27 de agosto de 2011

EPISÓDIO DO CÃO QUE LEVOU TIRO EM JARAGUÁ DO SUL



Bloco do Jornal do Almoço (RBS TV) de 27 de agosto de 2011, no qual foi noticiado o episódio do cão que foi alvejado por um tiro na frente de casa. A reportagem começa aos 04:45min.

26 de agosto de 2011

18 de agosto de 2011

MEU CORAÇÃO (ARNALDO ANTUNES)

DEUS OU DEUSES?
















Desde Akhenaton (Servo de Athon) no antigo Egito, o monoteísmo foi ganhando vulto. Diversas culturas politeístas foram, aos poucos, sendo solapadas pela crença em um único ente divino. Hoje, no mundo ocidental, prevalece a tese de que há apenas um deus, mas esse deus está, a cada dia, recebendo personalidades e faces diferentes, de acordo com o gosto pessoal de cada comunidade ou grupo social.

À guisa de exemplo, tem-se que milhões e milhões de pessoas comparecem aos templos do mundo ocidental para orar ao deus das religiões cristãs (Deus), porém, se perguntássemos a cada uma delas o que pensam a respeito do seu deus, teríamos certamente uma grande variedade de respostas e, consequentemente, uma enorme variedade de deuses.

Para certos fieis, Deus é um senhor idoso de barbas e vestes brancas, que fica sentado sobre as nuvens (hosana nas alturas!), olhando para a vida de cada pessoa, mantendo uma enorme contabilidade de pecados e bondades individuais (onisciência) para, ao final da existência terrena, sepultar eternamente os maus no inferno, manter os medianos no purgatório até que os pecados sejam remidos pelo sofrimento e, finalmente, remeter aos céus os virtuosos e imaculados (salvação).

O deus dos protestantes já odiou muito os humanos católicos. Já o deus dos católicos orientou os Santos Padres da Santa Inquisição, a matar milhares de pessoas nas fogueiras, confiscar e queimar livros e mais livros, matar animais hereges(?), dentre outras façanhas necessárias à manutenção da ordem celestial.

Para alguns, o que vale é o deus impiedoso e sisudo do Antigo Testamento (os tementes a Deus) e, para outros, aquele Deus do Antigo Testamento foi revogado pela nova personalidade do deus bonzinho do Novo Testamento.

E tem aqueles fieis que entendem Deus como um ser feito à imagem e semelhança de Sílvio Santos. Peça e lhe será concedido! Você quer um carro novo, ore a Deus e pague o dízimo! Você deseja uma casa própria, ore a Deus e pague o dízimo! Pagando em dia as parcelas do dízimo você concorre no final da vida a um show de prêmios! Seja um fiel dizimista e mantenha em dia seus débitos para com Deus! Dê uma semente das suas finanças, para receber em abundância! E se você duvidar é porque está chamando Deus de caloteiro!

Nesse ponto, faço uma reflexão: serão os shopping centers, os novos templos dedicados ao deus consumo? Ou será que as igrejas de hoje estão funcionando como shopping centers da fé? Creio que uma resposta afirmativa não anula a outra.

Prosseguindo, há também aqueles que veem Deus como um ser paciente que adora ouvir palavras repetidas mecanicamente à exaustão. Por isso, nunca é demais rezar duzentas ave-marias, trezentos pais-nossos e dá-lhe terços e mais terços (mesmo que enquanto isso esteja o fiel pensando na novela das oito). Afinal, é só dessa forma que os pecados podem ser perdoados. Sofrer, sofrer, sofrer, essa é a grande máxima. Sofra agora na Terra, para ter felicidade eterna no céu.

E os que acham que o seu deus é surdo? Choram alto, gritam, esperneiam, tudo para fazer Deus ouvi-los. Ora, se já foi ensinado que o Deus Cristão é onipotente, onisciente e onipresente, por que agredir os ouvidos alheios com ladainha lacrimosa?

Bom, apesar de toda essa variedade disponível, sou mais a simplicidade e sensibilidade da Emily Dickinson:

Alguns guardam o domingo indo à Igreja,
Eu o guardo ficando em casa,
Tendo um sabiá como cantor,
E um pomar por santuário.

Alguns guardam o domingo com vestes brancas,
Mas eu só uso minhas asas.
E ao invés do repicar dos sinos da igreja,
Nosso pássaro canta na palmeira.

É Deus que está pregando, pregador admirável,
E o seu sermão é sempre curto.

