidores para atividades de segurança e apoio pessoal; II - a dois veículos oficiais, com os respectivos motoristas; e III - ao assessoramento de dois servidores ocupantes de cargos em comissão do Grupo-Direção e Assessoramento Superiores - DAS, nível 5.
Art. 2º Os servidores e motoristas a que se refere o art. 1º serão de livreescolha do ex-Presidente da República e nomeados para cargo em comissão destinadoao apoio a ex-Presidentes da República, integrante do quadro dos cargos emcomissão e das funções gratificadas da Casa Civil da Presidência da República.

Art. 3º Para atendimento do disposto no art. 1º, a Secretaria de Administraçãoda Casa Civil da Presidência da República poderá dispor, para cada ex-Presidente, de até oito cargos em comissão do Grupo-Direção e Assessoramento Superiores - DAS, sendo dois DAS 102.5, dois DAS 102.4, dois DAS 102.2 e dois DAS 102.1.

Art. 4º Os servidores em atividade de segurança e os motoristas de que tratao art. 1º receberão treinamento para se capacitar, respectivamente, parao exercício da função de segurança pessoal e de condutor de veículo de segurança,pelo Departamento de Segurança do Gabinete de Segurança Institucional daPresidência da República.

Art. 5º Os servidores em atividade de segurança e os motoristas aprovadosno treinamento de capacitação na forma do art. 4º, enquanto estiverem emexercício nos respectivos cargos em comissão da Casa Civil, ficarão vinculados tecnicamente ao Departamento de Segurança do Gabinete de Segurança Institucional, sendo considerados, para os fins do art. 6º, inciso V, segunda parte, daLei nº 10.826, de 22 de dezembro de 2003, agentes daquele Departamento.

Art. 6º Aos servidores de que trata o art. 5º poderá ser disponibilizado,por solicitação do ex-Presidente ou seu representante, porte de arma institucionaldo Departamento de Segurança do Gabinete de Segurança Institucional, desde que cumpridos os seguintes requisitos, além daqueles previstos na Lei nº 10.826, de 2003, em seu regulamento e em portaria do Ministro de Estado Chefe do Gabinete de Segurança Institucional:

I - avaliação que ateste a capacidade técnica e aptidão psicológica para o manuseio de arma de fogo, a ser realizada pelo Departamento de Segurança do Gabinete de Segurança Institucional;

II - observância dos procedimentos relativos às condições para a utilização da arma institucional, estabelecidos em ato normativo interno do Gabinetede Segurança Institucional; e

III - que se tratem de pessoas originárias das situações previstas no art. 6º, incisos I, II e V, da Lei nº 10.826, de 2003. Parágrafo único. O porte de arma institucional de que trata o caput terá prazo de validade determinado e, para sua renovação, deverá ser realizada novamente a avaliação de que trata o inciso I do caput, nos termos de portariado Ministro de Estado Chefe do Gabinete de Segurança Institucional.

Art. 7º Durante os períodos de treinamento e avaliação de que tratamos arts. 4º e 6º, o servidor em atividade de segurança e motorista de ex-Presidente poderá ser substituído temporariamente, mediante solicitação do ex-Presidente ou seu representante, por agente de segurança do Departamento de Segurançado Gabinete de Segurança Institucional.

Art. 8º O planejamento, a coordenação, o controle e o zelo pela segurançapatrimonial e pessoal de ex-Presidente caberá aos servidores de que trata o art. 1º, conforme estrutura e organização própria estabelecida.

Art. 9º A execução dos atos administrativos internos relacionados coma gestão dos servidores de que trata o art. 1º e a disponibilidade de dois veículospara o ex-Presidente serão praticadas pela Casa Civil, que arcará com asdespesas decorrentes.

Art. 10. Os candidatos à Presidência da República terão direito a segurançapessoal, exercida por agentes da Polícia Federal, a partir da homologaçãoda respectiva candidatura em convenção partidária.

Art. 11. O Ministro de Estado da Justiça, no que diz respeito ao art.10, o Ministro de Estado Chefe do Gabinete de Segurança Institucional, noque concerne aos arts. 4º, 5º, 6º e 7º, e o Secretário de Administração daCasa Civil, quanto ao disposto nos arts. 2º e 9º, baixarão as instruções eos atos necessários à execução do disposto neste Decreto.

Art. 12. Este Decreto entra em vigor na data da sua publicação.
Art. 13. Revoga-se o Decreto nº 1.347, de 28 de dezembro de 1994.

Brasília, 27 de fevereiro de 2008; 187º da Independência e 120º da República.
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA

Tarso Genro

Jorge Armando Felix

16 de março de 2008

INDISCRIÇÃO

Não te abras com teu amigo
Que ele um outro amigo tem.
E o amigo de teu amigo
Possui amigos também...

(Mário Quintana)

BANQUETE NUPCIAL (PIETER BRUEGEL - SÉCULO XVI)


9 de março de 2008

LEGISLANDO PARA QUEM PAGA

No rodízio das comissões temáticas da Câmara, pólo de atração dos lobistas que freqüentam a Casa, pelo menos um terço dos novos presidentes são deputados cujas campanhas foram abastecidas por doações de setores interessados nos assuntos ali decididos.
A de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio, por exemplo, será chefiada por Jilmar Tatto (PT-SP), que em 2006 recebeu R$ 173 mil de uma indústria de resina e de construtoras. Para a Comissão de Minas e Energia foi eleito Luiz Fernando Faria (PP-MG) -R$ 450 mil de mineradoras, siderúrgicas, empreiteiras e petroquímicas. Viação e Transportes ficou com Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO) -R$ 608 mil de montadoras, locadoras de carros, concessionária de rodovias e postos de gasolina.
O deputado João Matos (PMDB-SC), que conseguiu a presidência da cobiçada Comissão de Educação e Cultura, recebeu R$ 100 mil para o caixa de sua campanha do dono da Brink Mobil, grande fabricante de brinquedos pedagógicos, uniformes e equipamentos escolares.
O PT deixou de lado comissões das quais no passado não abria mão, como Educação, CCJ e Direitos Humanos. Em tempos de PAC e de eleição, o partido preferiu Finanças, Desenvolvimento Econômico e Indústria e Ciência e Tecnologia.

(Folha de São Paulo. Coluna Painel, por Renata Lo Prete).

A INSTITUIÇÃO DO CET NAS OPERAÇÕES A CRÉDITO

No dia 03 de março entrou em vigor uma determinação do Conselho Monetário Nacional (CMN) que obriga bancos e lojas a informar o custo real das operações de crédito para a pessoa física.
Para isso, o consumidor terá de se acostumar com uma nova sigla, CET, que significa “custo efetivo total”. A CET será uma taxa de juros que inclui todos os custos embutidos no financiamento.
Antes as lojas informavam a taxa de juros da operação, mas cobravam separadamente uma série de encargos (como taxa de abertura de crédito, seguro e outras despesas) que encarecem o empréstimo.
Como essas taxas variam entre as diferentes lojas e bancos, o consumidor corria o risco de escolher uma taxa de juros menor e acabar pagando mais no fim das contas.
Agora, comerciantes e bancos terão de fazer essas contas para o consumidor e apresentar uma única taxa de juros (a CET), que poderá ser comparada com mais facilidade.
(Fonte: Espaço Vital).