Assim, ao invés de chegar ao Céu só no final,
Eu o encontro o tempo todo no quintal.

Mas se você crê ou não crê, se o seu deus é cruel ou bondoso, simples ou vaidoso, surdo ou atento, paciente ou irritado, está tudo certo. Fazendo o bem, que mal tem?




12 de agosto de 2011

MR BOJANGLES (ROBBIE WILLIAMS)

NOVA EDUCAÇÃO

Tempos atrás participei de uma conversa, cujo conteúdo gostaria de ter abandonado em uma caixa lacrada no meu imenso arquivo chamado passado. Não obtive êxito.

No meio da conversa, meus ouvidos ficaram aguçados quando escutei de uma mulher de aproximadamente quarenta anos, a seguinte preciosidade:

- “Eu só me dei conta há pouco tempo, sobre a responsabilidade que tenho de criar o hábito da leitura em meus filhos. Por isso, na semana passada, quando notei que os meninos estavam desocupados, chamei-os e disse: vamos ler, crianças! Então peguei a Revista Caras que tinha acabado de chegar, coloquei em cima da cama e começamos a ler. Foi ótimo para eles.”

Quase tive uma convulsão ao presenciar essa breve preleção sobre a relevância da Revista Caras para o aprimoramento cultural das novas gerações, mas notando que não adiantaria iniciar a defesa do meu ponto de vista, resolvi agir tal como respondem os personagens semanais da Revista, ou seja, com um sorriso mudo, fotográfico.

Ora, o paradoxo é claro. Não se lê esse tipo de material, no máximo é possível folhear ou olhar. Ah, sim! De fato há uma página de palavras cruzadas e um texto semanal de etimologia, mas não se engane, é apenas para dar uma impressão de nobreza.

Aliás, você lembra das Revistas em Quadrinhos da Turma da Mônica ou do Tio Patinhas? Pois bem, a Revistas Caras e suas congêneres não são nada mais do que quadrinhos para adultos. A diferença é que há mais conteúdo aproveitável nos quadrinhos da Turma da Mônica do que nesse tipo de semanário.

O que há nesse tipo de revista, senão um conjunto semanal de sorrisos rasgados, por vezes doloridos de tão rasgados. Alguns personagens exibem orgasmos faciais por estarem aparecendo nas colunas, outros se mostram constrangidos em abrir os seus lares para atender a vaidade do cônjuge, filho, filha ou netos.

E as chamadas das matérias são as mais inusitadas: “Joana mostra a sua nova silhueta depois do regime” ou “César e Marcinha iniciam vida nova em sua casa de campo”.

É interessante notar o traço símio na curiosidade humana. O que importa saber a respeito do nascimento do terceiro filho de um fazendeiro do interior de Minas? O que muda na vida do leitor, se ficou boa ou não a nova decoração do apartamento da socialite Cidinha Felpudo?

O leitor mais atento poderá dizer que estou sendo exigente demais, pois nem todas as revistas ou programas de televisão precisam ser culturais. Muito bem, é verdadeira essa afirmação, ainda mais quando pensamos em programas televisivos como os reality shows e as novelas, cuja função é exclusivamente a de entreter o público.

Porém, relembro as primeiras linhas desta crônica, ou seja, o que me impressionou é que alguém possa imaginar que esteja educando seus filhos com a leitura de Caras. Ora, não se trata de material educativo ou cultural. As crianças poderão aprender, no máximo, quais as marcas de roupas, carros e perfumes são as mais caras e famosas no momento.

Infelizmente o gosto por esse tipo de material retrata bem o gênero humano, que não conseguiu evoluir muito em sua essência. Ainda continuamos, em grande parte, sendo superficiais, materialistas, egocêntricos e fúteis.

Agora, se o leitor achou muito fortes as expressões que utilizei, sugiro que continue “lendo” os sorrisos de Caras.

11 de agosto de 2011

LOS HERMANOS (DIEGO EL CIGALA E ANDRÉS CALAMARO)

2ª FEIRA DE ADOÇÃO DE ANIMAIS DA AJAPRA

A Associação Jaraguaense de Proteção aos Animais divulga a sua 2ª Feira de Animais. Os animais disponíveis para adoção são oriundos de abandono, maus-tratos e acidentes.

Serão aproximadamente 30 (trinta) animais, principalmente, cães, filhotes e adutos.

Data: 13/08/2011 - Sábado
Local: Av. Marechal Deodoro da Fonseca / Jaraguá do Sul (frente ao Museu)
Horário: 9h30 às 11h30

Obs.: em caso de chuva, será cancelado.