O UNIVERSO CONDENSADO EM UM PONTO

Na parte inferior do degrau, à direita, vi uma pequena esfera furta-cor, de brilho quase intolerável. Primeiro, supus que fosse giratória; depois compreendi que esse movimento era uma ilusão produzida pelos vertiginosos espetáculos que encerrava. O diâmetro do Aleph seria de dois ou três centímetros, mas o espaço cósmico ali estava, sem diminuição de tamanho. Cada coisa (o cristal do espelho, digamos), era infinitas coisas, porque eu a via claramente de todos os pontos do Universo. Vi o populoso mar, vi a aurora e a tarde, vi as multidões na América, vi uma prateada teia de aranha no centro de uma negra pirâmide, vi um roto labirinto (era Londres), vi intermináveis olhos próximos perscrutando em mim como em um espelho, vi todos os espelhos do planeta e nenhum me refletiu, vi em um pátio na rua Soler os mesmos ladrilhos que, há 30 anos, vi um saguão de uma casa de Frey Bentos, vi cachos de uvas, neve tabaco, listras de metal, vapor d´água, vi convexos desertos equatoriais e cada um de seus grãos de areia, vi em Inverness uma mulher que não esquecerei, vi a violeta cabeleira, o altivo corpo, vi um câncer no peito, vi um círculo de terra seca em uma vereda onde antes existira uma árvore, vi em uma quinta de Androgué um exemplar da primeira versão inglesa de Plínio, a de Philemon Holland, vi, ao mesmo tempo, cada letra de cada página (em pequeno, eu costumava maravilhar-me com o fato de as letras de um livro fechado não se misturarem e se perderem no decorrer da noite), vi a noite e o dia contemporâneo, vi um poente em Querétaro que parecia refletir a cor de uma rosa de Bengala, vi meu dormitório sem ninguém, vi em um gabinete de Alkmaar um globo terrestre entre dois espelhos que o multiplicam indefinidamente, vi cavalos de crinas redemoinhadas em uma praia do Mar Cáspio, na aurora, vi a delicada ossatura de uma mão, vi os sobreviventes de uma batalha enviando bilhetes postais, vi em uma vitrina de Mirzapur um baralho espanhol, vi as sombras oblíquas de alguns fetos no chão de uma estufa, vi tigres, êmbolos, bisontes, marulhos e exércitos, vi todas as formigas que existem na terra, vi um atrolábio persa, vi em uma gaveta da escrivaninha (e a letra me fez tremer) cartas obscenas, claras, incríveis, que Beatriz dirigira a Carlos Argentino, vi um adorado monumento na Chacarita, vi a relíquia cruel do que fora Beatriz Viterbo, vi a circulação do meu escuro sangue, vi a engrenagem do amora e a modificação da morte, vi o Aleph de todos os pontos, vi no Aleph a terra, vi meu rosto, minhas vísceras, vi teu rosto e senti vertigem e chorei, porque meus olhos haviam visto esse objeto sagrado e conjetural cujo nome os homens usurparam, mas que nenhum tem olhado: o inconcebível Universo.
(BORGES, Jorge Luis. O Aleph).

2 de março de 2008

MULTA DE R$ 14.880,00 POR DISCRIMINAÇÃO SEXUAL

Sim, este é o valor da multa por cometer discriminação sexual no âmbito territorial do estado de São Paulo.
A Lei n. 10.948/2001 estabelece multa de mil Unidades Fiscais do Estado de São Paulo (Ufesp), ou R$ 14.880, para o autor de “toda manifestação atentatória ou discriminatória praticada contra cidadão homossexual, bissexual ou transgênero”. Em caso de reincidência, a punição é triplicada.
A sanção é aplicada após a análise de um processo administrativo por uma Comissão Processante Especial para apuração de atos discriminatórios, formada por servidores da Secretaria da Justiça. A lei foi já aplicada a casos concretos.

24 de fevereiro de 2008

UTOPIA















Eu queria, por alguma magia pôr numa tela uma criança de rua
Pintaria pra ela, uma mesa farta uma escola que estaria à sua espera
Nesta tela ela seria sadia e feliz, até com o olhar, sorriria
Eu queria dentro de uma tela um cachorro abandonado e sarnento
Curaria suas feridas com meu pincel
Pintaria para ele um quintal uma bola,
muita ração e uma criança que seria feliz, por ter um amigo fiel
Eu queria na tela, um homem idoso
Com verdes, azuis, rosas e amarelos pintaria-lhe um florido jardim
A sua volta filhos e netos sentados escutando, calados,
atentos e afim estórias que ele viveu no passado
Eu queria você que me lê numa tela num gramado verde claro,
árvores muitas flores do campo, um sol num céu azul anil, bem iluminado
Por um dia, teria a natureza ao seu lado
E sentirias por Deus, ser muito amado Eu queria pintar muitas telas assim
Fazer uma grande exposição
O título que eu daria? “Alegria“
Ah...mas que bobagem a minha
Uma exposição assim não existiria
Só posso chamar isso de...
Utopia

(Catucha, 18.02.2008).

REFORMA TRIBUTÁRIA

Finalmente a proposta de reforma tributária adentra no Congresso e, uma vez mais é ressucitado o "Dilema Tostines" para questionar o volume da absurda carga tributária (cerca de 37% do PIB) que entrava o desenvolvimento do País:
"A carga tributária é elevada porque a sonegação é alta ou a sonegação é elevada porque a carga de impostos é insuportável?"

A VIDA HUMANA

É forjando que se torna forjador. É bebendo que alguém se torna alcoólico. É realizando ações virtuosas que alguém se torna virtuoso. "Fazer", dizia Lequier, "e, fazendo, fazer-se". Isso não fará de nós outra pessoa, o que ninguém consegue. Mas impede de nos resignarmos rápido demais ao que somos, o que ninguém deve fazer.
(COMTE-SPONVILLE, André. A vida humana. p. 26. Martins Fontes: São Paulo, 2007).

EDIR MACEDO X HÉLIO FERNANDES

Hélio Fernandes, prestigiado jornalista publicou o texto abaixo no jornal Tribuna da Imprensa (http://www.tribuna.inf.br/), a respeito da ofensiva que o "bispo" Edir Macedo vem adotando contra quem esteja em desacordo com a sua forma de agir.
Vale a transcrição:
O "bispo" Edir Macedo está processando este repórter. Depois de anos escrevendo sobre suas artimanhas, malabarismos e desesperadas mobilizações para se transformar de pobretão em dono da segunda maior televisão do Brasil, acordou, se irritou, me processou.
Primeiro, devia mover um processo diante dele mesmo, no espelho. Veria quantas dezenas de processos seriam necessários para concretizar e consolidar a sua FÉ. E de milhares (ou milhões?) de ingênuos.
Vou soterrar o "bispo" na Justiça, emparedá-lo com as acusações que jamais respondeu. Edir Macedo é "um laranja da FÉ", com isso se tornou potência da televisão brasileira.
Não tinha nada, confessou que vendeu um carro para começar o negócio, hoje, apenas a Record é avaliada em mais de 2 BILHÕES de dólares. E acreditando na FÉ, enriqueceu milagrosamente.
Esta tomada de posição é apenas o início da questão Edir Macedo. Como a lista é quilométrica, não pode ser resumida. Vamos exibi-la na Justiça, estarrecendo os que crêem no "bispo".

10 de fevereiro de 2008

UMA ÉTICA PARA O NOVO MILÊNIO

Muito mais eficaz e importante do que as leis é o nosso respeito pelos sentimentos dos outros do ponto de vista meramente humano.
(...)
A generosidade é considerada uma virtude em todas as grandes religiões e em todas as sociedades civilizadas e claramente traz benefícios tanto para quem dá quanto para quem recebe. O que recebe é aliviado das dificuldades geradas pela necessidade. O que dá é revigorado pela alegria que sua dádiva proporciona ao outro. Ao mesmo tempo, temos de reconhecer que existem diferentes tipos e graus de generosidade. Quando se é generoso com o intuito de melhorar a imagem que os outros fazem de nós - para ganhar fama ou levá-los a achar que somos bondosos -, desvirtuamos o ato. Não é generosidade que se pratica, é auto-engrandecimento. Da mesma forma, aquele que dá muito pode não estar sendo tão generoso quanto aquele que dá pouco. Tudo depende dos recursos e da motivação de quem dá.
(Sua Santidade o Dalai Lama. op. cit. p. 54, 87-88).

O COMBATE À CORRUPÇÃO NAS PREFEITURAS DO BRASIL

Vale a pena fazer o download gratuito da cartilha acima nominada, elaborada pela AMARRIBO - Amigos Associados de Ribeirão Bonito, em convênio com o Instituto Ethos. Na cartilha, disponível gratuitamente no site http://www.amarribo.org.br/, estão dicas de como efetuar uma fiscalização eficaz dos atos praticados pelos administradores públicos, bem como as características das condutas mais suspeitas e que merecem uma averiguação mais aprofundada.