Para quem quiser fazer doações, precisa-se de ração para cães e gatos, cobertas e tapetes higiênicos, fraldas, roupinhas, remédios, vermífugos e anticoncepcionais.

Participe e conquiste um amigo!

4 de agosto de 2011

DEFORMERS























Você lembra daquele desenho animado, no qual robôs se transformam em carros e depois voltam a ser robôs. Pois é, o desenho fez tanto sucesso que chegou a ser convertido em longa metragem com direito a elenco estrelar.

Tenho notado que tal fenômeno não se restringe à ficção. No mundo real também podemos acompanhar certas transformações, são os “transformers” humanos. Particularmente, costumo chamá-los de “deformers”.

Sim, com o auxílio de profissionais que deveriam ter mais escrúpulos, pessoas estão alterando tanto a sua aparência, que chegam a perder a identidade. Em busca do milagre da juventude ou da obtenção de um padrão de beleza que não lhes foi proporcionado no nascimento, as mais radicais modificações físicas tem sido praticadas sem adequadas restrições.

Nada mais é natural no rosto de algumas pessoas. Os lábios que deveriam parecer da Angelina Jolie, acabam ficando tão inchados quanto balões de festa. O nariz, que deveria ser arrebitado, acaba causando afogamento em dias chuvosos. E por aí vai toda a sorte de procedimentos de mau gosto, como covinhas no queixo parecendo órgãos sexuais, bochechas saltadas como bolas de pingue-pongue, toxina botulínica em excesso, olhos esticados no estilo oriental e muito mais. O bolso e a falta de noção são os únicos limites.

Os primeiros procedimentos de cirurgia plástica foram relatados na Índia antiga, como forma de recuperação da cartilagem do nariz, que era raspada e parcialmente removida como pena para quem cometesse o crime de furto. As pessoas marcadas por tal penalidade buscavam auxílio de primitivos cirurgiões, para reconstituir sua aparência e escapar ao estigma de ladras.

Ainda hoje a cirurgia plástica tem a função primordial de recuperar deformidades físicas congênitas ou ocasionadas por traumas físicos severos, bem como recuperar, quando efetivamente aconselhável, a boa aparência.

Porém, o que observo com pesar é que se a novela de hoje tem uma atriz fazendo sucesso com um nariz diferente, logo vira objeto de desejo e de comércio. Os desejos são efêmeros e mutantes, as cirurgias sucessivas e os resultados, muitas vezes, lamentáveis.

Ainda dentro do conjunto das medidas lamentáveis para obter ou manter a beleza, fico contrariado ao saber de meninas ainda adolescentes fazendo implantes de silicone para aumentar os seios e atingir o padrão de estética determinado pela mídia. Mais triste ainda é saber que mamães e papais inconseqüentes, aplaudem de pé e financiam esse tipo de barbárie.

É o mesmo tipo de gente que finge não ver a filha vomitando no banheiro depois do almoço ou do jantar, ou ainda, que consegue os censuráveis moderadores de apetite para ver a filha com aparência socialmente desejável, conservando um peso que não é saudável à estrutura física proporcionada pela sua herança genética.

Ah! Vaidade humana! Se não é pelo nome é pela beleza, se não é pela beleza é pela riqueza e se não é pela riqueza é pelo nome. Ilusão maldita que acompanha o homem até no momento de sua despedida.

Aliás, Rimbaud disse certa vez que “uma noite sentei a beleza sobre os meus joelhos. E achei-a amarga. E insultei-a”. Acho que estou dando uma de Rimbaud hoje.

Mas a verdade é que de nada adianta preocupar-se tanto com o invólucro. Como já dizia Mário Quintana: “não importa que a tenham demolido, a gente continua morando na velha casa em que nasceu.”

Leia mais crônicas em www.cronologicas.blog.com

1 de agosto de 2011

UM FIM



















Marcelo havia me dito que estava odiando toda aquela brancura, todos aqueles metais e aparelhos, toda aquela higiene e atenção constantes que já duravam quatro meses ininterruptos.

Não tinha privacidade, liberdade ou prazer. Apenas as providências necessárias para continuar existindo.

Nesses momentos surge o desejo pelas pequenas coisas, o simples passa a ser valioso. Marcelo desejava contemplar a fumaça de um incensário passando na frente de uma parede escura.

O desejo dele não se concretizou.

Quando o caixão baixou, joguei-lhe um incenso.