VIOLA DE GAMBA - GIZELDA SANTANA DE MORAIS

Nossas mãos juntas

construirão gestos insuspeitados

nossos passos juntos caminharão

dobro dos caminhos

nossos corpos juntos

suportarão o peso das pressões

elevado ao quadrado

nossas mentes juntas

nossos pensamentos

nossos momentos

se esticarão como cordas

de viola de gamba

nos ouvidos dos séculos.

POSSE RESPONSÁVEL!


5 de fevereiro de 2008

CRIANÇA GEOPOLÍTICA ASSISTINDO AO NASCIMENTO DO NOVO HOMEM (SALVADOR DALI)


A DEVASTAÇÃO DA AMAZÔNIA

Tanto já foi falado sobre a desgraça que está sendo cometida contra a fauna, a flora e a biodiversidade em geral na Amazônia. O Brasil, infelizmente parece estar trilhando o caminho da China que devastou tudo o que pôde e agora pensa como importar ou recuperar a um custo absurdo, recursos naturais de fontes renováveis, inclusive água.
No jornal A Notícia de hoje (05 de fevereiro de 2008), o leitor Renni A. Schoenberger enviou carta para a coluna do Leitor que sintetiza bem todo o quadro atual da relação do governo com o problema da destruição sistemática da Amazônia.
Permito-me transcrever a carta:
GENOCÍDIO AMBIENTAL
São vários os líderes mundiais condenados pelos tribunais ou pela história por genocídio. O editorial de A Notícia de ontem ("Controvérsia ambiental" página A2) faz necessária reflexão sobre a devastação da Amazônia, que, segundo dados oficiais, chegou a 3.233km2 em 2007. Compara-se a uma área do tamanho da Bélgica. Transportando para a nossa realidade, é uma área três vezes maior do que o município de Joinville, que tem 1.135km2, incluídos aí todos os bairros, mais áreas agrícolas e serra Dona Francisca. É algo fabuloso para ser derrubado em apenas um ano. Como o sistema de monitoramento via satélite analisa apenas áreas superiores a 200 mil m2, estima-se que essa área chegue a 7 mil km2.
Basta desse papo furado de que a preocupação de ambientalistas mundiais com a região é por interesse econômico das grandes potências, que a amazônia é nossa e que podemos fazer dela o que bem entendermos. Não podemos, não. É sabida a importância da floresta para o equilíbrio do clima do planeta. Temos a obrigação de preservá-la, sob pena de estarmos condenando à morte as futuras gerações. Medidas radicais devem ser tomadas pelo governo federal e pelos dirigentes mundiais. Vamos deixar de lado nosso egoísmo e nacionalismo retrógrados e exigir que nossos dirigentes sejam julgados por tribunais internacionais por genocídio, por crime contra a humanidade. Somente assim a região será olhada com a responsabilidade necessária."

27 de janeiro de 2008

O PÓS-IMPRESSIONISMO DE PAUL GAUGUIN (1894)


LUÍZA

(Composição de Antônio Carlos Jobim).

Rua,
Espada nua
Boia no céu imensa e amarela
Tão redonda a lua
Como flutua
Vem navegando o azul do firmamento
E no silêncio lento
Um trovador, cheio de estrelas
Escuta agora a canção que eu fiz
Pra te esquecer Luiza
Eu sou apenas um pobre amador
Apaixonado
Um aprendiz do teu amor
Acorda amor
Que eu sei que embaixo desta neve mora um coração

Vem cá, Luiza
Me dá tua mão
O teu desejo é sempre o meu desejo
Vem, me exorciza
Dá-me tua boca
E a rosa louca
Vem me dar um beijo
E um raio de sol
Nos teus cabelos
Como um brilhante que partindo a luz
Explode em sete cores
Revelando então os sete mil amores
Que eu guardei somente pra te dar Luiza
Luiza
Luiza

PERFIL DO PARLAMENTAR BRASILEIRO EM 2007

Seguem abaixo algumas informações contidas em relatório levantado pela ONG Transparência Brasil, que está disponível no "site" http://www.transparencia.org.br.
Em conjunto, os deputados federais brasileiros gastaram quase R$ 20 milhões com viagens em 2007. Esse dinheiro seria suficiente para cada deputado dar cinco voltas em torno da Terra de avião.
Não só na Câmara dos Deputados, mas também no Distrito Federal, em São Paulo e no Rio Grande do Sul, os parlamentares consomem vultosas quantias com combustíveis. No agregado, os deputados federais gastaram o suficiente para percorrer de automóvel 73,8 milhões de quilômetros; os paulistas 11,1 milhões de quilômetros e os gaúchos 13,2 milhões de quilômetros.
O combustível que os 24 deputados distritais brasilienses declararam ter gasto seria suficiente para percorrer o Plano Piloto de uma ponta a outra mais de 235 mil vezes durante o ano.
Cerca de um terço dos deputados federais apresenta ocorrências na Justiça ou em Tribunais de Contas. Nas bancadas de alguns estados eles são maioria: por exemplo, 75% dos deputados federais eleitos no Tocantins estão nessa condição.
Mais de um terço dos senadores tem ocorrências na Justiça ou em Tribunais de Contas. Entre os trinta senadores com tais ocorrências, onze foram eleitos no Nordeste.
Pelo menos um terço dos deputados estaduais de 15 Casas Legislativas estaduais tem pendências com a Justiça ou com Tribunais de Contas. Na Assembléia Legislativa de Goiás eles são mais de 70%. Em outros sete estados o porcentual é de pelo menos 40%.
A assiduidade dos parlamentares ao trabalho muitas vezes deixa a desejar. Na Câmara dos Deputados, a média de faltas nas sessões plenárias foi de 12% no ano. A representação estadual mais faltosa foi a do Rio Grande Norte, com 18,9% de ausências. Entre as poucas Assembléias Legislativas que dão informações sobre a presença dos parlamentares, a de pior desempenho é a de Pernambuco: nesse estado, a média de faltas é de 26,6%.
A média de ausências nas sessões das comissões temáticas da Câmara dos Deputados é de 28%. Os do Rio Grande do Norte foram campeões também nesta categoria, tendo faltado em média a 39,3% das sessões.

20 de janeiro de 2008

MONET (MULHER COM SOMBRINHA - 1875)


EDINHO LOBÃO ASSUME CADEIRA NO SENADO

De acordo com o Jornal Folha de São Paulo, Edison Lobão Filho (DEM-MA) será o 174º suplente a exercer o mandato de senador sem ter conseguido um voto sequer, segundo dados registrados pelo Senado nas últimas quatro legislaturas -entre os anos de 1995 e 2008.
Ele vai assumir o lugar do pai, Edison Lobão (PMDB-MA), nomeado novo ministro de Minas e Energia e já assume a cadeira do Senado como suspeito de esquemas milionários de sonegação de impostos e utilização de laranjas em negócios escusos.
Essa troca de cadeiras reproduz uma prática que se tornou comum no Congresso ao longo dos anos: parentes e financiadores de campanha - alguns deles alvos de denúncias de processos na Justiça - tornando-se senadores sem passar pelo crivo das urnas. Quase sempre, a vaga de suplente é uma moeda de troca entre partidos ou a garantia de que o mandato permanecerá com a família.
Em um sistema democrático, não se poderia admitir tal prática, pois obviamente, o suplente que assume nessas condições não detém representatividade alguma! Trata-se de uma distorção, um resquício da era medieval, que merece reforma urgente.

13 de janeiro de 2008

FLORENÇA (ITÁLIA)


O EXEMPLO (THE EXAMPLE)

Eis o exemplo que nos mostra a borboleta,
Que em dura, áspera rocha, feliz, se aquieta;
Sem amiga companhia naquela rocha bravia.
Que o meu leito seja duro já não me inquieta;
Ficarei contente como a borboleta:
Que tem ânimo e valor pra fazer da pedra flor.
W.H. Davies (1871-1940) Versão de A. Herculano de Carvalho, Oiro de Vário Tempo e Lugar, Editorial O Oiro do Dia.

A PROIBIÇÃO DAS FOTOCOPIADORAS NAS UNIVERSIDADES

Estudo elaborado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) revela que dentre 57 países, o Brasil ficou com o 8º pior ranking de leitura.

Os resultados em educação são tradicionalmente desastrosos no Brasil e a pesquisa acima destacada não causa espanto ou assombro para quem conhece, ao menos um pouco, a realidade do sistema educacional brasileiro.

Todavia, o que causa estranheza, para dizer o mínimo, é a falta de sensibilidade de certos legisladores federais que, ao que parece, trabalham contra o progresso do País.

Exemplo disso é o projeto de lei de autoria do Deputado Federal Bilac Pinto, que visa proibir o funcionamento, dentro das instituições de ensino superior, de máquinas fotocopiadoras destinadas à reprodução de livros ou obras literárias.

Ora, o acadêmico brasileiro, em sua maioria, carente de recursos financeiros, utiliza-se das máquinas fotocopiadoras não porque prefere ler através de cópias, mas sim como única ou última alternativa de acesso ao conhecimento, seja porque as bibliotecas são deficitárias no volume de obras para empréstimo, seja porque o custo do livro no Brasil, ainda é muito distante de suas possibilidades.

De nada adianta a concessão de bolsas de estudo se o estudante carente não pode ter acesso ao conteúdo bibliográfico necessário ao seu desenvolvimento técnico e humanístico.

É consabido que desenvolvimento e progresso passam necessariamente pela educação e, assim sendo, qualquer projeto que tenha por fim, restringir ou inviabilizar o acesso ao conhecimento deve ser prontamente arquivado.

Afinal, quais valores devem ser tutelados em primeiro plano? Há justificativa plausível para que o interesse nacional pela educação de qualidade seja prejudicado por razões egoísticas de determinado setor?

Não cabe nem mesmo alegar que as instituições de ensino superior fomentam a pirataria com as máquinas fotocopiadoras, pois a Lei 9.610/98 que regulamenta e protege os Direitos Autorais, possibilita expressamente a obtenção de cópias parciais para fins não lucrativos, o que deve ser mantido em nome, sobretudo, do interesse nacional em um futuro melhor.

6 de janeiro de 2008

EDUCAÇÃO

"Não basta ensinar ao homem uma especialidade, porque se tornará, assim, uma máquina utilizável, mas não uma personalidade. É necessário que adquira um sentimento, um senso prático daquilo que é belo, do que é moralmente correto. Se não for assim, ele se assemelhará, com seus conhecimentos profissionais, mais a um cão ensinado do que a uma criatura harmoniosamente desenvolvida. O homem deve aprender e compreender as motivações dos homens, suas quimeras e suas angústias, para determinar com exatidão seu lugar em relação a seus próximos e a comunidade." (Albert Einstein)

SERÁ O FIM DOS ESTRANGEIRISMOS?

Projeto de lei de autoria do Deputado Federal Aldo Rebelo, já aprovado na Câmara segue agora para o Senado. Se aprovado, determinará o fim do uso de estrangeirismos no cotidiano da língua portuguesa (principalmente escrita), obrigando a aplicação de equivalentes previstos no vernáculo.

Vejo a idéia como positiva até certo ponto, embora um tanto presunçosa. Lembra a ação do Governador do Distrito Federal que no ano de 2007, por Decreto, determinou o fim do uso do gerúndio nas correspondências oficiais.

Será que não estamos ainda com a velha idéia de pretender acabar com a morte por decreto?

Por um lado, o uso desmedido de estrangeirismos afronta a cultura nacional, especialmente as expressões em língua inglesa, muitas vezes mal ou exageradamente utilizadas.

De outra senda, cabe refletir até que ponto a língua não é, de fato, mutante, de acordo com a vida das pessoas, a origem da informação e as influências que, na atualidade podem vir da América do Norte, mas que já vieram também da África (muamba, mocotó, mandinga, careca, bunda, e tantas outras), do Velho Mundo e até mesmo da Ásia.

Se aprovada, será que essa lei "pega"?